ORATÓRIA ENTREGA MEDALHA PAULO FROTA - FUNDAÇÃO VILLAS-BÔAS

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CERTIFICADO PAULO FROTA

ORATÓRIA ENTREGA MEDALHA PAULO FROTA - FUNDAÇÃO VILLAS-BÔAS

RECEBENDO A MEDALHA PAULO FROTA 4

Quero aqui agradecer a indicação para receber tão honrosa outorga.

Quero agradecer aos amigos que aqui se fazem presentes.

Obrigado

O Brasil passa por mais uma crise nacional.

Mais uma, porquanto há pouco quando estive em São Paulo visitando uma exposição de arquitetura, deparei-me com um estande que oferecia a possibilidade de dispormos de notícias de qualquer época e dava como sugestão que digitássemos nossa data de nascimento em uma máquina          e com isso a revelação de fatos importantes daquele período.

Percebi que o ciclo de crises vem ao longo do tempo sendo mantido e,      apenas para ilustrar, a única notícia boa da data do meu nascimento foi à inauguração da Bienal de Artes de São Paul0, quando sabemos que é unanimidade o clamor por cultura e educação para transformar positivamente o homem.

Os registros do passado viram história e, via de regra, nos remetem a reflexões, quando em nossas ações temos como principal objetivo a transformação do comportamento do homem.

Mas como fazer isso com o quadro que se avizinha?        

E em particular em nosso Estado.

As grandes empresas centenárias do Pará estão fechando ou passando por crises seríssimas e as novas que aqui chegam não estão conseguindo se sustentar.

O resultado deste processo é o aumento do desemprego, a piora das desigualdades sociais, o aumento da vulnerabilidade social e a crescente violência urbana e de campo.

Essa encruzilhada civilizatória atual, passa pela política e pelos políticos que tem que ter outro olhar, se querem assegurar o Estado Democrático de Direito.

A constante tensão a que somos submetidos, onde verificamos que os políticos que nos representam estão em sua maioria comprometidos,         pelos seus atos, com a justiça, mas freneticamente unidos para salvaguardar interesses e por que não suas peles, querem mostrar a sociedade brasileira que é possível salvar o país.              

E, isso, não poderá funcionar por dispormos, hoje, de uma maior consciência política pela globalização e que se soma a facilidade de mobilização utilizando-se das redes sociais.

Fica dessa forma o recado aos vereadores, deputados das duas esferas,         senadores e na ponta os governantes, independentemente de partidos:             se não houver crédito as exigências das organizações populares será o fim do parlamento.

Os tempos estão mudando. 

“Sem a economia não há progresso, mas sem escutar os desiguais não há também mudança de valores”.

E na nossa ótica é tão fácil resolver parte desses problemas, mas sem o comprometimento de nossos gestores isso é impossível.

Cabe um pequeno relato: há menos de um ano precisei acompanhar um dos meus filhos em atendimento de saúde na rede pública.

Confesso: nunca tinha vivenciado, do sistema regulador da saúde,        descaso com o cidadão.

Sabemos que o quadro é a nível nacional, mas vivenciá-lo foi terrível.

E a isso, chamo de conhecimento de causa, não precisando mais ler ou ouvir nas manchetes da mídia.

Hoje acompanho a situação dos indígenas do Pará, onde não aguentam mais.

Além do descaso que é comum com essa nação, o desvio do dinheiro público é prática comum dos atores competentes nesse tipo de ação.

São em última análise monstros desumanos.

Logo, as verbas não chegam à ponta e o que é projetado e de conhecimento deles não se realiza. 

Para entendimento, nesses 60 dias de resistências e movimentações em todo Estado, sete jovens indígenas morreram em suas comunidades,         por falta de assistência médica, remédios e outros procedimentos.

BR 316 INTERDITADA 06.12

O Ministro da Saúde continuou insensível até ontem, depois de 60 dias de resistência, sabia há muito tempo do que se trata, mas precisou ver o caos para tomar uma posição conciliatória. 

É dessa forma que vemos os políticos: na contra mão das inversões de valores atuais.

O que é preciso sim é acabar com indicações políticas sem considerar o critério técnico para nomeação de cargos, bem como a resistência de não nomear um indígena como gestor como querem, mormente quando afirmam que o indicado tem formação superior para ocupação desse cargo, e que sabe como trabalhar com a devida competência e transparência.

Ontem na grande reunião em Brasília com polos de alguns Estados brasileiros, chegou ao consenso que voltaram atrás da nomeação política do indicado aqui do Estado do Pará, afastando-o do cargo e ficará  uma coordenadora des despesas no distrito de Saúde Indígena até a nomeação do indicado dos indígenas.

E o presidente do conselho indígena irá acompanhar essa gestão provisória até o coordenador indicado por eles assumir em definitivo.

Dado esse recado a todos e o anuncio parcial de uma paz para esses dias festivos e um final de ano menos tenso, vale aqui uma ressalva:

Justiça seja feita, alguns meses atrás o Presidente do Conselho de Direitos Humanos da Alepa, Deputado Carlos Bordalo no primeiro dia em que foi procurado pela Funda VILLAS-BÔAS, com uma comissão de indígenas assessorada pela Defensoria Publica do Estado do Pará, onde foi apresentado um projeto onde os indígenas possam registrar em suas identidades os sobrenomes a qual etnia pertencem, evitando assim grandes constrangimentos que passam. Nessa última semana também foi solidário com o movimento de hoje com grandes articulações políticas.

Ao presidente dessa casa Deputado Márcio Miranda, uma vez que tinha que fazer abertura dos trabalhos com grandes discussões de final de ano, atrasou a seção para ouvir uma comissão de indígenas, sendo sabedor que o Estado sofria um início de caos pela tensão e movimentos que estaria por viver. Sabiamente escutou, fez suas ponderações ajudou com ações imediatas.  

Ao governo do Estado nas pessoas Dra. Carmem e Sr. Gustavo da casa Civil, a sábia Dra. Eloisa da SESPA que já pré dispôs em iniciar numa segunda etapa de dialogo em um planejamento de ações emergenciais, e  no que se trata em atendimento a saúde em média e alta complexidade para as comunidades indígenas. Ao secretário de Estado de Justiça e Direitos Humanos, Sr. Michell Durans, que disponibilizou o que foi possível para atender as demandas emergências.

Mas pergunto:

É dessa forma que temos que ser lembrados como instituição atuante?

Com ações que visem preservar interesses dos excluídos?

Direitos Humanos é o respeito ao próximo e a evolução para que os desiguais sejam iguais de alguma forma. 

E é isso que persigo em minha labuta.

Em nosso Estado só mudaremos esse comportamento quando tivermos o tripé respeitado:

Economia, Homem e Natureza.




Meu muito obrigado.

RECEBENDO A MEDALHA PAULO FROTA 5

 

(Discurso não proferido na entrega da outorga Medalha Paulo Frota, mas remetido para o presidente da Assembleia Legislativa e para o Presidente do Conselho de Direitos Humanos.)

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