Comunidade Kaiowá Guarani sofre massacre na manhã desta sexta-feira (18)

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Comunidade Kaiowá Guarani sofre massacre na manhã desta sexta-feira (18)

Até quando vamos assistir a fatos como esse?

Será que vamos contar apenas como mais uma notícia ou estatística de extermínio de índios?

Isso sabemos que acontece no Brasil inteiro, mas por algumas décadas no Centro-Oeste e no Sul do país, é como se estivéssemos vivenciando a época das missões, e o desfecho deste caso já podemos prever: fazendeiros gananciosos não irão respeitar a posse da terra de quem tem o real direito e assim a sociedade, juntamente com os que defendem os índios ou seus tutores não tomarão atitude nenhuma, porque quem tem o dinheiro cala a todos, inclusive em demandas judiciárias que perduram também por décadas e sabem que não acontecerá nada.

Paulo Celso VILLAS-BÔAS

Por Revista Consciência.Net em 18/11/2011



http://www.consciencia.net/comunidade-kaiowa-guarani-sofre-massacre-na-manha-desta-sexta-feira-18/

Renato Santana
De Brasília para o CIMI

O cacique Nísio Gomes (no centro da foto acima) foi executado com tiros de calibre 12 e seu corpo foi levado pelos pistoleiros

No início da manhã desta sexta-feira (18), por volta das 6h30, a comunidade Kaiowá Guarani do acampamento Tekoha Guaviry, município de Amambaí, Mato Grosso do Sul, sofreu ataque de 42 pistoleiros fortemente armados.

Foto_Revista_Concincia

O massacre teve como alvo o cacique Nísio Gomes (centro da foto), 59 anos, executado com tiros de calibre 12. Depois de morto, o corpo do indígena foi levado pelos pistoleiros – prática vista em outros massacres cometidos contra os Kaiowá Guarani no MS.

As informações são preliminares e transmitidas por integrantes da comunidade – em estado de choque. Devido ao nervosismo, não se sabe se além de Nísio outros indígenas foram mortos. Os relatos dão conta de que os pistoleiros sequestraram mais dois jovens e uma criança; por outro lado, apontam também para o assassinato de uma mulher e uma criança.

“Estavam todos de máscaras, com jaquetas escuras. Chegaram ao acampamento e pediram para todos irem para o chão. Portavam armas calibre 12”, disse um indígena da comunidade que presenciou o ataque e terá sua identidade preservada por motivos de segurança.

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Cartucha deixada no chão, de tipo Balas de borracha, munição usada normalmente por forças policiais - Foto: MPF/MS

Conforme relato do indígena, o cacique foi executado com tiros na cabeça, no peito, nos braços e nas pernas. “Chegaram para matar nosso cacique”, afirmou. O filho de Nísio tentou impedir o assassinato do pai, segundo o indígena, e se atirou sobre um dos pistoleiros. Bateram no rapaz, mas ele não desistiu. Só o pararam com um tiro de borracha no peito.

Na frente do filho, executaram o pai. Cerca de dez indígenas permaneceram no acampamento. O restante fugiu para o mato e só se sabe de um rapaz ferido pelos tiros de borracha – disparados contra quem resistiu e contra quem estava atirado ao chão por ordem dos pistoleiros. Este não é o primeiro ataque sofrido pela comunidade, composta por cerca de 60 Kaiowá Guarani.

Decisão é de permanecer

Desde o dia 1º deste mês os indígenas ocupam um pedaço de terra entre as fazendas Chimarrão, Querência Nativa e Ouro Verde – instaladas em Território Indígena de ocupação tradicional dos Kaiowá.

A ação dos pistoleiros foi respaldada por cerca de uma dezena de caminhonetes – marcas Hilux e S-10 nas cores preta, vermelha e verde. Na caçamba de uma delas o corpo do cacique Nísio foi levado, bem como os outros sequestrados, estejam mortos ou vivos.

“O povo continua no acampamento, nós vamos morrer tudo aqui mesmo. Não vamos sair do nosso tekoha”, afirmou o indígena. Ele disse ainda que a comunidade deseja enterrar o cacique na terra pela qual a liderança lutou a vida inteira. “Ele está morto. Não é possível que tenha sobrevivido com tiros na cabeça e por todo o corpo”, lamentou.

A comunidade vivia na beira de uma Rodovia Estadual antes da ocupação do pedaço de terra no tekoha Kaiowá. O acampamento atacado fica na estrada entre os municípios de Amambaí e Ponta Porã, perto da fronteira entre Brasil e Paraguai.


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