Reflexões sobre a semana da água e o Marajó

Reflexões sobre a semana da água e o Marajó

ANGLICA_PASTORI_IIAngélica Pastori     -     Geógrafa e Historiadora

Dia 22 de março foi o dia mundial da água. Como de costume lindas campanhas, textos e imagens nos colocaram a refletir sobre este precioso bem natural, sua riqueza em nosso planeta e os riscos que suas reservas estão correndo nesta época de consumo excessivo e informações controversas.

Para a compreensão desta gama de informações o saber é imprescindível e a contribuição da ciência neste aspecto é vital!

As áreas da ciência que estudam as águas de nosso planeta, seus diversos estados e poderes de transformação revelam a incrível variação deste elemento e suas capacidades. Ainda aprendemos e temos muito a aprender com seus mistérios.

LAGO_DO_ARARI

Lago do Arari - Santa Cruz do Arari - Marajó, Essa imensidão de água no verão seca seu solo fica parecendo crostas como se fosse pedaços de ovo de páscoa.

Podemos tomar como exemplos algumas ciências e especializações científicas que efetuam estudos gerais e precisos: uma delas é a hidrografia, ciência que estuda as águas doces de superfície, seu poder de deslocamento e acúmulo de materiais entre outros processos; a hidrologia, ciência responsável pelo estudo das águas doces subterrâneas, constituição química e afloramentos de superfície entre outras características e processos; a oceanografia para o estudo das águas salgadas como os oceanos, os mares e suas relações com as margens continentais entre outros processos; a geomorfologia costeira, especialização voltada para o estudo de sua ação nas bordas dos continentes; o estudo de ecossistemas costeiros, especialização cujo estudo é voltado para entendimento das relações entre os elementos de flora, fauna e a paisagem natural constituída pelas relações entre os sistemas continentais e os marinhos e outras tantas áreas do conhecimento humano, dedicadas a compreensão deste componente elementar à vida na rica forma em que se manifesta em nosso planeta.

A combinação dessas áreas científicas pode favorecer o mapeamento de regiões naturais únicas no planeta Terra. O Golfo do Marajó é sem dúvida um fantástico exemplar!

Com mais de 2.600 ilhas variando desde ilhotas até a ilha maior totalizando mais de 40.000 km2, este complexo leva a denominação generalizada de arquipélago do Marajó, palavra originária da língua indígena Tupi MIBARAIÓ, que pode significar “anteparo do mar” ou “tapamar”, utilizada para nomear o que de fato é um grandioso acidente geográfico entre a fúria do rio das amazonas e o poderoso oceano Atlântico.

Mapa_do_Maraj

Ao estudarmos o comportamento das águas e terras nessa região, verificamos um verdadeiro duelo de titãs cujos avanços e recuos alternados destes dois sistemas – águas doces e sedimentação continental e águas salgadas e areias costeiras – originaram este arquipélago fascinante e rico em diversidade de paisagens físicas e comunidades humanas para as quais a Fundação Villas-Bôas tem desenvolvido uma força tarefa de luta por dignidade de existência a altura de sua magnitude e de suas necessidades.

Em minhas ações de divulgação dos programas da Fundação para o Arquipélago e das intenções desta força tarefa, as dúvidas da plateia sempre giram em torno de suas dimensões principalmente quando os interessados entram em contato com a abrangência e variação dos programas e projetos voltados para as comunidades marajoaras. Estas dúvidas me levaram a escrever este texto como uma tentativa de reflexão sobre um assunto tão pertinente a esta data comemorativa mundial.

Assim como existem muitas ideias equivocadas e informações superficiais sobre a água no planeta terra a maioria dos interessados que entra em contato com os programas da fundação para o arquipélago, acredita que o Marajó seja uma ilha - alguns uma cidade amazônica até - mas a maior parte das pessoas tem a interpretação do Marajó como um arquipélago localizado na Amazônia o que já é um bom começo! Há algum esclarecimento de que este arquipélago se relaciona com o rio Amazonas e localiza-se próxima do oceano Atlântico.  Porém quando anunciamos as dezenas de cidades e vilas, os milhares de habitantes e as dimensões territoriais semelhantes a vários territórios de estados brasileiros o assombro é geral.

Trata-se de fato de uma das maiores dificuldades no aprendizado da geografia de nosso país. Os habitantes do sul e do sudeste tem uma visão diferenciada das dimensões territoriais brasileiras em relação à visão dos habitantes do norte e nordeste do Brasil. Estas questões estão relacionadas ao aprendizado da cartografia e da disposição de nosso território na faixa tropical do planeta e são vazios de conhecimento que tem origem na educação fundamental de nosso país.

Rimos muito – nós que já conhecemos de fato a região – das confusões que as pessoas que nos pedem orientação fazem ao viajar, fazer compras ou simplesmente obter informações, acreditando de verdade que Belém e Manaus são próximas, como São Paulo e Santos ou coisa assim, quando as distâncias reais são de 9 dias de viagem de barco de uma a outra, meu exemplo favorito nas conversas e aulas de geografia que leciono.

Gosto particularmente de apresentar nas minhas aulas comparações territoriais brasileiras com outras localidades do globo, como por exemplo, comparar o território do estado da Bahia com a França, destacando que a Bahia é maior. Ou então comparar o território do Pará com o território do Egito, sendo o Pará, maior. Essa compreensão é essencial para que as pessoas comecem a entender o grau de dificuldade que é gerenciar nosso país e porque muitas regiões, cidades e suas comunidades como é o caso dos marajoaras não são contempladas pelos projetos governamentais. Estas comunidades localizam-se em uma área territorial equivalente a 1/5 do estado de São Paulo, semelhante ao estado de Santa Catarina ou o estado do Rio Grande do Norte e justamente por serem estas informações desconhecidas da maioria dos brasileiros é que as dificuldades na administração adequada das tantas demandas de sua população acabam por favorecer ao abandono. Não há quem se interesse, acompanhe ou cobre ações das autoridades por puro desconhecimento de suas dimensões e da profundidade de suas carências.

Como paisagem o arquipélago do Marajó é uma das maiores belezas que tive o prazer de conhecer e navegar em minhas viagens pela Amazônia. É um espanto que tão bela gente e tão grande esplendor cultural desta magnífica região passe por tantas necessidades básicas em pleno portal de entrada da área mais estratégica do território nacional. Esta perplexidade me levou a ser voluntária da Fundação Villas-Bôas e a divulgar com muito orgulho os planos de ação de nossa força tarefa para esta vasta e belíssima região que – como todas as regiões naturais brasileiras – precisa de atenção, planejamento e ação. Uma vez efetivados os programas já em desenvolvimento pela sua dignidade como região e população nacionais, pode se tornar uma potência ambiental, turística e cultural de nosso país como merece ser! Não só mais uma campanha do dia da água, mas uma realidade de todo o dia, como todo o nosso país merece ser! Ser e usufruir sustentavelmente da riqueza que possui!

MISSES

Caso tenha simpatizado com esta causa, peço que acesse as páginas de nosso site e conheça nossos projetos e programas para o Marajó. Compartilhe seus conteúdos, assine e divulgue nossa petição, pela dignidade das comunidades marajoaras. Faça parte desta enorme força tarefa cheia de vontade de transformar esta região e trazê-la ao seu verdadeiro posto de guardiã de entrada da Amazônia brasileira!

O SACERDÓCIO DO VOLUNTARIADO

O SACERDÓCIO DO VOLUNTARIADO

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Durante a gestação, o bebê vive nove meses no conforto do ventre de sua mãe, recebendo o alimento necessário para o seu desenvolvimento. Tranquilo, vai crescendo, adquirindo resistência, força, reflexos... mas todo esse preparo acontece para que, no momento certo, ele venha ao convívio de seus pais. Sempre haverá o momento em que a mãe natureza o lançará para a vida, para o mundo, para o novo... enfim, será exposto a uma nova realidade, muito diferente da que conhecia, e a outra experiência... A comodidade e facilidade das quais tinha conhecimento lhe serão retiradas e ele terá que aprender por si só a respirar, a andar, a falar...

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Fonte: http.blogues.publico.ptreporterasoltaa-solidao-nas-cidades-2

É com essa descrição que dou início ao meu relato pessoal. É chegada minha hora de “nascer” novamente. Encontro-me em uma zona de conforto e segurança da qual quero sair. Já não quero mais viver na placenta em que me encontro, nem respirar através de trocas gasosas tão cômodas. Quero aprender a respirar por mim mesma, sentir o novo ar entrar pelos meus pulmões e promover seus benefícios.

Talvez possa pensar que este meu renascer seja um pouco tardio, mas acredito que ele acontece na hora exata. Confesso que gostaria de ser “prematura” como muitos que, com coragem e ousadia, se lançam na vida sem medo do que ela tem a oferecer, mas talvez eu não estava preparada para tal empreitada. Hoje também não sei se estou, mas a coragem que me impulsiona me dá forças que não sei explicar. Ou talvez saiba...

Sempre me disseram que existe um momento em nossa s vidas em que temos que escolher... um click temporal, que nos coloca diante de uma escolha. Seria a escolha do caminho para o nosso futuro? Não sei. Confesso que nunca entendi muito bem, e, talvez por isso, em diversos momentos, me senti um pouco alienada desse mundo. Afinal, a escolha é diária! Escolhemos a cada instante... desde o que comer, o que beber, até em que crer ou o que fazer ou a que se dedicar...

Mas não deixava de me questionar se eu já havia ou não passado por tal situação...  pensava em minha vida, meus planos, sonhos... e não conseguia identificá-la. Hoje talvez possa estar diante dessa situação... não sei... na verdade, acho que somos colocados diariamente diante deste click temporal, mas muitas vezes, cegos, surdos e mudos, ou simplesmente indiferentes, não damos a devida importância, ou não queremos dar. Estamos cercados de “influências” que tendem a querer justamente nos afastar daquilo que somos e queremos realmente.

Ah... o Querer!!! Verbo que significa ter intenção ou vontade de; Consentir, permitir; Aspirar a; desejar, pretender; Precisar de; Ter afeto ou amizade a; Ter força de vontade. Em inglês, é meu verbo predileto “I Want to”...eu quero e desejo tantas coisas, fico muitas vezes perdidas em meus anseios, mas não os ignoro, pois são eles que me levam para a frente, para o novo nascer...

É chegado meu momento, minha hora, minha Nova Era. Quero desbravar a vida com a mesma intensidade que um bebê luta para nascer; sair da faixa de conforto em que me encontro, aprender a andar, a respirar por mim mesma. Sei que haverá momentos difíceis, assim como há agora. Sei que a distância daqueles que amo estará sempre presente, mas estarão sempre pertinho de mim, dentro do meu coração.

O desconhecido, o incerto, o novo traz um sentimento que não é comum. Acomodados com as certezas, nós nos tornamos pessoas prisioneiras de nós mesmas, privadas do real. Seguimos iludidas com medo de arriscar... eu compreendo e respeito, pois todos temos um momento, um tempo...

Para mim, esse nascimento é algo que desafia, que me encanta e me impulsiona. Viver sob um novo paradigma é extremamente excitante e provocador. Portanto me lanço, sem saber ao certo aonde vou chegar, mas seguindo, levando sempre meu sorriso e muito amor, tendo a esperança como companheira e acreditando na transformação.

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Fonte: http.www.mochileirotv.com201107materia-sobre-mochileiros-

Abrindo mão de uma carreira que para muitos possa ser considerada como sólida, estável e segura, vou na contramão da grande maioria. Quero me dedicar ao trabalho voluntário, à doação, à entrega. Desejo voltar minhas ações para o social e comunitário, ajudar quem precisa, contribuindo para um mundo mais justo e mais solidário. Quero saborear o saber, alimentar meu corpo e alma. Afinal, o saber deriva da palavra sabor e é com este saber sabor que pretendo me alimentar. Aprender, conhecer, experimentar, vivenciar novas técnicas que possibilitem benefícios àqueles menos favorecidos.

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Polícia investiga desaparecimento de cacique Tembé no Pará.

Polícia investiga desaparecimento de cacique Tembé no Pará. 04/02/2012

Doze índias da etnia Tembé ocuparam a sede da Fundação Nacional do Índio (Funai) nesta segunda-feira (3), em Belém. Elas chegaram ao local por volta das 8h da manhã, armadas com flechas, e mantiveram cerca de 30 funcionários reféns durante todo o dia. A situação só foi controlada no final da tarde.

O protesto aconteceu por conta do desaparecimento do cacique Valdeci Tembé, que teria sumido no último sábado (01) após conflitos com madeireiros, em Paragominas, no nordeste do estado.

“Enquanto não resolver a situação dele e enquanto a gente não tiver uma notícia positiva que ele apareceu, daqui ninguém vai sair”, disse Joelma Tembé.

O cacique, que é chefe do centro de trabalho indigenista do município, acompanhava uma operação do Ibama de combate à retirada ilegal de madeira na Terra Indígena Alto Rio Guamá, no nordeste do Pará.

“Esse conflito é reflexo da falta de ação do estado, da falta de presença do Estado, seja do Ibama, seja da Polícia Federal, seja da própria Funai. O que estamos vendo é a falta do Estado coibindo a retirada ilegal de madeira, a falta do Estado fazendo a repressão necessária em função do que está acontecendo”, disse Juscelino Bessa, coordenador técnico da Funai.

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Em setembo, por causa da retirada ilegal de madeira na região, os índios chegaram a queimar tratores de madeireiros. Na época, o cacique Valdeci Tembé já mostrava preocupação com o problema.

“Ao longo dos anos a gente vem denunciando a invasão da Terra Indígena Alto Rio Guamá e ninguém toma providência. O poder público fica ausente dessa situação. O clima é tenso entre ambas as partes, os índios e os invasores, podendo acontecer um conflito armado”, disse o cacique em entrevista à TV Liberal, em 28 de setembro deste ano.

Parentes do cacique não se conformam com o desaparecimento do líder indígena. “Eu estou preocupada porque ele é uma liderança que nós apoiamos muito”, disse Irenilde Tembé, irmã do cacique.

Na tarde desta segunda-feira (03), o Governo do Estado disponibilizou um avião para realizar buscas na região do desaparecimento. Um coordenador técnico da Funai acompanha o trabalho que está sendo feito pela Polícia Federal.

“Inicialmente será feito um sobrevoo. Nós temos uma área delimitada, que já foi plotada, marcada previamente onde possa ser encontrada essa pessoa. Esse vai ser o trabalho inicial. Havendo necessidade, haverá o desembarque, alguma diligência, ou até mesmo o deslocamento de outras equipes para lá”, disse Adenilson Maia, delegado da Polícia Federal. (Fonte: G1)

PALAVRA DO PRESIDENTE

O cacique Valdeci, já foi encontrado, caminhou 10 km na mata fechada, sua localização não está sendo divulgada para que sua vida seja preservada.

Até quando o governo será passivo, até quando veremos votarem leis sem ações efetivas.

Parece piada o que assistimos em toda a Amazônia Legal, e o governo cantar a vitória com a baixa do índice de desmatamento.

Lamentável.

O que precisamos e de ações efetivas sem show’s pirotécnicos como foi o projeto Arco de Fogo, que deixou cidades na miséria, com aumento da violência e prostituição inclusive a infantil, pois nessas regiões não respeitam uma criança pela idade, mas sim pelos quilos que pesam, acima de 30 quilos já está pronta para o abate como se propaga por essa região. Será que os engravatados não têm sensibilidade e responsabilidade de fato, por que de direito sabemos que são.

Será Sra. Presidente que todos nós sabemos e os governos não sabem? Será que essa praga vai virar moda em nosso país.

O INPE – (http://www.inpe.br/)e o Imazon (http://www.imazon.org.br) são instituições serias e fazem monitoramento em tempo real  (relatórios a cada 4 dias) e a poucos metros do solo. Por que não temos ação também em tempo real?

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Paulo Celso VILLAS-BÔAS

Presidente da Expedição VILLAS-BÔAS e

Fundação VILLAS-BÔAS

COMO USAR SEM DESTRUIR - Bioarquitetura -

COMO USAR SEM DESTRUIR - Bioarquitetura

ALAN_FREDERICO_MORTEAN

por Alan Frederico Mortean

Bioarquitetura pode ser traduzida, ao pé da letra, como arquitetura viva, arquitetura com vida. Arquitetura viva... um termo bastante profundo, não? Mas bioarquitetura representa ainda mais que isso. Tentarei mostrar isso nas próximas linhas.

Historicamente, os mais diversos povos e civilizações espalhados pelo mundo fizeram suas habitações usando materiais locais, como terra e madeiras, respeitando o meio ambiente, suas culturas e tradições. Isso começou a mudar há aproximadamente 150 anos, quando nossa civilização começou a caminhar em direção a uma arquitetura “global”, com o uso cada vez mais massificado do cimento. Esta arquitetura atual, que não está preocupada com saberes tradicionais, nem em seguir padrões construtivos milenares ou usar materiais locais, padroniza tudo, construindo quase da mesma forma uma habitação na Mata Atlântica ou na Caatinga, na praia ou na montanha, em zonas úmidas ou secas, no calor ou no frio (colocando ou tirando o ar condicionado/piscina/vaporizador de ar/aquecedor/centrífuga/etc., de acordo com o clima).

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Figura 1: trabalho coletivo para construir um portal utilizando a técnica chamada de hiperadobe, no Tibá.

Essa padronização nós não vemos somente na arquitetura, pois ela faz parte da globalização econômica, do mercado de consumo, do american way of life, um método de vida totalmente afastado de nossas origens, onde temos nossas percepções de fluxos naturais totalmente distorcidas. Hoje, quem sabe construir a própria casa? Quem sabe plantar a própria comida? De onde você está agora, você sabe dizer onde o sol nasce e onde ele se põe? De onde vem o leite, a laranja, a banana, o ovo, a carne que você consome? Não se sinta mal se não souber alguma resposta, isso mostra como estamos afastados da realidade, da origem das coisas. Há quem diga que SOMOS (ou seja, eu me incluo nisso) os “Homo sapiens sapiens”, eu prefiro escrever “Homo pseudo sapiens”.

Vendo esse estado de coisas, Johan Van Lengen, arquiteto holandês radicado no Brasil, cunhou o termo “bioarquitetura”, que nada mais é do que o resgate das técnicas arquitetônicas tradicionais para a nossa realidade. Na bioarquitetura não se rejeita o cimento, pelo contrário, se reconhece sua eficiência e praticidade, mas também não se coloca esse material num pedestal como única solução possível para a construção, o que está bem longe de ser verdade, até porque a construção com terra, por exemplo, já foi testada e aprovada há milênios, enquanto o cimento tem 120 anos. No Irã foram descobertas cidades feitas de terra com 4 mil anos, enquanto no Rio de Janeiro, o MAM está com alguns problemas estruturais porque cupins resolveram alimentar-se do cimento de suas paredes. Sim, é isso mesmo, os cupins estão comendo o cimento nesse local. Os impactos da produção e transporte desse material (simplificadamente uma mistura de gesso, argila e calcário) são muito grandes, pois requer rochas específicas, grandes áreas de mineração, alta quantidade de energia (queima em dois períodos de 12 horas cada) e é lançado um grande volume de gases à atmosfera. Por isso, é sensato que o utilizemos com parcimônia.

Observemos a generosidade da natureza: o material de construção mais abundante do planeta Terra é a terra. Uma das maneiras de se construir com terra é fazendo adobes, que são blocos de terra parecidos com tijolos, mas há muitas outras, como pau-a-pique, cobe, solocimento (terra misturada com um pouco de cimento), hiperadobe; o termo adobe vem do Egito antigo e significa “pé, mão, pão” nos hieróglifos; ele é totalmente natural: sua composição básica é terra e água, mas pode-se adicionar areia, esterco de animais herbívoros ou palha, dependendo da qualidade desejada e finalidade dos adobes.

Segundo Peter Van Lengen, o adobe possui muitas vantagens, pois é uma barreira contra radiação (por isso celulares não funcionam bem dentro de casas de terra), é um material que respira, regulando a umidade e a temperatura, livrando-nos de problemas com mofo e aposentando o ar condicionado, um aparelho moderno criado para solucionar problemas que nós mesmos criamos com construções mal projetadas, com materiais errados, e dentro de ilhas de calor que são as cidades.

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Figura 2: tijolos de adobe produzidos no Tibá

Algumas curiosidades sobre os adobes: o bloco de adobe é reciclável: só deixá-lo na água que volta a virar terra; a massa usada para unir os adobes é a mesma usada para prepará-los; na construção com adobes não são necessários pilares, geralmente a altura de cada bloco de adobe é de 10% da altura total da parede.

Nosso mundo é finito, não possui recursos naturais para sustentar a vida de todos os seres humanos do planeta se todos seguirmos o modo de vida do american way of life baseados no consumo e na competição entre os indivíduos. Segundo o Relatório Planeta Vivo 2012 da ONG WWF (World Wildlife Found), estamos consumindo a cada ano, 50% mais recursos naturais do planeta do que ele é capaz de repor. Imaginemos se continuarmos assim até 2050, quando seremos cerca de 9 bilhões de habitantes no planeta, segundo a Organização das Nações Unidas.

Estamos no final da era industrial, um período de transição, que foi precedido pelas eras romana, medieval e renascentista. A nova era que se iniciará será pautada na cooperação entre as espécies quando viveremos em maior harmonia com o meio, entendendo as leis naturais, vivendo com simplicidade e exercendo o amor. Há várias iniciativas e idéias que irão formar esse novo mundo, e aqui coloco algumas que acredito que estarão entre elas (ou que serão precursoras de novas idéias): bioarquitetura, agroecologia, agroflorestas, agricultura orgânica, permacultura, vegetarianismo ou ovolactovegetarianismo, economia solidária, ecovilas, ecossaneamento, e, claro, o que nunca sai de moda: artes, música, filosofia/religião (uma filosofia libertadora através da qual entenderemos que tudo o que acontece em nossas vidas é fruto de uma cadeia de acontecimentos lógicos e que nada ocorre por acaso).

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Figura 3: galera construindo um filtro biológico para tratar a água gerada na cozinha através do uso de plantas de pântanos

“A revolução não é mais pegar em armas, mas construir nossa própria casa, plantar nossa própria comida, deixar de comprar de multinacionais, quebrar o sistema econômico” – Peter Van Lengen.

Fontes:

TIBÁ – Tecnologia Intuitiva e Bioarquitetura – www.tibarose.com.br

Van Lengen, Johan. Manual do Arquiteto Descalço

WWF – Relatório Planeta Vivo 2012

 

“O NASCER DA VIDA”

“O NASCER DA VIDA”

Era uma vez um lugar muito grande, muito grande mesmo, um lugar chamado universo... Ele era bem escuro, bem escuro mesmo... Até que surgiu o Sol e tudo aquilo iluminou.

Porém, ainda faltava algo... Um “tchã”, algo que ocupasse aquele espação, tão vazio. Foi ai que nasceram as Estrelas. Oh!... Quantas estrelas, tão brilhantes, grandes e poderosas... Ah!... Nasceu também a Lua, também gigante e bela.

Todos começaram a ocupar esse “espação”, mas ainda sentiam falta de algo. A falta de um propósito, um dia a dia, algo que os juntasse e os completasse. Então, surgiram os planetas... Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno, Plutão e a Terra. Ah!... A Terra. Quer saber? O planeta mais bonito, o mais lindo de todos. E sabe por quê? Porque ele veio com uma coisa especial, muito especial mesmo... Uma coisa chamada vida.

No começo, ninguém sabia o que era, até que a Terra resolveu mostrar o que significava a Vida... Então começou a construir em si mesma, coisas que demonstrassem o significado de vida. Foi meio difícil para ela definir esse conceito, mais ela teve uma ideia aqui, cá entre nós, foi muito inteligente.

Ela resolveu criar uma cadeia, onde tudo que ela criasse tivesse uma ligação, com ela e com as outras criações. Então, ela começou a sua jornada. Primeiro criou o ar, combustível para as criações. Depois criou a terra, onde colocou os vegetais: As árvores, as flores, as ervas medicinais, os alimentos, enfim, tudo vegetal.

Depois ela criou os minerais: o ferro, as pedras, a água que tratava tudo... Foi pensando, pensando e criou os animais: as aves, para cuidarem do céu; os mamíferos; os repteis; os anfíbios; os insetos, e enfim, milhões e milhões de animais, um macho e uma fêmea para cada espécie.

Porém, a Terra sentia que faltava algo para resumir e definir vida. Algo que pudesse pensar, e fazer decisões igual a ela. Então, ela criou os humanos: inteligentes, fortes, bonitos, saudáveis, para que eles pudessem, além de fazer parte da cadeia e de viver ali, cuidar daquilo que ela havia criado. Depois dos humanos ela criou os climas, para aquecer, esfriar, transformar e renovar, foi ai que surgiu o inverno, o outono, verão, a primavera...

Infelizmente, conforme o tempo foi passando, o humano começou a agir errado e a destruir o que a Terra havia criado, e está fazendo isso até hoje. A Terra está muito triste com o que estamos fazendo. Ela não quer ver, nós, criações dela, destruindo ela mesma e nós mesmos.

Pois, destruindo a natureza estamos nos destruindo.

Devemos começar já a mudar essa historia, precisamos começar agora a cuidar, ao invés de destruir; fazer viver, ao invés de matar; ao invés de chorar, fazer sorrir... Você não quer que a Terra se arrependa de nos ter inventado. Quer? Pense nisso!

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Texto: Gabrielle Brandão (15a)