Curupira, eu! Curupira você!

Curupira, eu! Curupira você!

Marcela_Silva por Marcela Silva

Brincadeiras, festas, tradições, cantigas, contos, adivinhas, lendas... são algumas das manifestações artísticas quando o assunto é folclore.

A primeira tendência que se tem quanto se fala em folclore é associá-lo à cultura. E a cultura é a transmissão de conhecimentos e valores de uma geração para outra, de uma instituição para outra, de um país para outro, de um indivíduo para outro.

Rico em figuras lendárias, nosso folclore tem o Curupira, um dos seus mais importantes personagens. De acordo com a lenda, contada principalmente no interior do Brasil, o Curupira – ser fantástico – habita as matas brasileiras.

Descrito como um menino de estatura baixa, cabelos vermelhos e de calcanhares virados para trás, possui a nobre função de proteger as plantas e os animais, além de punir quem os agredir. Vive a vigiar e proteger os animais usando de suas mil artimanhas para confundir os caçadores. Tem seus pés virados para trás e, assim deixa rastros falsos pelas matas para confundir os caçadores que ameaçam a fauna; tem também extrema velocidade, que é surpreendente e faz com que os predadores se percam na floresta.

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Imagem tirada da internet sem autoria

Como protetor das florestas, castiga impiedosamente aquele que caça por prazer, que mata as fêmeas prenhes e os filhotes indefesos.

Entretanto, ampara caçadores e pescadores que têm na caça ou na pesca seus únicos recursos alimentares, ou que abatem um animal por verdadeira necessidade.

É admirável a atitude do Curupira. Defender as florestas e os animais indefesos é um exemplo de cidadania. O Curupira desempenha bem o seu papel... E Nós? Até quando vamos deixar que uma figura lendária faça o que nós deveríamos fazer? Cumprir o papel de proteger, de zelar pelo que é nosso, pela vida, pelo meio ambiente? Precisamos nos esconder nesses mitos, uma vez que não temos a capacidade de fazer o mesmo?

Nós não temos pés como os do Curupira, cujas pegadas sugerem caminhar para trás... mas andar para trás é o que, ultimamente, estamos fazendo, quando não agimos, quando nos escondemos atrás de políticos, de lendas, do comodismo. E, com objetivos errôneos, assistimos ao noticiar das impunidades realizadas em todos os setores, e retrocedemos, em vez de avançar.

Hoje nossas florestas estão sendo agredidas; os animais tendendo à extinção; cientistas estrangeiros coletam amostras de plantas ou espécies de animais (biopirataria), levam para seus países, desenvolvem substâncias e registram patentes. Com isso, o Brasil paga por utilizar essas substâncias, extraídas das nossas matas.

A degradação das florestas traz consequências graves para o equilíbrio do meio ambiente.

A mata sempre nos fascina e nos reserva surpresas a cada instante. O canto melódico dos pássaros, a sombra relaxante, o silêncio misterioso, a umidade contagiante, o cheiro agreste, enfim, a mata é a paz, equilibrando o ecossistema.

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Foto: Paulo VILLAS-BÔAS

Que neste dia, 22 de Agosto, Dia do Folclore, sejamos atuantes como o Curupira: eu Curupira; você, Curupira; sejamos protetores das nossas matas e dos animais silvestres, perseguidores daqueles que desrespeitam a natureza.

Vamos cuidar do pouco que ainda resta, manter vivas nossas lendas e tradições culturais e, a exemplo delas, tomar atitudes e praticar as boas ações!

A Fundação Villas Boas acredita que o pilar “ambiental” deve estar associado ao “social”, para que haja um desenvolvimento de fato, não nos esquecendo do pilar “econômico”, formando a base do desenvolvimento sustentável.

Sementinhas do Amanhã

Sementinhas do Amanhã

por Marcela Silva

Na maior parte da minha infância morei em casa, sempre com uma área grande, com árvores frutíferas enormes, grama, terra, flores espalhadas − um verdadeiro reino para qualquer criança. Brincava do raiar do sol até o entardecer.
Subir em árvores, fazer montinhos de terra no chão, plantar flores, criar tatu-bolinha... que maravilha! Imaginação não faltava para inventar uma nova brincadeira!


Cresci. Hoje, formada em nutrição, trabalho em uma escola particular infantil, localizada num bairro tradicional de BH, tendo sua comunidade composta por uma classe média alta. Tenho como clientes, se é que posso defini-los assim, crianças que vivenciam uma realidade oposta à minha.

Atualmente, as crianças estão afastando-se do viver real e tornando-se parte do virtual numa rapidez que me assusta. Os novos brinquedos e brincadeiras dispõem de uma tecnologia que meu conhecimento não consegue acompanhar.
Uma realidade muito diferente da que vivi: como sementes que tentam sobreviver no asfalto, vejo crianças crescendo em espaços diminutos e sua enorme energia, tão latente nesta fase da vida, perder-se entre quatro paredes defronte uma tela de computador ou televisão.

E engana-se quem acha que a realidade pertence somente àqueles detentores de uma renda mais elevada. A mudança já está presente nas classes mais desfavorecidas.

Mas o motivo que me leva a escrever é relatar uma experiência. Depois de gozar uma semana de férias, um grande amigo me orientou, ensinando-me a respeito da compostagem.

A compostagem pode ser definida como uma decomposição aeróbia acelerada e controlada de substratos orgânicos em condições que permitam a ação de microrganismos. O resultado desse processo é um produto final suficientemente estabilizado, que pode ser considerado um enriquecedor do solo, podendo ser aplicado para melhorar as suas características, sem que haja uma contaminação do meio ambiente. (Fonte: Manual Básico de Compostagem – adaptado de MEIRA, A. M.; CAZZONATTO, A. C.; SOARES, C. A. ¬- USP Recicla, 2009)

Entre as vantagens da compostagem, podemos destacar: economia de espaço físico e gastos com aterro sanitário; diminuição dos gastos com transporte dos resíduos; reciclagem dos nutrientes contidos no solo (devolvendo a ele os componentes de que precisa) e reaproveitamento agrícola da matéria orgânica, gerando um composto que pode ser usado em vasos e jardins. (Fonte: Manual Básico deCompostagem – adaptado de MEIRA, A. M.; CAZZONATTO, A. C.; SOARES, C. A. ¬- USP Recicla, 2009)

Aproveitando o período de colônia de férias no meu local de trabalho, apliquei todo o conhecimento adquirido, ainda tímida e receosa quanto aos resultados, mas com esperança de ver aquelas pequenas crianças, sementinhas do amanhã, em contato com algo perdido nos dias de hoje.

AFINAL... por que não? Não importa a idade, o conhecimento é para a vida toda − pensei.

Quem sabe este trabalho não possa gerar frutos? Trabalhar a consciência ambiental, a sustentabilidade, o reaproveitamento de resíduos, uma gama de positividade, e gerar adubo para a nossa futura hortinha? Objetivar o envolvimento de todos no processo de produção do que eles irão consumir? Alimentar a curiosidade?

Aproveitar cada gotinha de energia que escorrer pelo rostinho daqueles pequenos é um trabalho incrível.
Alguns funcionários reprovaram por medo ou  insegurança − não os julgo. Mas minha, digamos, ousada experiência trouxe resultados mais positivos do que eu mesma podia imaginar. As respostas vieram ao meu encontro antes mesmo do previsto e para a surpresa dos demais.

Depois da exposição da maneira de como iríamos trabalhar, os olhos de cada criança se acendeu diante da nova vivência. O entusiasmo foi contagiante quando expus que o trabalho seria com lixo – o que dificultou até o meu controle da situação, visto a louca magnitude dos pequenos em colocar logo a “mão na massa”, ou seja, no lixo. Fui orientada a incentivar o uso das luvas, apesar de acreditar ser o contato algo essencial. Mas, antes mesmo de dar início, lá estavam eles mexendo, pegando, disputando quem retirava a maior quantidade de lixo verde do balde em que se encontravam. Se pensam que usaram luvas, enganam-se. Aquelas crianças, com ingenuidade e alegria, mostraram a delicadeza e a simplicidade e, em cada atitude, uma lição de vida. Queriam sentir o quebrar das cascas de ovos como quem ganha um brinquedo novo, o rasgar de um bagaço de laranja como quem descobre algo extraordinário, até o simples catar de folhas secas magnificou aquele momento.

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Realizamos o processo como quem brinca. A criatividade, a espontaneidade brotavam, num piscar de olhos, a cada minuto da nossa vivência. Como essa vivência enriqueceu a mim e a todos que a presenciaram!

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Pensamos fazer felizes nossas crianças, crescidas e criadas em apartamentos, cercando-as dos mais caros brinquedos e, quando percebemos, são em momentos simples como o que experimentamos que elas podem gozar dessa maravilhosa fase da vida e viver verdadeiramente como crianças! Será que não estamos deixando de lado o verdadeiro sentido da infância?


Por que momentos simples não são valorizados? Por quê?

A cada dia, minha satisfação é tamanha diante de tão pequeno gesto, que não me contive em deixá-lo aqui registrado e hoje poder compartilhar com todos vocês! A alegria que sinto todas as manhãs quando chego ao meu local de trabalho e sou surpreendida com um “pequeno” agarrando minhas pernas e perguntando se não vamos mexer no lixo − como eles se referem − é algo inexpressível.

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Vamos resgatar a criança de dentro de nós e fazer com que momentos como esses façam parte da infância de nossas crianças, tão sedentas do natural! Momentos simples que podem perdurar por toda uma vida. Façamos isso criando consciência ambiental, estimulando o consumo de alimentos orgânicos, tão importantes e necessários a nossa saúde!

Chega de industrializados, alimentos que caracterizam uma sociedade doente.

Muitas vezes a acomodação com a vida que temos significa que nos acostumamos com pouco. Quem foi contaminado pelo vírus da acomodação sempre deixa para amanhã o que poderia fazer hoje.

Nosso futuro está em nossas crianças − são as sementinhas que plantamos. Depende de nós zelar por elas, cuidar delas e orientá-las!
A beleza está na simplicidade. Somos agricultores que recebem apenas as sementes do amanhã, precisamos aprender a plantá-las, cultivá-las, colhê-las.

Marcela_Silva

Marcela Silva

Nutricionista - Coordenadora da Força Tarefa Nacional

O Futuro. O QUE É SER VOLUNTÁRIO

O Futuro.       O QUE É SER VOLUNTÁRIO

Alan_MorteanPor Alan Frederico Mortean

Quem já pensou no próprio futuro? Quem já se perguntou “...bem... cheguei até aqui, e agora?” Acho que todos já nos fizemos essas perguntas, e, se você AINDA não as fez, fará em algum momento de sua vida.


Estamos sempre pensando no nosso futuro: quando escolhemos um curso superior ou técnico a freqüentar por alguns anos, quando pagamos a conta de eletricidade do mês ou quando compramos uns pães pra comer no café da manhã do dia seguinte, estamos pensando no futuro, em diferentes escalas. Meu objetivo nesse artigo é falar das minhas expectativas para os próximos meses, talvez anos, e essas reflexões surgiram de duas perguntas cruciais: “Qual o objetivo de minha vida?” e “O que espero do meu futuro?”
Não tenho a pretensão de mostrar um caminho para os outros seguir, mas um para eu mesmo trilhar. Quem sabe você se identifique com meus devaneios nestes escassos parágrafos.


Meus últimos sete meses de vida foram um período que desconfio que vai mudar minha vida, mas, por hora, não me sinto seguro para fazer essa avaliação... Sim, porque, daqui a uns anos vou poder olhar esse período com mais maturidade e dizer de boca cheia, ou não, como esses meses... influenciaram meu futuro!

ALAN_MXICO

Há sete meses eu estava embarcando, com fé, coragem e esperanças, num ônibus da empresa Manoel Rodrigues na rodoviária de Ourinhos, interior de São Paulo, com destino à capital e de lá para o México. Foi a primeira vez que saí do país, já que viagem ao Paraguai pra fazer compras não conta, né!


E o tempo de seis meses que estive no México foi tão bom quanto as minhas melhores expectativas. Tive o prazer de participar de um projeto interessantíssimo em três povoados com menos de cinco mil habitantes cada, numa região serrana no sul do país. Uma experiência prática incrível, aprendendo sobre diversos sistemas de saneamento sustentável, com seus pontos positivos e negativos. Se você nunca ouviu falar de saneamento ecológico, banheiro seco, biofiltros, e termos correlatos, não se preocupe, essas tecnologias vieram pra ficar, são muito mais sustentáveis do que o popular WC, e fatalmente vão se espalhar pelo mundo, pouco a pouco. Um dia você escutará sobre elas.

 


Uma coisa que me inquieta é eu não ter aprendido sobre essas tecnologias na minha universidade, tida como a melhor do país de acordo com os rankings de produção científica. Mas tudo bem, um dia ela vai chegar lá. Como esperar que a sociedade adote essas tecnologias se nem a universidade as ensina num curso focado em saneamento?


Esse sete meses foram de muitas novas experiências, laborais e pessoais, conhecimento, amizades verdadeiras, músicas, danças, festas, vi muita coisa bonita, desde paisagens naturais até cidades antigas e pirâmides pré-colombianas incríveis, comida inesquecível, pessoas incríveis, que te oferecem a casa na mais absoluta confiança, sem nem mesmo conhecer-te bem... muito pelo contrário, conhecendo- te por um dia em algum evento,  ou por duas horas conversando numa cafeteria.


Agora escrevo de Cuba, desde a cidade de Camaguey, capital da província de mesmo nome, região central da ilha. Sim, depois do México eu vim a Cuba. Era meu sonho conhecer esse país, que é uma lenda. Agora já me sinto melhor preparado para falar sobre ele. Nas próximas postagens vou falar das minhas impressões sobre essa ilha tão interessante.
Hoje falo três idiomas: português, espanhol e inglês... quem diria: nessa viagem por dois países da América latina (tomara que sejam três), várias vezes pude usar o inglês para a comunicação.


Acho que já usei muito espaço falando do passado, mas me justifico, é que para mim, não há como falar do futuro sem observar o passado e o presente, você concorda?


Nesse momento na minha vida, fiz 25 anos há quase um mês, me sinto como num cruzamento que há aqui em Camaguey: há simplesmente sete ruazinhas que convergem para um mesmo ponto. Imagina se alguém pensar em colocar semáforos lá? O bom é que o trânsito é de bicicletas, bicitaxis, pessoas e charretes majoritariamente. Me sinto num cruzamento pois vejo muitas opções de caminhos a seguir, muitas possibilidades a serem descobertas, conheci tantas pessoas da América latina, tantos contatos, obtive tanta informação nova. E, agora, carregando esse saco de novidades, vou retornar ao Brasil. Aqui, às vezes dou uma olhadinha em algo que tem nele, mas, chegando aí, vou abri-lo, organizá-lo e colocar tudo na minha cabeça.... ou será que deveria simplesmente deixar da maneira que está e colocar na minha cabeça assim mesmo, sem organizar? No México, uma grande amiga me desaconselhou tentar organizar tudo isso.


A pergunta inevitável que me faço é: o que eu vou fazer agora? Nem pra escolher minha carreira na universidade eu tive tanta dúvida... pois eu não tinha muita informação. Que loucura! Escolhi minha profissão lendo o Guia do Estudante! Hahahah... mas deu certo, de qualquer maneira. Eu acho que tenho mais vocação para a parte de humanas e sociais, e me sinto capaz, em minha profissão, de preencher essa lacuna, trabalhando com comunidades, sentindo que estou contribuindo para um impacto social positivo, além do ambiental.


Esse é um início de resposta, né? Vou tentar ser mais direto, pois esse texto está me aclarando algumas coisas.


Eu quero trabalhar com algo que cause impactos socioambientais positivos na sociedade, através da atuação em comunidades. E descobri no trabalho voluntário grandes possibilidades de conciliar essas duas coisas. Mas aí você pode pensar: e o dinheiro? Pois é: não posso fazer trabalho voluntário para sempre, você está certo. Mas acredito que a experiência de vários trabalhos voluntários pode me abrir muitas possibilidades. Eu não sou hipócrita para chegar aqui e dizer que o dinheiro não é importante. Claro que é. Isso é tão verdade que o fator econômico é um dos tripés da sustentabilidade (social, ambiental e ECONÔMICO). Podemos dizer, então, que por enquanto sou insustentável, hehehe. Mas com experiência vou alcançar a sustentabilidade. Mas também o dinheiro não está no meu centro de atenções. Podemos discutir horas sobre o que é supérfluo e o que não é: na minha vida ideal vou ter uma bicicleta e transporte público para me locomover, nada de carro na garagem. Quero poder me alimentar bem, ter um lugar confortável para viver, ter acesso a saúde e acesso à cultura.


Sim, me vejo trabalhando com a Fundação Villas-Bôas (FVB) na Amazônia, Ilha do Marajó, ou, quem sabe, no semi-árido nordestino. A FVB possui pessoas comprometidas com seus ideais e, em minha opinião, é questão de tempo termos um projeto sendo aplicado em comunidades, para iniciarmos nossa expedição pelo Brasil.


Eu não tenho nenhuma reclamação de minha vida, ela é ótima: uma família equilibrada, pais que me apóiam, tive acesso a educação de qualidade, além dessa grande oportunidade de passar mais de meio ano fora do país, aprendendo. Acredito na lei de ação e reação, assim como na frase do tio Bem, o tio do Homem-Aranha: “grandes poderes trazem grandes responsabilidades”...


Por isso acredito que ainda tenho muito a fazer, para retribuir ao mundo tudo o que recebi da vida.

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E a saúde no Marajó?

E A SAÚDE NO MARAJÓ?

O Arquipélago do Marajó, com suas duas mil e quinhentas ilhas e ilhotas é um território muito vasto, onde cabem 25 municípios de São Paulo. Porém, diferentemente do coração econômico do país, possui uma população relativamente pequena, de cerca de 420 mil pessoas.
Aqui, nesta região com tamanha riqueza vegetal e animal, com uma hidrografia invejável, cercada de belezas naturais, seus habitantes ainda vivem com problemas estruturais, como a saúde pública ineficiente. Na região, a taxa de mortalidade infantil é de 22,41 para cada 1000 nascidos vivos, a segunda mais alta do estado do Pará, enquanto a média estadual é de 18,66. Quando se fala em leitos hospitalares, por 1000 habitantes, o Arquipélago apresenta um valor de 0,89, o menor entre todas as regiões do estado. Esse mesmo indicador, para o Pará é de 2,23. Se analisarmos o número de médicos por 10 mil habitantes, chegamos ao valor lamentável de 1,31... é isso mesmo, há um médico para cuidar de 10 mil pessoas no Marajó, enquanto a média brasileira é de cerca de 15 médicos para cada 10 mil habitantes.
Em relação ao PIB (produto interno bruto) per capita: no Marajó, o valor é de R$2647,22, o menor entre as regiões, enquanto no Pará, o valor é de R$7992,71.

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Figura 1: projeto da FVB de Educação Sexual

Juntando a falta de leitos hospitalares, de médicos e o transporte demorado entre o Marajó e a capital do estado, Belém O município está distante aproximadamente 350 Km em linha reta de Belém, a capital do estado do Pará. O tempo de viagem, por exemplo, de Gurupá que tem na rede hidrográfica sua principal via de comunicação e acesso. A viagem fluvial entre Belém e Gurupá, com aproximadamente 500 km de rios e furos, dura de 24 a 30 horas. Por via aérea, o tempo de vôo em aviões fretados é de uma hora e meia, a probabilidade de uma pessoa portadora de uma doença grave se recuperar é fatalmente diminuída.
Apesar de todos esses fatores, a expectativa de vida na região é de 77,90 anos, a maior no estado, cujas pessoas possuem uma expectativa média de vida de 72,84 anos. Isso mostra o grande potencial que possui o Marajó, para a adoção de um desenvolvimento que seja realmente sustentável, segundo o economista Ignacy Sachs, que abranja as dimensões social, ambiental, econômica, política, territorial e cultural, em conjunto, um desenvolvimento que não seja pensado a quatro paredes, favorecendo uns em detrimento de milhares de outros.
O desenvolvimento sustentável só é alcançado com a participação popular; ninguém melhor que a população para apontar seus problemas e dar idéias de como resolvê-los.
A Fundação Villas-Bôas acredita na atuação em conjunto com as comunidades para propor soluções para seus problemas. Possuímos dois projetos, atualmente, diretamente relacionados à saúde, que é o de Educação Sexual e o de Combate à Mortalidade Infantil, além do projeto de Saneamento Ecológico, que influi positivamente na saúde das populações através de um tratamento adequado dos excrementos humanos de acordo com padrões internacionais.

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Figura 2: projeto da FVB de Combate à Mortalidade Infantil

A Fundação Villas-Bôas, além de disponibilizar seus projetos para o desenvolvimento do Marajó, apóia a aplicação do PDTSAM (Plano de Desenvolvimento Territorial Sustentável do Arquipélago do Marajó) por parte do governo federal, um plano com um nome muito bonito, com várias ações e prioridades, mas que, infelizmente, não saiu do papel. Em julho de 2012 ele está cumprindo 6 anos! Enquanto o país gasta dezenas (ou centenas? Ninguém sabe ao certo, nem mesmo o governo) de bilhões com mega eventos, não são destinados ao Marajó os dois bilhões de reais prometidos há seis anos, em pomposa cerimônia com a presença do então presidente Lula.

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Figura 3:  cacimba onde é armazenada a água para consumo em uma vila ribeirinha do Marajó. A cacimba está a poucos metros de uma fossa negra.

Expressando nossa revolta, junto com a revolta dos mais de 400 mil marajoaras, criamos uma petição pública para a população brasileira tomar conhecimento da situação de abandono em que vive esse povo e fazer a sua parte, assinando-a e divulgando-a com seus amigos e familiares!

O link da petição é o seguinte: http://www.peticaopublica.com.br/?pi=VBMARAJO

Uma atitude simples, que te custará 3 minutos, mas que pode definir o futuro do Marajó se tivermos assinaturas suficientes. Una-se a nós por essa campanha!!!


A Fundação Villas-Bôas promove projetos para o desenvolvimento social, ambiental e econômico em todo o Brasil, em parceria com a sociedade civil, visando assegurar a proteção dos recursos naturais locais e garantir qualidade de vida às presentes e futuras gerações.

FVB, seu coração batendo na Amazônia.

Referências:
Idesp, Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará
SEIR, Secretaria de Estado de Integração Regional
IBGE, Insitituo Brasileiro de Geografia e Estatísticas

http://www.escolasmedicas.com.br

MARAJÓ - MANIFESTO -

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Participe da petição pública a favor do Arquipélago do MARAJÓ - MANIFESTO -

por: Fernanda Zambonini


Quando o Plano de Desenvolvimento do Arquipélago do Marajó (PDTSAM) foi pensado pelo presidente Lula, em 2006, as demandas imediatas (percebidas) em Marajó eram regularização fundiária e a realização de obras voltadas à infraestrutura e combate à malária.

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Anajás, no arquipélago do Marajó, apresentou aumento na incidência de Malária (Foto: Ary Souza / O Liberal)

http://g1.globo.com/pa/para/noticia/2012/05/aumentam-casos-de-malaria-no-arquipelago-do-marajo.html

De imediato mesmo, só a distribuição de títulos de terra foi feita. Logo depois, o Plano incorporou as atividades que estavam sendo realizadas no Arquipélago e o Grupo de Trabalho Interministerial (responsável por elaborar o Plano) adicionou mais outras tantas ações observadas como importantes na Ilha. Como exemplo de atividade em andamento, podemos citar as obras que levarão energia de Tucuruí até muitas cidades do Marajó (desde 2009).

Ainda sim, isso é pouquíssimo. O que será que está dando errado para que o Plano, em essência tão bom, não seja logo aplicado no Arquipélago? Uma das razões imaginada seria a falta de congruência quando escreveram um Plano fora de um contexto de ação. Tudo partiu da vontade de mudar uma realidade. Escrever o PDTSAM deveria ser uma das etapas dentro de um planejamento ambiental completo: observar as necessidades dos cidadãos marajoaras; desenvolver ações para acabar com essas necessidades contemplando toda a cultura e vida da população e, através de um Plano; implantar esse Plano e verificar o sucesso ou fracasso das ações. Parece que só as duas primeiras coisas foram pensadas e a atividade de ação, a prática, a mudança efetiva foi deixada para ser pensada depois. De fato, o próprio plano deveria guiar as ações, indicando o melhor caminho para ser concretizado.

O que vemos são políticas desconexas com a realidade marajoara sendo aplicadas: leis ambientais contra a atividade madeireira e extrativismo de palmito serem aplicadas e acabarem com a renda de boa parte da população. Por exemplo, uma matéria no jornal online Voz do Marajó destaca que o “desemprego cheira a churrasco”, referindo-se aos trabalhadores que extraiam madeira na região e hoje vivem da venda de churrasco nas ruas de Breves (vide matéria de Orlando G. Miranda em http://www.vozdomarajo.com/artigos/orlandomiranda/2011/o-desemprego-que-cheira-a-churrasco.htm).

Isso não quer dizer que leis ambientais contra o extrativismo predatório e destrutivo não devam ser criadas e implantadas, mas quer dizer que as atividades desses trabalhadores deveriam ser substituídas, não se tira o sustento de um homem dessa forma. Com a aplicação do Plano as coisas talvez andassem de outra forma, já que ele contempla as dimensões social, ambiental e econômica. Ele dá diretrizes para que medidas como essas não sejam tomadas sem serem pensadas antes.

Por isso, a Fundação Villas-Bôas (FVB) dá apoio e está à frente da Petição Pública para que o PDTSAM vire ações concretas. Acredita que muitas coisas podem e devem ser feitas, principalmente se o povo está atento e há colaboração. Nesse sentido, a FVB chama você e a todo povo brasileiro a apoiar essa Petição Pública disponível em http://www.peticaopublica.com.br/?pi=VBMARAJO.

Conheça também os propósitos da Fundação, seus valores e projetos. Ajude-a apoiando com doações e/ou voluntariado. Entre em www.expedicaovillasboas.com.br e saiba mais.

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Figura 1 Entrega de títulos aos ribeirinhos em 2006. Fonte: Informativo Plano Marajó de julho de 2009. Disponível em: http://www.mi.gov.br/desenvolvimentoregional/marajo/.