Nações Indígenas

REVOLUÇÃO INDÍGENA IV

REVOLUÇÃO INDÍGENA IV

O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM O NOSSO PAÍS?

REVOLUNÇÃO INDÍGENA IV JÁ!!!

CONGRESSO_NACIONAL

Será que estamos num país ordeiro?

Será que existe o respeito com a Carta Magna?

Sra. Presidente Dilma Russeff, quem a sra., quer enganar?

Quer apagar o fogo e ter o nosso apoio dizendo que é contra a PEC 215, e faz vista grossa com apoio do seu partido nessa comissão que com a maior cara lavada os ruralista fazem nos bastidores do congresso?Sem falar que o Sr. Ministro de Justiça Sr., José Eduardo Cardozo, mais o advogado-geral da União, Dr. Luís Inácio Adams participam de uma reunião com os ruralistas e o Sr, Presidente José Alves autoriza a se formar essa famigerada Comissão?

DILMA_NDIA

Nada, mais nada a Sra., fez com sua base para barrar que a Sra., mesmo chama essa atitude de incondicional? Mas a sra. não está nem aí, isso é fato consumado, Alertamos, se prepare para o desgastes do seu governo, o poder econômico não fala mais alto que as preções dos indígenas do país inteiro e isso irá com certeza ter uma repercussão internacional.

PROMESSAS

É dessa forma que a Sra., e os ruralistas querem paz no campo?

MORTES

É dessa forma que os Direitos Humanos desse país que dar uma de São Thomé e deixar acontecer para depois tomar um partido? Genocídios, brigas sem respeito à Lei e o que querem é isto?

Mostrar a sociedade que eles estão respeitando a Lei e não a constituição.

É dessa forma que querem uma Agricultura Forte?

Comida ao brasileiro com baixo custo?

Pois forme se combate com agricultura Forte.

Aqui no norte dizem que não precisam desmatar ou invadir terras indígenas para grande produção. Que discurso é esse?

A Sra. Katia Abreu quer provar que índios invadem terras de agricultores. Quem invadiu quem Sra. Katia Abreu? Na história da Humanidade os agricultores estavam nas terras antes dos indígenas?

Após acordo, o PT conseguiu articular a presidência da comissão, que ficará com o deputado Afonso Florence (PT-BA), tendo como primeiro vice-presidente, o deputado Nilson Leitão (PSDB-MT), coordenador da Frente Parlamentar da Agropecuária. O deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) foi indicado para ser o relator da matéria. Isso é discussão? Isso é transparência de se discutir algo tão sério e relevante? Faça-me o favor.

Portanto senhores ditos indigenistas, simpatizantes, lideranças indígenas, esse atentado aos direitos indígenas de suas terras e transferir para o Congresso a demarcação de suas terras estão em suas mãos.

Detesto o silencio, não compactuo com os filósofos e sábios que dizem que o silencio é o ato de perdão e quem se cala com o tempo, pois em todos os diálogos que poderiam evitar guerras, discórdias e perdões mesmo. O silencio leva a ruína de uma humanidade, de um homem ou de uma mulher. Depois da ruína a imagem e o levante de uma justiça ou de uma calmaria fica uma cicatriz enorme é o que vivo hoje.

O silencio consente o erro cometido ou compactua com aquilo que quer dizer não é isso que eu queria dizer.

Sra. Presidente, não adianta discurso que é contra, use o seu poder, use a constituição para falar que isso é errado, depois não adianta sorrir para os eleitores dizendo – “Eu avisei”.

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Paulo VILLAS-BÔAS.

Presidente da Expedição e Fundação VILLAS-BÔAS

REVOLUNÇÃO INDÍGENA III, JÁ!!!

O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM O NOSSO PAÍS?

REVOLUNÇÃO INDÍGENA III JÁ!!!

Será que estamos num país ordeiro?

Será que existe o respeito com a Carta Magna?

ULYSSE_COM_NDIO

Até onde os políticos, legisladores e gestores poderão questionar a nossa Constituição?

Em junho de 2011 foi sancionada no Estado de Mato Grosso, uma lei que autoriza o Estado a trocar com a União um parque estadual uma terra indígena. Uma área que já estava homologada desde 1.988, ou seja quando essa lei foi aprovada pelo Estado essa terra não poderia ser contestada com a presença de índios é legal. Essa terra chamada de Marãiwatsédé.

Motivo:

Os índios têm que sair de suas terras homologadas para deixar por invasores, fazendeiros e posseiros que ocupam ilegalmente e fazem seus investimentos e tem a proteção de um governo, parlamentares e a força da economia que usam tratores de rolos compressores para passar por cima de leis maiores e da sensibilização do que se diz maior, seres humanos e com direito legitimo.

ESXPULSO

Diz a FUNAI (Fundação Nacional do Índio), pasmem que entre os ocupantes há prefeitos da região e até um desembargador. Entendem o que o rolo compressor que retrato na matéria? Índios para essa parcela da população sempre serão considerados estorvos e espúrias da sociedade.

Os invasores ameaçavam os indígenas após o mandado de desintrusão dos ocupantes ilegais pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no dia 18 de outubro, pelo então presidente do STF, o ministro Carlos Ayres Britto. Inclusive o bispo emérito de São Félix do Araguaia, Dom Pedro Casaldáliga, teve que se afastar no início de dezembro de 2012 de São Félix. O bispo foi acusado de ter sido responsável pela decisão do STF. Ameaças haviam se tornado cada vez mais insistentes e perigosas

Em 18 de Outubro de 2012 STF – Supremo Tribunal Federal determinou a desocupação dos ocupantes ilegais em 27 de janeiro desse ano a CIMI propaga que as terras Marãwasitsédé  que o povo o povo Xavante pode finalmente retornar a terra natal de onde foram expulsos. Segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), 619 pontos estão totalmente desocupados e os magistrados e prefeitos também já foram retirados?

Eu mesmo não tenho informações sobre o que Ministério da Justiça se expulsou os invasores, seria a gota d’água para sabermos qual é a tática desse governo que a sra. Presidente discursa de boazinha, tira fotos com cocares e abraçada com os índios que a visitam e por trás seus ministérios seja qual for agem nos bastidores para fortalecerem a PEC 215.

O que dói e que sabemos que por causa desses invasores e principalmente por causa da soja e de rebanhos bovinos fez aumentarem o desmatamento nessas terras homologadas, diz que foi triplicada em rápido tempo.

O Jornalista Claudio Angelo da folha.com, nos informa que em 2.010, bem antes do governador ainda em exercício e que não se intimida com nada, que a Justiça Federal determinou a saída de todos os ocupantes. “A União tem de cumprir a decisão e tirar os posseiros”, diz Edson Beiriz, procurador da Funai e ex-coordenador regional das áreas xavantes.

Recentemente o ex presidente da FUNAI Márcio Santilli concedeu uma entrevista a Folha Online precisamente 23/08/2013 e ele afirma:

- Governo usa a Justiça como desocupa para omissão em demarcações, ele Mácio Santilli afirma em bom tom que existem hoje 21 processos de demarcações de terras indígenas que estão parados no Ministério da Justiça, e discursos evasivos e escudo do governo os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-geral da Presidência) e José Eduardo Cardozo (Justiça), jogam culpas de um lado para outro para assim amansar os ânimos, pergunto ATÉ QUANDO?

Isso vem realmente de um tipo de política e não de processos de estudos. Isso é determinação da Sra. Presidente, o relato que faço, não é para defender ou enaltecer político algum mas vejam na gestão de Fernando Henrique foi homologado 5,1 milhões de hectares por ano, no seu antecessor e padrinho dela presidente o Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, homologou 2,3 milhões e dela 400 mil hectares e diz mais ainda que existe mais de 21 processos que de demarcações já entregue com todos os estudos que manda as legislações e  não assina por que não quer e podem ter certeza irão continuar engavetados.

Será que estamos testados com a nosso grau de inteligência e dissernimento? Sra. Presidente já havia pedido para mostrar sua cara, não precisa mais já mostrou e vai mostrar até as eleições, pois o poder econômico é que dá bases para sua campanha o povinho é apenas marionete.

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Índia guarani LIANA UTINGUASSÚ presidente sevidora da YVY KURAXÖ recebendo Certificado de Pareceira da Fundação VILLAS-BÔAS.

Será que estamos num país ordeiro?

Será que existe o respeito com a Carta Magna?

Até onde os políticos, legisladores e gestores poderão questionar a nossa Constituição?

Há poucos anos atrás foi a vez do governo de Santa Catarina legislar por beneficio próprio, sobrepondo-se à Constituição e aprovando um Código Florestal valendo somente para Santa Catarina.

Até quando vamos suportar isso?

Vamos ver muitos outros questionamentos, inquestionáveis, mas se a nação brasileira continuar pacífica, serão feitas muitas alterações que ficaremos somente revoltados.

Precisamos sim, de produção agrícola, precisamos de divisas para o nosso país, comida mais barata na mesa do brasileiro, mas desse jeito?

Precisamos saber quem elegemos, pois grandes governadores, senadores, deputados federais, estaduais e prefeitos, em sua maioria são todos pecuaristas ou latifundiários, depois não venham com bandeira de repugnância.

Saiba escolher, saiba eleger.

REVOLUÇÃO INDÍGINA JÁ.

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Paulo VILLAS-BÔAS

Presidente da Fundação VILLAS-BÔAS

REVOLUÇÃO INDÍGENA II

REVOLUÇÃO INDÍGENA II

Mais uma vez o governo do PT agem em silencio, para quando os indígenas acordarem já não mais terão o que fazer.

Nessa semana que passou o Ministério da Justiça a qual a Funai é subordinada será fragilizada para demarcações de terras indígenas e até hoje é a Funai é quem conduz as análises e se assim aprovado no Congresso Nacional onde a bancada ruralista é forte e detêm o maior interesse dessa tramitação. A minuta foi entregue ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), nesta quinta-feira (28).

Vejam a gravidade do que está sendo articulado pelo Sr. Ministro que não faria sem autorização da mandatária maior desse país: a Funai, terá de seguir critérios e responder questionamentos feitos por prefeituras, governos estaduais, comunidades tradicionais e órgãos federais ligados às áreas de agronegócio, energia, transporte e meio ambiente. Será que dessa forma amenizará os grandes conflitos ou serão mais pisoteados?

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Não se enganem isso dará mais poderes aos Senadores e Congressistas para com seus interesses em criar ou não a criação de terras indígenas, com isso será uma facilidade da aprovação da PEC 215. Diz algumas Federações da Agricultura, principalmente no norte, falácias que não precisam mais desmatar para se produzir, mas não é que assistimos e não é o que esse governo com seus ministérios propalam. Haja essa iniciativa  do ministério da Justiça. Vai me dizer que a sra. Presidente pegou a doença do seu ídolo que não sabe de nada.

Nó que esta entalado na garganta.

Até quando, vamos viajar pelo Brasil e encontrar problemas de abandono e fazer que as comunidades indígenas sejam tratados como iguais? Na fome, na miséria, no ostracismo? Até quando?

Não somos contra a modernização e ter agronegócios fortes, mesmo que fossemos seriamos também engolidos pela força do dinheiro e pelas políticas escusas que nos calam, mas estão com grande problema nas mãos, que no futuro hão de serem responsabilizados. Agora com a aprovação da PEC 215 se silenciados permanecermos.   Tudo nessa vida vira história.

O governo pegando a onda dos ruralistas, tem seu maior interesse nessa história que quer destravar obras de energia, como a Usina de Belo Monte, no Pará, e de transporte, consideradas importantes para fazer a economia retomar o vigor por meio empreendimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

BELO_MONTE_MAPA_DO_BRASIL

Mas tempo ou menos tempo as barragens serão construídas. E porque não solucionam os entraves impostos por esse avanço da economia e do progresso.  Os AVAS Guarani do Paraná estão acuados e temerosos por 9 barragens que a mídia não propaga tal fato. No entorno de Belo Monte, o eco soa mais forte, por ser um numero bem maior de manifestação e que outras comunidades engrossam o direito de uma vida digna e de respeito. Sem comentar a agressão ao meio ambiente que haverá de ser e não tem como ninguém negar, não tem mais volta tudo em favor do progresso. Quando o sindicalista Lula tomava parte de protestos nos quatro cantos do país, o governo federal tremia nas bases. Pergunto: Quando é que teremos outro pseudo Lula, para sensibilizar nossa presidente (governo) que já nós não sensibilizamos e carregamos os mesmos vigores e ideais de outrora, movimentos são escutados e sabemos qual são. Mas hoje virou tudo, de estilingue virou vidraça e o que era defendido pelos menos favorecidos hoje são empecilhos para arrancar votos. É Sra. Presidente discursos da senhora é bonito que não quer a aprovação da PEC, mas o que veremos é que a senhora não ficará irritada e vai posar para as fotos com seus sorriso que já é marca registrada.

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Todas as lideranças indígenas com raríssimas exceções afirmam que o Decreto 7.056, de 28 de dezembro de 2009 teria sido aprovado e publicado sem a devida consulta aos povos interessados, salvo guarda dito por algumas lideranças que alguns índios foram aliciados para estarem em Brasília a convite, esses foram hospedados em hotéis 5 estrelas, com regalias de comidas e bebidas livres, transito livro entre os hospedes que olhavam com espanto. Isso se chama consenso nacional para que todos falem AMÉM?

Se for para uma melhora, por que não ser mais transparente, isso não demanda políticas públicas também? Não é isso que esta acontecendo no país, até a presidente da republica tem que sair de inaugurações e pronunciamentos pela porta de trás, pois os protestos indígenas chegaram e irão chegar a Brasília e não estão sendo escutados, apenas servem para fotos dos curiosos turistas que lá passam.

Sem a devida prévia consulta aos interessados, contrariando o que dispõe a Convenção nr 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e o próprio Estatuto da FUNAI, esse decreto não deveria ser enviado ao Congresso.

A Funai tem que cumprir o seu papel institucional na perspectiva de uma nova política indigenista, longe do indigenismo tutelar e autoritário, mas tem que ressalvar o que rege a Constituição. O índio hoje no Brasil é mero numero na sociedade, não tem apoio daqueles que brigam pelos seus territórios deferidos ou até mesmo indeferidos porque quando não, são escorraçados a marginalidade engrossando as periferias dos grandes centros, nas bebidas, nos vícios e na prostituição, quando não aos enforcamentos aos suicídios que virou moda, e ai o que será que o GOVERNO faz? Será que teremos que falar o nome desses Estados, regiões, cidades, será que os munícipes, os órgãos ditos protetores não vêem essas famílias perambulando pelas estradas vendendo seus artesanatos que mesmo eles estão proibidos de confeccionar e tem índios processados por vendas de alguns artefatos que antes era cultura, hoje é proibição. Quando chegam as cidades como indigentes a margem da sociedade às escuras, pois o dito progresso com barragens, agronegócios e avanço desenfreados pela explosão demográfica da sociedade dita civilizada. O maior índice de mortalidade infantil esta nas comunidades indígenas, desnutrição, diarréias e assim por diante, não existe condições dignas de sobrevivência, educação rudimentar ou quase nula. IDH maior do que as mortes dos brancos. É ISSO QUE A SENHORA QUER? Pelo visto penso que sim. Quem se importa por mais miseráveis nesse país. Bolsas, mais bolsas?

Hoje o país vive em pé de guerra com o dito nova PEC 215, pensando que todos iam aplaudir, muito pelo contrario são invasões de toda a ordem das sedes físicas da FUNAI, pois pela novo decreto presidencial em que o presidente não lê, mas assina e seus assessores corroboram com as facções medíocres do governo, uma minoria, mas têm.

O índio, esta cada vez mais desprotegido e da forma que estão aplicando, ficaram com certeza isolados da sociedade, pois além do genocídio que vem acontecendo, aqueles que não chegarem aos extremo da vida, serão moribundos. Se for dizimar esse povo com esses ditos decretos e propostas ao Congresso Nacional digo como certo, podem estar convictos estão na mão certa.

Sra. presidente da república, veja realmente o que tem que fazer na ponta e não no início da questão. Chega de “burrocracia” Se por bem ou por mal farão as barragens de Belo Monte e mais nove barragens no Paraná, pedimos não passem com rolo compressor em cima dessas comunidades indígenas, que também tem direito ao voto, respeito, dignidade de como viveram e querem continuar a viver. Pedimos a reestruturação sim, somos sabedores e voltamos a dizer, dinheiro não falta: O que falta é chegar realmente na ponta e com muita responsabilidade. Olhe para o bem estar de um povo que não pediu para ser expulsos de seu habitat, somos sim uma miscigenação de raças, somos brasileiros, mas eles têm que ser respeitados como valorizou o valoroso filho de uma índia, Marechal Rondon e os nossos imortais IRMÃOS VILLAS-BÔAS. Morrer se preciso for. Matar Nunca.

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Paulo Celso VILLAS-BÔAS.

Presidente da Expedição e Fundação VILLAS-BÔAS

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Reflexões sobre a paralização dos professores em São Paulo e o Dia do Índio no Brasil e nas Américas

Reflexões sobre a paralização dos professores em São Paulo e o Dia do Índio no Brasil e nas Américas

ANGLICA_PASTORI_IIpor Angélica Pastori - geografa e históriadora.

Pensei em escrever o que sempre me ocorre com relação a esses temas. Algo como “nosso país não tem uma história própria que enalteça sua verdadeira memória nem seu verdadeiro povo original” ou então “nosso país tem por nome Brasil e este pode vir até da cultura celta segundo alguns pesquisadores, mas fala a língua portuguesa, teve sua independência proclamada por um príncipe português, tem seus livros de história na maioria iniciados com a formação de Portugal e está acostumado a ver tudo através de véus europeus e ter suas riquezas descobertas, estudadas e/ou exploradas por estrangeiros...”.

Mas isso eu falo todos os dias, como professora, como geógrafa, como mulher e brasileira à quase vinte anos!

Então como trazer alguma inovação a esta discussão? Mal o texto começou e eu me vi em um grande dilema! Um país sem base histórica própria e legítima não tem por prática tradicional valorizar sua própria cultura e sua própria origem! Muito pelo contrário seus valores culturais seguem uma cartela de valores estrangeiros desde as batalhas medievais europeias encenadas nos parques públicos aos domingos até as grandes exposições de renomados artistas plásticos estrangeiros, lotadas nos museus das capitais brasileiras. Com estes valores é difícil ir para os confins do país e tentar dizer para aquela gente abandonada que o saber deles tem valor! As reações são adversas! Os olhos de alguns deles ardem de vergonha e descrença. Acreditem! Em minhas experiências em vários interiores deste país que não se conhece tive que me calar muitas e dolorosas vezes, pois senti que a rejeição era absoluta e que chegava ao limite agressão! Por outro lado uma feira de artesanato indígena aqui na capital tem lá suas vendas, mas não há espaços para uma valorização mais profunda, uma “contação” de histórias, um debate. Quando muito colocam uma tv passando algum documentário lá no canto da “feirinha” e anunciam uma, duas apresentações de grupos de dança na abertura e no encerramento do evento “Semana do Índio”.

Um quadro superficial e cíclico que desvaloriza e muito este importante componente da história brasileira e vital componente da sociedade brasileira. Lendo vários textos apaixonados de muitos brasileiros que não abandonaram este povo e sua beleza, vejo então o anúncio da paralização dos professores em São Paulo iniciada por passeata na Avenida Paulista em plena hora do rush da sexta feira dia do índio!

Impossível não sentir a mente a se transformar em um estilingue e arremessar a ideia pelo cérebro ricocheteando em todas as paredes!

“São eles! São eles! Todos os esquecidos! Todos juntos! Os esquecidos e rebaixados a quase nada de ontem e os de hoje! Ao mesmo tempo e agora!”

Que coincidência incrível e infeliz! Dois personagens de ontem, hoje e sempre em nossa história! Pedra e construtor de nossa cultura! Ambos pedindo atenção, pedindo respeito, apontando seu abandono, apontando as políticas que vão condená-los a extinção e lutando por fazer ver que não vão permitir ser esquecidos.

Como mulher, brasileira, filha de índio com italiana, historiadora e geógrafa sinto duas dores, duas apunhaladas no peito e com os olhos bem abertos fitando o assassino! O assassino é o sistema que nos quer sem memória e sem condições de aprender a desenvolver uma!

Ao que parece o sistema econômico e político vigente e seus fiéis seguidores escravos do dinheiro tem planos claros e diretos sem o mínimo escrúpulo em agir. Vão derrubar a casa do índio no Rio de Janeiro, vão alagar terras indígenas com a usina Belo Monte e com a monstruosa Tapajós que poucos sabem que é sete vezes maior que a primeira, vão ignorar a paralização dos professores como se ela nem estivesse acontecendo porque são frios, fortalecidos em suas ilusões de controle e de poder. Este cenário é igual em todo o país para qualquer elemento da sociedade, índio, professor, trabalhador seja lá quem for!

professores_em_greve_II

Em um país em que professor tem que ir pra rua na hora de maior trânsito e na maior das capitais para pedir que não sucateiem ainda mais a educação eliminando disciplinas da grade escolar e arroxando salários, como lutar pela mínima dignidade dos que estão na capital ou a milhares de quilômetros de qualquer capital?

A indignação é geral e absoluta por toda a parte, desde o ônibus pegando fogo nas demonstrações de força das organizações criminosas periféricas urbanas até os confrontos violentos nas questões de terras indígenas.

Infelizmente datas como dia do índio, dia do professor e dia da terra são datas para lembrar-nos que cada um deles está em situação crítica e não para homenagear.

Homenagear o que?

O desencantamento me coloca prostrada diante da tela do computador!

Toda a energia que me moveu a escrever este texto se foi!

Como terminar de forma positiva e esperançosa?

Não há como terminar!

Esses combates estão longe de terminar! Só nos resta fé, força e persistência para continuarmos lutando, lutando sem parar!

Angélica Pastori

Geógrafa e Historiadora

Por que tanto interesse na demolição da Aldeia Maracanã?

Por que tanto interesse na demolição da Aldeia Maracanã?

 Maria_materia_4Maria Villas Bôas, Monte-Mor, natural de Ibirarema- SP.

As atitudes de muitos políticos com as minorias étnicas, principalmente a indígena, ainda hoje são impositivas e autoritárias.

Tomo como exemplo mais recente o interesse arbitrário na demolição da Aldeia Maracanã.

Pareceres e estudos feitos entre 2006 e 2012 pelo Instituto Estadual do Patrimônio Público Cultural do Estado do Rio de Janeiro (INEPAC) e pelo Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural do Município do Rio de Janeiro, foram contra a derrubada da Aldeia Maracanã.

O CREA do Rio de Janeiro também deu seu parecer contra essa demolição, porque depois de análise feita, detectaram que o edifício se encontra em estado razoável de conservação e, inclusive, o CREA sugeriu até que esse deveria ser transformado em Centro Cultural Indígena depois de uma boa restauração.

Segundo o defensor público federal Dr. André da Silva Ordacgy, afirmou que esse é um caso claro em que o interesse político se sobrepõe ao caráter técnico. Ele ainda disse que essa demolição contraria a Legislação Municipal do Rio de Janeiro, por existir um Decreto Municipal que derrubadas e alterações de imóveis construídos antes de 1937, só podem ser autorizadas depois de uma determinação favorável do Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural, mas esse Conselho de Proteção por unanimidade foi contrário à demolição desde dezembro de 2012 e para reforçar o quanto é impositiva essa demolição a Defensoria Pública da União (DPU) tentou também através de seu parecer, evitar a derrubada e a retirada dos índios do local.

Museu_do_ndio_erea

Agora, pergunto: Será que a palavra de um prefeito pode se sobrepor a um Decreto Municipal? Ah, e quanto ao Governador Sérgio Cabral, qual seu posicionamento sobre esse fato? Por que ele também apoia a derrubada da Aldeia Maracanã? Será que se esse prédio fosse de uma família nobre ou de político tradicional eles teriam a mesma postura?

Por que o prefeito Eduardo Paes depois de tantos pareceres contrários à demolição, ainda autorizou a Empresa de Obras Públicas do Estado a derrubar a Aldeia Maracanã, será que ele, mesmo sendo prefeito do Rio de Janeiro, desconhece até mesmo esse Decreto Municipal mencionado acima?

Ofícios enviados ao governador solicitando, que ele impedisse essa demolição, inclusive, um deles enviado através da Fundação VILLAS-BÔAS em outubro de 2012, será que não chegou às mãos dele? Ele não leu? Não analisou? Não parou para refletir?

Como cidadã, educadora, expedicionária, coordenadora nacional dos projetos especiais da Fundação VILLAS-BÔAS pelo Brasil e defensora dos menos favorecidos vejo tudo isso como atitudes de inferiorização e de exclusão total e absoluta contra os indígenas, que sempre estiveram e estão presentes no dia a dia desses excluídos, que são tidos por muitos, nada mais do que mera escória da sociedade, estorvo, problema, etc.

Essas famílias indígenas, que desde 2006 moravam no antigo Museu do índio, próximo ao Estádio do Maracanã, foram na sexta feira dia 22/03/13 tratadas de forma desrespeitosa e preconceituosa ao extremo. O Defensor Público da União Dr. Daniel Macedo disse, que a ação do Batalhão de Choque ao retirar os indígenas foi desastrosa e precipitada e a Polícia Militar segundo ele, também usou de abuso de poder até porque os índios já tinham concordado em deixar o imóvel.

A Polícia Militar usou de abuso de poder e ainda alegou que entrou no imóvel por conta de um incêndio que havia começado; na realidade era um ritual que os indígenas faziam no local, vejam a discrepância. Como os índios colocariam fogo num imóvel que eles estavam lutando para que esse continuasse em pé? Façam uma reflexão cidadãos brasileiros!

A UNESCO cobrará explicações quanto à decisão absurda na demolição da Aldeia Maracanã e a retirada dessas famílias. Quais argumentos esses políticos terão?

Por que tanto interesse na demolição da Aldeia Maracanã?

Espero para ver no que vai dar, porque de boca fechada não irei ficar