NÃO EXISTE SAÚDE INDÍGENA NO PARÁ E NO BRASIL

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NÃO EXISTE SAÚDE INDÍGENA NO PARÁ E NO BRASIL

Nós, caraíbas, sabemos que a saúde pública no Brasil é uma lástima. Alguns (a maioria) dos hospitais, postos de saúde, SUS, são uma pocilga, ou até mesmo um atestado para a morte. Muito bem, quem precisa desses serviços sociais sabem disso, mas nós, que estamos em centro urbanos, ainda temos onde correr para extravasar nosso desgosto e indignação. Ponto número 1.

Os indígenas aldeados não são respeitados como seres humanos e, sim, como seres de terceira categoria, pois, a Funai e o SESAI não é mais essa estrutura antes da década de 90, os seus funcionários são meros cabides de emprego, embora tenham servidores capacitados para o posto que ocupam, separando o joio do trigo com toda certeza, mas ficam sem ação por falta de condições.

Não cabendo mais a quem pedir ou implorar, os indígenas do Pará ocuparam pacificamente a sede do DSEI – Distrito Sanitário Especial Indígena Guamá-Tocantins, localizada em Belém/PA, já perfazendo 20 dias e nenhuma autoridade competente se fez presente para ouvi-los. No dia 07 do mês corrente lideranças foram a Brasília para uma audiência com o Ministro da Saúde, sua Excelência Ricardo Barros, para exigir uma resposta de suas principais reivindicações:

- Acabar com as indicações de políticos que se dizem donos dos nomes de pessoas que devem ocupar a cadeira de coordenadores do SESAI. Isso é uma prática no Brasil, onde a corrupção é sistêmica e não acontecem os objetivos das questões das soluções dos problemas e o pouco recurso que tem e assim atingir o alvo principal que são as Comunidades indígenas. - Hoje essa indicação está nas mãos do Deputado Federal Priante do PMDB. O que pensar dessa dinâmica?

Da mesma forma, o governo quer a municipalização da saúde indígena, o que não agrada nem um pouco as lideranças por saberem que, dependendo do partido político, serão tendenciosas de acordo com suas conveniências e o dinheiro destinado aos indígenas não chegará aos seus devidos fins. Então mais uma vez haverá radicalização nessa proposta, se for bom para a sociedade civil dos brancos, que façam para os brancos, não para os índios.  

- Para ver resultados os líderes caciques querem que a indicação seja de um indígena capacitado para o cargo, com experiência em gestão e que saiba as reais necessidades das comunidades indígenas de todo o Estado e para nação.

Uma vez acatado pelo ministro da saúde, o secretário especial da saúde indígena do Estado do Pará (SESAI), quem quer que venha a ocupar o cargo, que ouça as lideranças, tome todas as medidas administrativas e, o mais importante, a ordem orçamentária.

Muitas são as demandas e lutas por justiça para melhoria dessa população. No entanto, o governo anterior e o atual não respeitam ou não ouvem o sentimento indígena. Os indígenas possuem propostas para sua melhoria, não cabendo que decisões venham de cima para baixo e sim, das bases, para que surtam efeito os seus objetivos.

Existem contratos administrativos que precisam urgentemente serem prorrogados até 2017 em Brasília para que as comunidades indígenas possam sobreviver, tudo de acordo com o que não está sendo cumprido por força dos contratos:

- Manutenção dos carros dos distritos.

- Alimentação.

- Atendimento da saúde nas bases de baixa compressibilidade.

- Atendimento em todas as unidades indígenas ou não, aos indígenas aldeados de média e alta compressibilidade.

- Fortalecimento das Sesais e de todos os distritos.

- Autonomia dos distritos sanitários Indígenas entre outras...

 

 

A Fundação VILLAS–BÔAS apoia a ocupação pacífica da DSEI, a qual esteve presente para se solidarizar e apresentou dois projetos para uma discussão ampla, onde a palavra é dos indígenas e onde a sociedade civil não-indígena possa tomar conhecimento desse pensar que são as demandas ora reivindicadas e de evolução cultural.

 

- Para isso a FVB realizará em agosto do ano vindouro promoverá o

{I CONGRESSO DO SABER E PENSAR INDÍGENA – “Resistências e Transformações”},

onde debaterão outras pautas como:

 

- “ Identidade Indígena nos Cartórios – Lei Estadual ” - “As Organizações e as Políticas Internas nas Aldeias” - “Saúde Indígena no Brasil” - “Pajelança: a luta pelo reconhecimento de um etos intercultural na afirmação da cosmologia do tratamento e cura indígena’’; - “Educação Indígena: da oralidade ao letramento étnico como práticas autônomas e libertárias”; - “Literatura Indígena: registro e memória dos povos, aspectos fundamentais para manutenção da educação indígena no Brasil”; - “Linguagem, Comunicação e Mídia: contradições e empoderamento contra hegemônicos dos povos indígenas”; - “Violência contra a Mãe Terra”; - “A relação dos povos indígenas com a terra, a roça como identidade e forma de subsistência”; e - “A importância da Língua Indígena no Brasil como Elemento de Afirmação Identitária”.

 

Estiveram presentes várias lideranças, onde houve apoio incondicional aos eventos.

 

Um Brasil forte só acontece quando um governo obedece ao seu povo e se esse governo não o fizer é mais um que só está ai para enganar a população.

PAULO E OS INDÍGENAS 1

 

Paulo VILLAS-BÔAS

Presidente da Expedição e Fundação VILLAS-BÔAS.

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