CARTA DE ESCLARECIMENTO

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NOSSOS ESCLARECIMENTOS.

O que sabemos de verdade sobre a Aldeia Maracanã?
Como lutar por uma causa?
Muitas das vezes as decisões estão nas vozes, pelos verdadeiros lideres indígena, muito ao contrário de que muitos simpatizantes indígenas pensam ou querem bradar por uma causa.
Primeiro é atitude, segundo coragem, terceiro saber como apoiar.
Vãngri Kaingáng! É uma dessas mulheres corajosas como também me espelho na minha irmã Liana Utingussú.
Leia essa carta de esclarecimento, a Fundação VILLAS-BÔAS, compactua com a sua causa.

Paulo VILLAS-BÔAS
Presidente da Fundação VILLAS-BÔAS

CARTA DE ESCLARECIMENTO

Cumprimento os companheiros de todo Brasil, sou a Vãngri Kaingáng, escritora e educadora indígena, trabalhadora e moradora no Rio de Janeiro por cinco anos na Aldeia Maracanã, assim como outros indígenas Pataxó, Guarani, Tukano, Puri, Karajá, Kaingáng, Guajajara, Potiguara, Fulniô, guerreiros na luta pela divulgação da cultura indígena nas escolas e demais estabelecimentos de ensino dentro do projeto de Lei 11.645 e que de forma violenta foram retirados da Aldeia Maracanã em 22 de março de 2013, bem como, muitos indígenas que lá moravam e tiveram seus direitos violados e envergonhados em Rede Nacional.

Morei na Aldeia Maracanã durante os últimos cinco anos e acompanhei a situação em que o indígena José Guajajara e seu irmão Arão da Providência manipularam pessoas que nada tinham a ver com as questões indígenas, convidando pessoas de rua, sem teto, punks, sindicatos e muitos outros, conhecidos como “colaboradores” para acampar dentro do Antigo Museu do Índio, nossa Aldeia Maracanã.

MUSEU_MARACAN.M

Na realidade, os chamados “colaboradores” se tratavam de uma estratégia do próprio José Guajajara e seu irmão Arão para manipularem as decisões das pessoas que estavam dentro do Prédio, e mesmo com o acompanhamento da situação pela televisão e outras mídias de massa, os dois Guajajara forneciam drogas para estes indivíduos e jogavam os mesmos contra os indígenas dentro da própria aldeia (espaço que deveria abrigar e proteger os indígenas).

JOS_URATAU_GAJAJARA_-_M

No dia da retirada dos indígenas pela tropa de choque, BOPE e Polícia Militar em uma ação truculenta e sem precedentes em nossa história, o próprio José e seu irmão Arão jogaram os punks e moradores de rua contra os indígenas dentro da aldeia em uma situação já agravada, o que não aceitamos, pois sempre lutamos com respeito e dignidade e jamais iríamos enfrentar aquelas pessoas, que passavam noites no 2º andar do prédio fazendo rituais, cortando seus corpos e usando diferentes tipos de drogas. Diariamente, nos sentíamos acuados e pressionados a conviver com os mais diferentes tipos de criaturas e enfrentar acusações por parte do próprio José e do seu irmão Arão que manipulavam estes “colaboradores”, usados por eles para garantir suas decisões inescrupulosas e obrigar os indígenas a aceitar imposições.

Neste dia fomos retirados da Aldeia Maracanã, envergonhados e humilhados desde as 3hs da madrugada sobre forte pressão da força policial, tropa de choque e BOPE que usaram inclusive armas sônicas nunca antes utilizadas em nenhum confronto dentro do país.

Retirados da Aldeia Maracanã, nosso grupo de 17 indígenas, pertencentes a 10 povos diferentes foi alojado por três dias em um hotel de péssima qualidade onde pessoas em situação de reinserção na sociedade eram hospedadas em condições sub-humanas.

Depois, fomos alojados em contêineres no complexo do Curupaiti, um hospital de tratamento de leprosos em Jacarepaguá, onde estamos alojados até hoje embaixo de lonas onde o calor é insuportável e na chuva ficamos alagados, porém, na luta para mostrar a cultura indígena enquanto educadores indígenas e atender a sociedade e escolas daquela região e os próprios moradores do complexo.

Nestas condições procuramos dar continuidade às negociações junto à Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos para fazer valer nossa condição de indígenas excluídos e procurando reaver a posse do Antigo Museu do Índio.  No período, José Guajajara nos acusou de sermos vendidos e termos negociado um local para morar mesmo em condições tão adversas, mesmo assim, continuamos lutando pela destinação do Antigo Museu do Índio.

José continuou a tentar retomar o Antigo Museu sem sucesso, seguido por sua legião de punks e moradores de rua, fez parte de muitos protestos pelo RJ, desta vez, intitulando o movimento como “Aldeia Maracanã Resiste”. Estes punks e moradores de rua agora pintavam seus rostos e usando cocares se intitulavam ÍNDIOS, o que para nós representava grande afronta e desrespeito, pois continuávamos lutando junto às Secretarias por melhores condições de vida e pelo espaço do Antigo Museu.

Agora, nos últimos três meses, José e sua legião de pseudoíndios, conseguiu retornar ao Antigo Museu do Índio e ali se alojaram definitivamente não permitindo que nós, indígenas, voltássemos para nossa Aldeia Maracanã. Conseguimos que a Secretaria de Cultura iniciasse uma negociação com todos os indígenas, onde mais uma vez, José e Arão não aceitaram qualquer acordo por parte da SEC e toda iniciativa de interferência da nossa parte era repudiada por José Guajajara e seu grupo. Permanecemos em negociação, pois precisamos de leis que garantissem a nossa efetiva participação na criação do Conselho Indígena, além do decreto de lei que nos garantisse a continuidade de nosso trabalho educacional junto às escolas do RJ, bem como, do direito à divulgação da cultura indígena e a garantia do direito ao espaço do Antigo Museu do Índio, Aldeia Maracanã para todos os povos indígenas e como um Centro de Referência no RJ em nome da defesa da coletividade, como sempre sonhamos.

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Com esse intento, organizamos juntamente à SEC de Cultura, Fundação Darci Ribeiro e UERJ, o Seminário Indígena pela destinação do Antigo Museu do Índio. Na ocasião, nosso cacique Carlos Tukano foi aos Jogos dos Povos Indígenas em Mato Grosso e convidou diferentes lideranças das cinco regiões do país para participarem desta decisão, que então, não cabia apenas a nós, indígenas da Aldeia Maracanã, nem a José e Arão, pois estes não representavam o seu próprio povo, conforme depoimento de Sônia Guajajara, reconhecida liderança do povo Guajajara que alega não serem eles reconhecidos pelos Guajajara, não nascidos em aldeia, nem bem vindos em suas regiões por sua forma ilegítima de luta por espaços indígenas e que já eram de conhecimento do povo Guajajara, revoltando as verdadeiras lideranças deste povo.

Sônia indicou outra liderança que estava presente neste Seminário, mas que foi SABOTADO MAIS UMA VEZ por José e seu grupo, que invadiram as instalações ao lado do Museu do Índio e tentaram manipular a mídia, fracassando e sendo retirados pela tropa de choque das instalações da LANAGRO. Neste momento, José subiu em uma árvore e ali permaneceu por 25 horas, enquanto as lideranças indígenas chegavam de todo o país para resolverem o problema de destinação da Aldeia Maracanã.

Assim que soube do convite feito a ele pela SEC para participar do Seminário e que os indígenas iriam se reunir na UERJ para definir a situação da aldeia, José e seu grupo foram e invadiram a UERJ, tomando a reitoria e querendo confrontar as lideranças que ali iriam chegar para o Seminário, porém eu e o cacique Carlos Tukano juntamente com as lideranças do alojamento indígena do Curupaiti, Garapirá e Arrassari Pataxó decidimos confrontar esse grupo e tememos, pois eram mais de 200 manifestantes sem teto, moradores de rua e colaboradores envenenados por José e que poderiam atacar o grupo de indígenas e lideranças como ANICETO XAVANTE, ÁLVARO TUKANO, MARCOS TERENA, MARIA HELENA PARESI, ANDILA KAINGÁNG, TABATA KUIKURO, MARCIO BORÔRO e outras grandes lideranças que estavam presentes para este Seminário.

Entretanto, mais uma vez fomos impedidos de fazer valer nossos direitos como povos indígenas e então, em um último ato de desespero, José e Arão levaram seu grupo e invadiram o Hotel Novo Mundo na tentativa de agredir os indígenas que ali se reuniam para definir um novo local para o Seminário, ficando clara a real intenção de JOSÉ EM OFENDER E AGREDIR AS GRANDES LIDERANÇAS, tentando IMPEDIR A RETOMADA de qualquer decisão e PODER SOZINHO continuar manipulando a decisão DE NÃO DEIXAR o Antigo Museu do Índio ser reformado e destinado aos povos indígenas e sim, virar moradia de mendigos, punks e sem teto.

Também fazia parte dos planos de José e Arão criarem ali, uma universidade indígena, sem condições de uso e que seria gerida apenas pelos dois irmãos e sua entidade SESAC, da qual Arão é advogado, José presidente e sua esposa tesoureira. Através de sua organização, José pretende fazer valer o processo indenizatório de 60 milhões, que então é pedido por esta, caso o prédio não possa ser destinado à causa indígena, processo que então, os dois tentam incansavelmente desconstruir, pois esperam conseguir enganar e envenenar aqueles que desconhecem a história desde o início.

Para maiores esclarecimentos, anexo a esta carta, os documentos retirados deste Seminário para que seja divulgada a verdade, e mesmo a própria ANAINDE possa esclarecer esse evento do qual José vem se promovendo e desrespeitando todo e qualquer processo de acordo que foram tomados pelos diferentes povos indígenas de todo o Brasil.

Agradeço a todos a atenção e peço que esta carta circule em todas as esferas necessárias juntamente com seus anexos para que todos que realmente desejam, sejam conhecedores da verdadeira história e defendam os legítimos donos da terra e a destinação do nosso amado Antigo Museu do Índio.

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Vãngri Kaingáng!

Nasceu na terra indígena de Ligeiro, região norte do Rio Grande do Sul. Trabalha como arte- Escritora e Ilustradora pela Associação de Escritores e Ilustradores Infanto Juvenil (AEILIJ)
Griô Aprendiz pelo Grupo Kanhgág Kanhró,  (Ponto de Cultura Kanhgág Jãre) Aldeia Serrinha Rio Grande do Sul.

Artista Plástica e artesã!

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