IDENTIDADE BRASILEIRA (Continuação)

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IDENTIDADE BRASILEIRA continuação

Paulo_Villas_Boas por Paulo Villas-Bõas

COMENTÁRIOS INSENSATOS

Você o que pensa da atitude dos irmãos VILLAS BÔAS, quando fizeram amigos os irmãos índios?

E lutaram para legalizar a Parque Indígena do Xingu.

É isto que esta inscrito abaixo?

Faça-me um favor!!!!

Assurinin

Ainda na última década do século 20 tivemos nova defesa da tese da integração/cidadania dos índios via escolarização. O cientista político Hélio Jaguaribe (Folha de S.Paulo, 30/08/94, p.1 e 4) propôs o “fim dos índios até o ano 2000”, apontando como caminho para tal a criação de escolas em áreas indígena para que os “índios tenham direito de se tornar cidadãos brasileiros”.

É que para 'merecer' viver têm que mostrar-se útil à sociedade, ou mais exatamente, à economia. E mostrar-se útil à economia significa mostrar-se rentável, ou 'lucrativo ao lucro'. Mas ser lucrativo ainda é sinônimo de 'empregável', ser empregado, trabalhar. Mas como trabalhar se [...] o acesso ao trabalho se torna algo cada vez mais distante e difícil? (BRAND, 1998, s/p).

Brand (1998, s/p) aprofunda a análise da questão, situando-a no contexto da globalização e do neoliberalismo: "Sob a ótica dos Estados, não se trata mais tanto de integrar os índios, como até há pouco. Integrar a quê? Como mão de obra [...] não existe mais interesse. Como consumidores também não", já que os índios não têm poder aquisitivo. Nesta concepção econômica de cidadania, o pesquisador cita o conceito que Forrester lhes atribui: eles são considerados "supérfluos". "Somente 20% da mão-de-obra disponível será necessária para viabilizar o desenvolvimento econômico" e, certamente, aí não estarão os índios. Ou seja, não se enquadram em nenhuma categoria econômica, portanto, são excluídos enquanto cidadãos e deveriam desaparecer:

Neste contexto, o futuro dos povos indígenas, bem como dos demais "sem-nada", parece ser o seu confinamento geográfico e social, seja em reservas, favelas ou acampamentos.

Rompe radicalmente com os preceitos de integração/incorporação vigentes, garantindo o direito à diferença e à autonomia, cabendo ao Estado o dever de proteger e fazer respeitar todos os seus bens, tanto os de natureza material (terra, riquezas naturais, patrimônio e integridade física), como os de natureza imaterial (valores culturais e morais), garantindo esses direitos (artigos 22, 210, 215, 231, 232).

Alguns depoimentos de professores e dos próprios índios kaiowá/guarani, que estudaram nestas escolas, ilustram o que acontecia na maioria delas:

Fonte;CIMI

[...] eu não conseguia entender quando a professora explicava as atividades ou muitas vezes mandava ir na lousa escrever, eu sentia medo de errar porque aquela palavra era tão difícil para mim (Braulina Isnardi).

[...] Não tinha direito de eu dizer o que eu conhecia na minha convivência com a minha família, e nunca era lembrado as coisas do meu conhecimento [...] Eu só conhecia apenas escrever o título, texto que o professor passava. Interpretar as questões e após estudar e decorar para prova (Maria Cristina Benites).

[...] minha professora falava, falava, eu não entendia nada [...] eu só balançava a cabeça [...] Mas na hora da escrita eu desenhava aquilo que eu conhecia e a professora me chamava de burro e dava um tapa na cabeça, eu chorava e não sabia o que fazer. [...] para a gente não desistir [...] a professora dava uns presentinhos para alegrar os alunos de novo (Valdomiro Ortiz).

[...] nunca fui acordado o que estava se passando com os meus patrícios índios [...] eu nunca aprendia ou o professor nunca ensinava para nós defender ou preservar a cultura, tradição, etc. (Alfredo Martins).

[...] A segunda impressão da sala de aula foi de uma prisão, uma gaiola (Almires Machado).

[...] Para mim isso foi um castigo, aprendi a detestar ser índio e falá a língua, a rezá e tanto que eu gostava de falar na língua. E na escola não pode falar (João Benitez).

Esta situação nada mais é do que o retrato de uma escola ineficaz e absolutamente desconectada do real, tal como já mostrava Santos (1975, p.61), numa pesquisa realizada em postos indígenas no sul do país, em 1975, cujas conclusões poderiam perfeitamente ser transportadas para a realidade escolar dos Kaiowá/Guarani de nossa região: Mato Grosso do Sul.

Escola

Em 1991, já no I Encontro dos Professores e Lideranças Kaiowá e Guarani[99], eram definidas as linhas principais do seu pensamento sobre a questão:

[...] Queremos uma escola própria do índio, [...] dirigida por nós mesmos,... com professores do nosso próprio povo, que falam a nossa lingua [...] " "A comunidade deve decidir o que vai ser ensinado na escola, como vai funcionar a escola e quem vão ser os professores". "A nossa escola deve ensinar o Ñande Reko (nosso jeito de viver, nossos costumes, crenças, tradição), de acordo com nosso jeito de trabalhar e com nossas organizações". "Os currículos devem respeitar os costumes e tradições das comunidades guarani/kaiowá e devem ser elaborados pelos próprios professores junto com as lideranças e comunidades.

Os professores guarani/kaiowá [...] devem ter uma capacitação específica. As escolas guarani/kaiowá devem ter seus próprios regimentos [...] Que as iniciativas escolares próprias das comunidades guarani/kaiowá sejam reconhecidas e apoiadas pelos municípios, estado e união [...]. (Documento final do I Encontro dos Professores e Lideranças Kaiowá e Guarani/1991).

CONTOS

Por outro lado, como dizia o meu o meu ídolo, meu mentor, o homem que mais teve e ainda tem respeito nacional pela causa indígena, por inúmeras homenagens que recebeu e que ainda a família recebem nestes quatro cantos do nosso país e do mundo.

Não devemos introduzir qualquer cultura que se valha aos costumes destes, quer religioso, ou educacional, até em sua conduta moral, pois nos depoimentos do Orlando Villas Boas, temos muito a aprender com os índios e nada a ensiná-los.

Em um de seus depoimentos disse:

Sempre fomos contra as missões religiosas nas áreas indígenas. A intenção pode ser boa, mas os resultados são muito discutíveis. Quando a tônica do trabalho é salvar almas e pregar uma crença que o índio jamais terá condições de entender em profundidade, não vale a pena. A abordagem deve visar à mudança da opinião que eles fazem dos civilizados: homens maus que vivem em guerra.

O índio é uma criatura boníssima, que vive satisfeito dentro de sua comunidade e ninguém tem o direito de quebrar a harmonia interior dessas pessoas. Enquanto convivemos com eles, sempre reforçamos a idéia de que só sobreviveriam se preservassem seu jeito trabalhar, de conversar, de interagir uns com os outros, suas crenças, seus costumes, sua cultura, enfim. Não está certo querer enfiar em suas cabeças valores que não sejam pertinentes à sua visão de mundo.

E é isso que as missões fazem. Querem substituir a aldeia para onde vão os índios depois que morrem pelo céu dos católicos ou dos evangélicos. Os índios acreditam que têm três almas: a primeira tenta ir para o céu, mas os passarinhos comem no caminho; a segunda fica no corpo do morto e só a terceira, que é a alma boa e sã, alcança o céu onde se transforma em gente e passa a viver tranqüila. Que outra verdade indiscutível se pode oferecer em troca dessa crença que os conforta?

Quando o Brasil foi descoberto, estima-se que havia cinco milhões de índios. Atualmente, existem aproximadamente 300mil. Como se pode deduzir com facilidade, eles pagaram um tributo muito alto por esse contato com uma sociedade mais forte. Eles nos deram um continente e nós continuamos porfiando por terras essenciais para a sua sobrevivência. (Orlando Villas Boas)

Da qual compartilho precisamos sim de gentes trabalhando pelas causas indígenas, mas não mudar sua formação, como hoje quer mudar. É a exterminação gradativa das comunidades indígenas, sem percebermos como estamos fazendo.

Lição para a sociedade civilizada (Orlando Villas Boas)

Durante a longa permanência entre os índios, a única contribuição que talvez lhes tenhamos dado, foi mostrar aos civilizados que o índio brasileiro não é um selvagem agressivo e destruidor. Nós trouxemos a notícia de que eles constituem uma sociedade tranqüila, alegre. Ali, ninguém manda em ninguém. O velho é dono da história; o índio, dono da aldeia e a criança, dona do mundo. Nesse tempo todo em que vivemos perto deles, nunca assistimos a uma discussão, a uma desavença na aldeia ou a uma briga de marido e mulher. Se a criança faz alguma coisa que o pai desaprova, ele não a repreende. Apenas a tira de onde está e a leva para outro lugar. É admirável, também, o respeito que os pequenos têm pela natureza, valor que adquirem observando o comportamento dos mais velhos.

O chefe, ou cacique, é o líder cultural da aldeia. Ele goza de muitas prerrogativas, mas deve observar uma série de restrições: não pode falar alto, nem rir ou fazer gestos bruscos, por exemplo. Sua função não é impor regulamentos nem determinar tarefas, mas estabelecer uma ligação entre a comunidade e os pajés que se reúnem todas as tardes para conversar, fumar e deliberar sobre o bom andamento da tribo. O cacique não participa da conversa. Apenas ouve o que está sendo dito e na manhã seguinte, segurando o arco numa das mãos, dirige-se ao povo que se junta diante de sua maloca para escutar as recomendações dos pajés e, em seguida, colocá-las em prática. Supostamente os pajés nunca erram porque não têm outra preocupação além de ficar zelando pelo bem-estar da comunidade.

Quando colocamos a possibilidade do diálogo entre os diferentes povos e culturas como horizonte a ser alcançado, precisamos logo esclarecer que ele pressupõe que os povos estejam fortalecidos e seguros (quanto à questão de suas terras; quanto à sua identidade étnica e nas suas relações com 'os outros') (DIAS DA SILVA, 1997b, p.61).

CONCLUSÃO

Penso eu, que para falarmos em preservacionismo, em primeiro temos que preservarmos as poucas comunidades indígenas que parecem muitas, mais restam muitos poucas, se vermos no universo atual da sociedade.

Ex. as costas brasileiras que não existem mais espaço para estas comunidades, e quase que 100% (cem por cento) perderam sua língua e suas origens. É o que queremos para as comunidades do Estado do Pará e de todos os Estados que ainda tem comunidades com grande concentração destes irmãos.

Tem que ser o mesmo fim dos irmãos das costas brasileiras?

Um governo, que não acreditamos em salvadores da pátria, mais um governo que quer ser serio, em primeiro lugar, para nos representar em qualquer fórum mundial de preservasionista institui uma justiça especifica para demarcação de terra das comunidades indígena, dando parecer nos conflitos das terras por posseiros em terras devolutas ou em litígio. Agilizando os processos que demoram anos, até mesmas décadas para darem pareceres e realmente a decisão final.

Reajam verifiquem cada processo, vamos analisar caso a caso de fazendeiros que ali construíram por décadas e décadas também sua subsistência, não aos latifundiários, ou empresas que investiram nestas terras somente para terem lucros no futuro e nada produziram nestes investimentos faraônicos. Mas demarquem definitivamente. Vamos pregar e resolvermos pontualmente os problemas que nós mesmos criamos.

Em todas as esferas de poderes federais ou estaduais, deveriam e devem dar prioridades "com varas especificas para dar agilidade nestes processos" de decisão de demarcação destas terras, pois não podemos mais aceitar que dêem chance aos índios e quem quer que seja, nos interesses do avanço da sociedade civilizada, a terem conflitos e perdermos uma se quer vida, qual lado fora, em deixando crianças e homens que poderiam estar em seu meio de sobrevivência sem precisar receber cestas básicas, e termos crianças subnutridas, nas periferias das cidades ou suas comunidades, fazendo que os próprios índios não saibam como sanar o problema das embalagens de enlatados ou outro lixo que agora é seu meio de alimentação que seu organismo acostumou.

Paulo_e_Kayap

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