UMA BELA OBRA EM MATEMÁTICA E ENGENHARIA

SEMANA DA MATÉMATICA

Dia 09 de Setembro = às 14;00hs Auditório do Setorial Básico da UFPA

 O Professor estará ministrando palestra em Matemática e Pairé-Cametaense

UMA BELA OBRA EM MATEMÁTICA E ENGENHARIA

Sem a pesquisa não vamos a lugar algum.
Sem o conhecimento não somos ninguém, apenas mais um

Este rico trabalho do professor João Batista do Nascimento – professor de matemática e grande amante da arte indígena nos traz um riquíssimo trabalho de uma obra de cestaria em engenharia e matemática.
Obra para ser analisada ontem, hoje e amanha onde o conhecimento é milenar passando de ancestrais aos dias atuais.

Paulo VILLAS-BÔAS
Presidente da Fundação VILLAS-BÔAS

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UMA BELA OBRA EM MATEMÁTICA E ENGENHARIA

Profo. João Batista do Nacimento

Autor: NASCIMENTO, J. B
UFPA/ICEN/Matemática
http://lattes.cnpq.br/5423496151598527
www.jornalbeiradorio.ufpa.br/novo/index.php/2011/124-edicao-93--abril/1189-novo-olhar-sobre-a-matematica
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PAIRÉ CAMETAENSE

Embora de design esplendido e haver facilidade em fazê-lo com cerâmica, plástico, vidro, porcelana e similares, é de extrema raridade encontrá-lo por não satisfazer certos critérios utilitaristas de viés econômico que imprimem tendência de se desprezar, mesmo que se perca em beleza estética e identidade cultural. Por outro lado, confeccioná-lo em fibra natural exige que essa seja de um tipo extremamente rara, habilidade apurada e técnica de alto nível.

É preciso lembrar que indígena ao se deslocar prescinde, por questão de sobrevivência, andar com mãos ocupadas apenas por instrumentos de defesa e ataque, porquanto, seus utensílios em cestaria devem privilegiar carregar com alça no ombro ou essa presa na testa, apoiando-se o peso nas costas, cuja exigência fundamental é haver simetria na distribuição de conteúdo. Do ponto de vista puramente matemático, cilindro maleável com alça ligando suas bocas, cuja aparência dizemos ser topologicamente toroidal, ¨rosquinha¨, satisfaz este requisito. Por outro lado, Cametá-Pa tem uma particularidade:

¨situa-se à margem esquerda do Rio Tocantins, num território habitado antigamente pelos índios caamutás e outras tribos tupinambás. A denominação "Cametá", de origem tupi, relaciona-se ao fato de os índios camutás construírem, nos troncos das árvores, casas para espera de caça conhecidas como ka'amytá, que, em língua tupi, significa "armação elevada em copa de árvore" (através da junção de ka'a, mata e mytá, plataforma).¨
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Camet%C3%A1, acesso jun\14

Como tais armações eram de fibras naturais, mostra-se ser esses ancestrais exímios nessa arte, logo, compõe herança cultural. E nessa cidade, começo dos anos 90, quando o autor chegava de barco, de relance apenas, teve atenção voltada para ribeirinho que retirava da canoa cestas de fibras naturais no formado toroidal, cheias de camarões, que assentava em degrau do trapiche. A sua estabilidade de sustentação, primor em termos básicos de engenharia, acrescido do design refinado, foram marcantes.
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Esses foram os únicos então avistados, havendo versão deste até na cidade, encontrável comercialmente na internet, mas sem alça e com bico no fundo (foto abaixo), portanto, não servindo como utensílio doméstico, sendo adorno que se prega em parede para colocar flores e outros objetos. E as notícias que disponho desse como utensílio, que ora o denomino de Pairé-Cametaense, é haver raramente em comunidades das mais isoladas, portanto, trata-se de herança cultural já esquecida na parte urbana.
Podemos apontar como fatores desse processo de extinção do Pairé-Cametaense: facilidades dos meios de transportes; sua menor capacidade de conteúdo ante outros das mesmas dimensões e formato diferente; além das necessidades técnicas na sua confecção, tanto em termos de matéria prima como em habilidades manuais, o que exige mais trabalho, portanto, mais custoso. Além disto, impõe pesquisas na recuperação de princípios e técnicas do seu estrutural original em termos de engenharia e arquitetura.

CESTARIA 3

Fonte:http://img.elo7.com.br/product/244x194/352BAF/vaso-adorno-de-parede.jpg, acesso ag\14

Ao contrário do que se poderia imaginar, tais negativas justificam ações do educacional no seu entorno. Esses são viés que, ao mesmo tempo em que exigem educação de qualidade para que os abordem devidamente, valoriza essa como vetor de inserção social e (re)construtora de bens culturais. Sendo outro detalhe haver uma visão cosmológica desse pairé, pois possíveis correlações de saberes com elementos cósmicos são interessantes por abrirem possibilidade de harmonização de ação humana com parte do Cosmo. Assim, a terra girando em torno do sol forma um toro elíptico no qual fica contido esse, em termos de Teoria de Conjunto e Topologia, logo serve como exemplo para ser discutido na escola um pouco em cosmologia e ser pesquisado isto de povos indígenas.

Porquanto, concluindo, não apenas para Cametá-Pa, esse Pairé-Cametaense potencializa uma inserção valiosa da cultura indígena amazônida em termos tecnológicos e outras concepções, faltando apenas buscarmos métodos e parâmetros para trazê-lo para salas de aulas.

 

 

AGRADECIMENTOS:

LILIAN MADIAN BAIÃO LEÃO, MAT. 201208140108/FÍSICA/UFPA,
BENEDITO CARVALHO DOS SANTOS, MAT/UFPA/CAMETÁ,
ADILSON FARIAS, ICA/UFPA

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REFERÊNCIAS
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www.sbpcnet.org.br/livro/61ra/conferencias/CO_GermanoAfonso.pdf, nov/13

BARROS, O. S., Etnoastronomia Tembé-Tenetehara como matriz de abordagem (Etno)Matemática no Ensino Fundamental,
www.repositorio.ufpa.br/jspui/handle/2011/1762, acesso nov/13

BENCINI, R., Professor mostra como a Geometria está presente na cultura indígena,
http://revistaescola.abril.com.br/matematica/pratica-pedagogica/geometria-pele-427471.shtml, acesso ag\14

BERNARDI, L. S. e CALDEIRA, A. D., Educação matemática na escola indígena sob uma abordagem crítica. Bolema, 2012, vol.26, n.42b, pp. 409-432, www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-636X2012000200002&script=sci_arttext#back, acesso ag\14

BLOG MUSEU DO ÍNDIO / MINDIOESCOL
http://mindioescola.blogspot.com.br/2012/05/objetos-marcas-e-grafismos-colheres-de.html, acesso ag\14

BLOG DO PROF° ALEX PANTOJA, CAMETÁ/PA,
http://blogdoalexandrepantoja.blogspot.com.br/2010_12_17_archive.html, acesso ag\14

BRANCO, E. S., Matemática na arte indígena II, Portal do Professor, MEC, http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=26715, acesso ag\14

DA SILVA, M. I., DA COSTA, L. F. M., MELO, E.A.P., Antropologia: Elo Entre Etnomatemática e a TAD, VII Coloquio Internacional Enseñanza de las Matemáticas 11,12 y 13 de febrero de 2014, pág. 169 -176
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DECLARAÇÃO UNIVERSAL SOBRE A DIVERSIDADE CULTURAL E PLANO DE AÇÃO, www.nepp-dh.ufrj.br/naoces_unidas_6.html, acesso ag\14

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Lima, J., Professor Indígena Desenvolve Pesquisa Sobre Cestaria, 9\07\2013, www.juruaonline.com.br/cidades/professor-indigena-desenvolve-pesquisa-sobre-cestaria/#print, acesso ag\14

MARIUZZO, P., O CÉU COMO GUIA DE CONHECIMENTOS E RITUAIS INDÍGENAS, Cienc. Cult. vol.64 no.4 São Paulo Oct./Dec. 2012
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MELCHIOR, M. N., Análise das políticas públicas para implantação dos Centros de Preservação e Difusão do Patrimônio Cultural Indígena, www.univar.edu.br/revista/downloads/analise.pdf, acesso ag\14

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---------------------, Algumas Mulheres da História da Matemática e Questão de Gênero em C & T. (Versão maio\13), http://sitiodascorujas.blogspot.com.br/2013/06/mulheres-na-matematica.html, acesso ag\14
-------------------, Constantino Menezes de Barros I (os demais, 2-5, é só pedir pelo e-mail), Blog Chupa Osso, 05 Maio 2013, www.chupaosso.com.br/index.php/obidos/educacao/2149-vida-e-obra-de-constantino-menezes-de-barros, acesso ag\14
-------------------, Professora Santana: Candidata a Melhor Docente do Ensino Básico Paraense, Blog Chupa Osso, 23 Junho 2013, www.chupaosso.com.br/index.php/obidos/educacao/2453-proessora-santana-candidata-a-melhor-docente-do-ensino-basico-paraense, acesso ag\14
-----------------, Golpe de 64 & Universidade Pública & Matemática, versão març\14, Blog Livr'Andante, http://livrandante.blogspot.com.br/2014/04/joao-batista-do-nascimento-educacao.html, ago\14
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PORTAL G1, Geometria é Intuitiva para Todos os Seres Humanos, revela estudo francês, São Paulo, 24/05/2011
http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2011/05/geometria-e-intuitiva-para-todos-os-seres-humanos-revela-estudo-frances.html

ROMÃO, F., Matemática Védica no Ensino das Quatro Operações, VII Coloquio Internacional Enseñanza de las Matemáticas 11,12 y 13 de febrero de 2014, pág. 733 -749,
http://irem.pucp.edu.pe/wp-content/uploads/2014/07/Libro_de_actas_2014-version_final-1.pdf, acesso ag\14

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SALUM, M.H.L. Por que são de madeira essas mulheres d'água? Reli. do Museu de Arqueologia e Etnologia, S. Paulo, 9: 163-193, 1999.

SILVEIRA, J.F. Porto, Etnomatemática: Uma Crítica
www.mat.ufrgs.br/~portosil/polemi27.html, acesso ag\14

LIBERTEM OS ASSURINI's!

LIBERTEM OS ASSURINI's!
 
MARIA VILLAS BOAS ÍNDIA
Autora: Maria Villas Bôas -
Coordenadora da Fundação VILLAS-BÔAS. -Natural: Ibirarema/SP.
Data: 26/07/2015.

Em 1º. De julho de 2015
foram presos dois parentes Assurinis,
ambos da reserva de Trocará,
Município de Tucuruí no Sudeste do Pará,

Cacique Purake e seu filho Oliveira
foram antes dessa injustiça, apenas depor,
Não estavam procurando brigas, guerras, muito menos inimizades,
Apenas defender a floresta, contrários ao desmatamento e contar a verdade.

Porém, não sendo compreendidos
de lá saíram algemados por mera denúncia anônima,
Sem concreta explicação,
ambos foram levados ao Presídio de Ananindeua para o fundo da prisão,

Depois transferidos para a Penitenciária de Marituba
e continuam sem liberdade,
Ambos choram, não comem por serem inocentes
e estarem injustamente numa cela de maldade.

Mas e os verdadeiros devastadores?
Esses estão livres e sem nenhuma piedade...
No código Penal e na Constituição,
prisão sem provas é pura ilegalidade,

Então Senhores da lei,
façam valer essa verdade,
Cumpra na íntegra o que ‘reza’ a Lei
e coloquem nossos parentes em liberdade!

A Procuradora Geral da FUNAI entrou com habeas corpus,
mas foi negada essa possibilidade.
Então Drª. Larissa Suassuna pediu a reconsideração desse caso,
ou seja, dessa liberdade.

Nós cidadãos brasileiros estamos
Aguardamos uma solução positiva com ansiedade.
Essa situação tem que ser revista
e os verdadeiros culpados julgados e punidos então.

Cacique Purake e seu filho Oliveira,
soltos e em segurança sem sofrer represálias e retaliação,
Enfim a meu ver,
deveriam ser aclamados pelo país com pedidos de perdão!!!

Assurinis, por que não são libertos com base no Juízo de Ponderação?

Assurinis, por que não são libertos com base no Juízo de Ponderação?

 

4 MARIA VILLAS BÔAS ASSURINIS

Texto: Maria VILLAS-BÔAS – Coordenadora da Fundação VILLAS-BÔAS.

Natural de: Ibirarema/SP.

Formação: Letras, Administração Escolar, Supervisão e Pós-graduada em Educação.

Data: 30/07/2015.


Com base no princípio da presunção da inocência ou da não culpabilidade previsto no artigo 5º., inciso LVII, da Constituição Federal no que tange o Código Penal, incumbe a parte acusadora o dever de comprovar a culpabilidade dos acusados, não deixando ensejar nenhuma dúvida quanto a ela.

           
Não havendo certeza, mas dúvidas sobre o fato em juízo, inegavelmente é preferível a absolvição dos acusados à condenação de inocentes, porque em Juízo de Ponderação, o primeiro erro acaba sendo menos grave que o segundo, ou seja, o Cacique Purakê e seu filho Oliveira estão detidos por mera denúncia anônima, onde até agora não existem provas concretas, que ambos estavam favorecendo a retirada de madeiras ou o desmatamento da floresta, portanto é preferível a liberdade deles!


            Embora a presunção da inocência não impeça a prisão de acusados antes do trânsito em julgado (sentença condenatória), porém existe uma permissão na Constituição Federal no artigo 5º, LXI onde diz que: “Ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente”.


            Vale ressaltar, que eles não foram pegos em flagrante, não tem antecedentes criminais, tem residência fixa, são trabalhadores dignos e provedores do sustento e da proteção de suas famílias, que no momento estão desoladas e sofrendo com uma situação triste e degradante.


            Com base no artigo 312 do Código do Processo Penal, pergunto: Por que então não é interposta a liberdade ao Cacique e seu filho? Quais perigos esses cidadãos oferecem a sociedade, para continuarem encarcerados dessa forma?

 

            Os artigos 231 e 232da Constituição Federal, deixam bem claros o respeito à alteridade aos índios, ou seja, se um índio é tido como réu há a necessidade de se estabelecer averiguações adequadas para aferição sobre o cometido ilícito, a fim de permitir o julgador compreender por quais motivos os indígenas se pautaram ao internalizarem o valor do bem tutelado pelo direito penal por eles violado. Quais violações os Assurini’s cometeram? Onde estão as provas concretas do(s) acusador (res), para caluniá-los a ponto de estarem presos feitos pássaros na gaiola?

 

            É importante que seja feita uma análise concreta do caso e não uma presunção geral pautada numa denúncia anônima, porque se for com base na presunção geral o Direito Penal fica privado de ser instrumento de justiça e só irá reafirmar sua opressão aos menos favorecidos, ou seja, o artigo 231 da Constituição Federal está sendo violado, ‘ferimento mortal’ dos direitos fundamentais dos índios e do próprio Estado Democrático de Direito. Portanto, toda e qualquer investigação oficial instaurada a partir de denúncia anônima, que não tenha sido previamente muito bem averiguada através de outros tipos de provas, deve ser anulada por ser ilegal e isso pode ser feita através de habeas corpus.

 

            Enfim o parágrafo único do artigo 56 do Estatuto do Índio determina que “as penas de reclusão e detenção serão cumpridas, se possível, em regime especial de semiliberdade, no local de funcionamento de órgão federal de assistência aos índios, visando evitar a perda da identidade étnica e cultural”, porém Cacique Purakê e seu filho Oliveira não foram condenados e não tem razão de serem, então por que ambos continuam presos?Portanto a Fundação VILLAS-BÔAS e nós cidadãos brasileiros conscientes dos nossos deveres, mas também dos nossos direitos, clamamos numa só voz: Libertem nossos irmãos Assurini’s!

           

Referências

Barreto, Helder Girão.-Direitos Indígenas-1ª. Ed. Curitiba, 2011.

Paschoal, Janaina Conceição. - O índio, a Inimputabilidade e o Preconceito-1ª. Ed. Curitiba, 2010.

Jesus, Damásio Evangelista. - Código de Processo Penal.

Moraes, Alexandre de. - Direito Constitucional e Direitos Humanos Fundamentais.

Cunha Júnior, DirleydoNovelino. - Constituição Federal.

A Agonia do Cerrado

A Agonia do Cerrado

    Vivemos tempos de intolerância com instituições, governos, religiões, indivíduos e suas escolhas. Sem dúvida tempos difíceis! Concerne a nós da Fundação Villas-Bôas como instituição defensora de todas as populações de fauna e flora, humanas e não humanas,indígenas e não-indígenas, tradicionais e não tradicionais que não tem voz ativa nos meios de comunicação, que não tem espaço nas mídias sociais, que não tem acesso sequer a elas e mesmo que tivessem não saberiam como expressar sua indignação com a intolerância e a verdadeira marcha de destruição que se lança a toda a força sobre seus habitats, suas vidas, suas moradias, suas aldeias, suas histórias e sua existência e franca erradicação.
    
Por hora gostaríamos de abordar o bioma que teve sua extinção decretada este ano pela ciência brasileira, especificamente pela PUC (Pontífice Universidade Católica) do estado de Goiás, via o professor doutor Altair Sales Barbosa, Antropólogo, Arqueólogo e professor da respectiva universidade que já está organizando o Memorial do Cerrado.

CERRADO BRASILEIRO


    Infelizmente não há argumentos suficientes para discordar do professor, mesmo com o coração apertado pela agonia desta verdade e a mente lutando, mapeando, pressionando a cabeça “mas o cerrado é tão grande!”. Mentalmente procuramos mapas do cerrado brasileiro, vamos ao atlas, vamos aos buscadores de imagens da internet e ele está lá! Entre a chapada dos Parecis em Rondônia até o reverso das escarpas de colúvio da chapada Diamantina; das vertentes das serras das Araras, Roncador, Dourada e da Mesa até o monumental Espigão Mestre até as últimas escarpas do sul da serra do Maracaju, pela Depressão Periférica Paulista até proximidades do reverso das escarpas da serra da Mantiqueira e do Espinhaço!  Um tapete verde amarelado no coração do Brasil. Mas trata-se apenas da área que foi – no passado - ocupada por esta paisagem rústica, bela e luxuriante! No passado antes dos Planos de Integração da Amazônia, do Polo Amazônia e do Polo Centro Oeste, antes da expansão da fronteira agrícola, antes do advento da calagem – verdadeiro “estupro químico” do solo para o plantio de milhares e milhares de hectares de soja cobrindo imensas áreasdos estados do centro oeste brasileiro.

SOJA NO CERRADO BRASILEIRO

    Hoje é possível correr pela rodovia Marechal Rondon – BR 364 - por dias de campos de soja nos estados do Mato Grosso do Sul e Mato Grosso até Rondônia e pela rodovia Transbrasiliana – BR 153 (mais conhecida como Belém Brasília), nos estados de Goiás e Tocantins. Silos prateados reluzem sobre um mar de campos verdes sob o calor fustigante do interior do território brasileiro. Lembro-me do ano 2000 quando passei por essas áreas a caminho de congressos comemorativos dos 500 anos de história do Brasil, no norte e ele ainda estava lá! O cerrado ainda estava lá! Por horas e horas de viagem! Estendido feito o tapete verde amarelado que era, salpicado de arbustivas e arbustivas arbóreas retorcidas com suas folhas grossas que disparavam óleo ao quebrá-las para coletas dos experimentos de viagem da faculdade, as cascas dos troncos e galhadas que estouravam um pó com odor forte, a figura magnífica retorcida daqueles indivíduos de fauna esparsos sobre o céu azul anil de um universo ainda intocado.

    A primeira vez que soube do “correntão” – método usual para o desmatamento do cerrado ainda vigente nos menos de 7% que restam, segundo o professor Altair, foi em conversa de viagem entre geógrafos, profissão da qual partilho as dores e alegrias de ter por escolha e paixão pelo meu país.

    Não consegui acreditar na crueldade do método. Tratores utilizam correntes de âncora de navios de grande calado - correntes de peso elevado e grande extensão, portanto – e seguem arrastando por centenas de hectares a vegetação indefesa.

    Imagens desse verdadeiro extermínio são, assim como mapas da área do cerrado no Brasil, fáceis de encontrar nos buscadores de imagens da internet “correntão” e “cerrado” são as palavras chave indicadas para encontrá-las e sangue frio para ampliá-las e analisá-las.

    Todos os seres vivos tem o direito de se defender quando atacados. Quando o ataque é massivo, sem defesa e sobre contingentes humanos é chamado genocídio.

    Qual a palavra para o uso da técnica do “correntão” no cerrado brasileiro.
    “ Limpar “, diz o empreiteiro responsável pelo preparo da área que será um futuro plantel de soja.

    Já ouvi este termo antes. Muito usado por sitiantes e chacareiros aqui do sul para retirada de mata atlântica que é substituída por roçados de mandioca e banana porque “o solo por aqui é muito ruim”!
    Ruim? Tão ruim que era coberto pela Mata Atlântica “o mato enjoado” e sua biodiversidade que até hoje nos seus menos de 5% de existência é considerada uma das maiores do planeta.

    Há um descompasso, portanto, e a olhos vistos! O que é riqueza? Faturar milhões com a venda de soja aos estadunidenses, japoneses e alguns países europeus ou a diversidade de fauna, flora e farmacologia de um bioma natural, também se encontramdefinidos os defensores de cada um dos lados.

    Temos, portanto, uma derrota monumental com a afirmação do professor Altair.

    Há muito a discutir sobre sua argumentação bastante edificada como estudioso da questão, afinal assim caminha a ciência e ainda bem, mas não há como refutar a ideia principal. O Brasil marcha sobre seu próprio território como uma lagarta de tanque de guerra, demolindo sua natureza em nome de valores econômicos e prerrogativas de exportação que ainda remetem ao velho modelo monocultor colonial de mais de 500 anos atrás.

    Sem dúvida uma reflexão profunda que concerne a nós da Fundação Villas-Bôas – como já foi citado no início deste texto – e concerne também a todos os brasileiros, pois esta paisagem não estava só! Além dos indivíduos e populações de flora, lá também estavam os magníficos indivíduos de fauna, as populações tradicionais e não tradicionais, os indígenas e não indígenas ícones de nossa cultura! O sertanejo das veredas de Guimarães Rosa e Rachel de Queiroz!  Para onde foram todos? O tamanduá bandeira, a onça pintada e o lobo guará agora pilotam as ceifadeiras/semeadeiras com ar condicionado que preparam os campos para o plantel? Os sertanejos e indígenas trabalham no ensacamento e silagem dos grãos? Alguém pensou em alguma forma de proteção, conservação, preservação ou inserção dessas populações? E as espécies e seu valioso conteúdo farmacológico? Alguém pensou? O professor Altair pensa quando fala da montagem de um memorial do cerrado.

    Então é este o triste e inegável fim?

    Não consigo expressar em palavras, a dor que sinto como brasileira, como geógrafa, como pesquisadora, como professora que luto todos os dias para continuar sendo e lutar para transmitir em salas de aula fechadas em prédios aqui na “urbes” cinzenta paulistana a agonia das paisagens naturais brasileiras.

    A agonia do cerrado em ser exterminado sem direito de defesa alguma!

    A agonia da qual partilhamos nós geógrafos, biólogos, ambientalistas e demais cientistas envolvidos com este triste processo e ter que estudá-lo com frieza científica devida para elaborar modelos, gráficos de dados e diagnósticos precisos necessários à constatação, como faz com maestria o professor Altair. O primeiro a ter coragem de afirmar: “O cerrado brasileiro está extinto!”.

    Dizem que o melhor caminho para a cura é um diagnóstico preciso.

    Infelizmente - neste caso – não.

 

ANGÉLICA PASTORE
Angélica Pastori de Araujo
Coordenadora Expedicionária da Fundação Villas-Bôas
Graduada em Geografia pela Universidade de São Paulo
Geógrafa e Pesquisadora das Fronteiras Amazônicas há 20 anos
Professora do CursinhoPré Vestibular Hexag em São Paulo

A ALEGRIA DE ZILDA SILVA VILLAS-BÔAS EM AJUDAR E ESTAR ENTRE OS POBRES!

A ALEGRIA DE ZILDA SILVA VILLAS-BÔAS EM AJUDAR E ESTAR ENTRE OS POBRES!

           Zilda Silva Villas-Bôas, ‘VILLAS’ com dois eles e ‘BÔAS’ separado, porque não gostava que escrevessem seu nome e sobrenome errado, inclusive, um homem da Prefeitura Municipal de São Caetano do Sul, quando ia perguntar escrever o nome dela e perguntava se colocava o Silva, ela logo respondia: “É claro, escreva meu nome corretamente e não se esqueça do Silva. Aí não pode”!

            Nasceu em 09/07/1920, na cidade de Bebedouro - SP, logo após a 1ª. Guerra Mundial. Filha do Sr. Joaquim Ferreira da Silva e da Srª. Rosa Pellegrino da Silva e neta  materna de italianos que vieram morar no Brasil. “Meu avô era daqueles italianos bem bravos”, contou Dona Zilda”.

           Zilda era de uma família grande como a maioria da família do começo do século XX. Tinha dez irmãos: Zélia, Pedro Benedito, Francisco Jorge, Terezinha de Jesus, Maria Anita, João Batista, Maria Clara, Maria Julia, Maria Zélia e Aparecido Carlos, todos nascidos em Bebedouro tendo  uma infância muito boa e feliz.

            Seu pai o Sr. Joaquim Ferreira da Silva, tinha uma selaria na cidade, onde fazia muitas coisas. Zilda mesmo sendo feliz e tendo uma infância e adolescência com muitos amigos (as), queria buscar mais e teve sempre o objetivo de ter um crescimento cultural maior, portanto, fez o Ginásio onde seu Diretor era o tio Pedrinho (Pedro Pelegrino), que era também professor de música e maestro. Depois do Ginásio fez o Magistério em Bebedouro.

    Casou-se aos dezenove anos de idade com o Sr. João Baptista Villas-Bôas, foi mãe de cinco filhos: Ruy, José Roberto, João Batista (sem p), Márcio Sérgio e Paulo Celso Villas-Bôas. Quatro deles nasceram em Bebedouro e  o Roberto  nasceu em Campinas.

           Seu esposo era tipógrafo, trabalhou na Matarazzo em Bebedouro em 1939, era também jogador de futebol pelo Internacional de Bebedouro e jogava por toda a região.

            João era jogador de futebol ( goleiro), nessa época atuava no Clube Ponte Preta e era conhecido pelo apelido de Zico. Atuou também no Palmeiras em São Paulo e foi reserva do conhecido Oberdan.

           Aos dezessete anos já conhecia a cidade de São Caetano do Sul, assim como naquela época era comum famílias mudarem para cidades maiores com o objetivo de arrumar emprego para os filhos que já estavam crescidos. O mais velho já tinha quase dezoito anos e queria ter uma melhoria de vida também. Na época o João era funcionário do Banco do Brasil e assim pediu transferência de Bebedouro para São Caetano do Sul.

    Bebedouro era um lugar muito bom para morar, mas seus filhos já estavam moços e precisavam aprender a trabalhar, para comprar suas coisas, enfim não queriam ficar mais nas custas do pai.

    “Ao mudar para São Caetano do Sul, fomos morar numa casa em frente ao Hospital Beneficência Portuguesa e logo reencontramos os amigos Ademar Olívea Xavier e sua esposa Nair Gonzáles Xavier. Falei para Ademar se a Nair poderia trabalhar comigo, afinal nós já nos conhecíamos, porque eram de Bebedouro, inclusive, o Sr. Ademar era colega de trabalho do u esposo no Banco do Brasil. O Sr. Ademar e sua esposa Nair, vieram uns meses antes para São Caetano”.
Zilda trabalhou na Escola de 1º. Grau Dom Benedito e também em Arthur Rudge Ramos. Lecionou por muito tempo e ao mesmo tempo trabalhava para entidades sociais, inclusive, seu filho mais velho falava: “Que ela não esperava os pobres virem a dela, ela é quem ia atrás deles”.

Zilda logo se aproximou dos clubes de serviços sociais para prestar socorro aos necessitados. Durante dez anos ela e o esposo foram patronos do Lions Club de São Caetano do Sul.      O esposo a acompanhava e dizia para ela que tomasse parte de tudo, mas que não colocasse ele no meio, afinal ele queria mais era acompanhá-la e dar-lhe apoio e se embrenhar no mato. Zilda também comentou durante a entrevista que sempre recordava da época  em Bebedouro, onde já freqüentava a sociedade quando ela saia no carnaval com seus irmãos......

Trabalha a mais de 40 anos como secretária da APAMI e do Roupeiro de Santa Rita (organização que arrecada roupas para os necessitados). Também faz parte da Rede Feminina de Combate ao Câncer há 30 anos. Na última quinta feira reunimos (professoras aposentadas). Escolhemos um local e fazemos uma filantropia (...) Este mês ainda não sei aonde irá se realizar.

Com isso o tempo foi passando e eles se acostumando mais em São Caetano. Na época os filhos já estavam todos ‘encaminhados’. O Roberto faculdade no IMES, Ruy montou um escritório em São Paulo e ficava sabendo de cada coisa!  “Ele sempre foi muito sapeca” (risos), eu ficava me perguntando: Com quem esse menino puxou? ”Esse sempre chegava com um sorriso no rosto. João Batista sem (p)... risos.....fez engenharia e construiu algumas obras na cidade”.

“Paulo Celso adora mato e índios como o pai e quer fazer uma expedição pelo Brasil, pretende trabalhar com pessoas carentes e ‘trabalhar’ a conscientização sobre a importância da natureza, coisas de Villas-Bôas. Atualmente, Paulo Celso tem uma fábrica de moveis em Belém do Pará”.

O Sr. João Baptista Villas-Bôas, depois que se aposentou ‘correu’ o país na região do Centro-Oeste e Norte (por conta própria) fazendo a identificação dos indígenas e não indígenas. Por isso que não acompanhava a Srª. Zilda em eventos sociais. Ele dizia que ela era mulher de hotel cinco estrelas e não sabia admirar a natureza Ele até a convidava, mas ela com tantos afazeres acabava não aceitando.

Com o tempo mudaram na  rua Prudente de Moraes. Ficou casada por cinqüenta e quatro anos e na época da entrevista ao jornal contou que fazia treze anos que seu esposo havia falecido e se desabafou dizendo, que a morte do seu esposo foi uma pena e uma grande perda para todos da família.

No final da entrevista ela falou que estava com oitenta e seis anos, mas continuava fazendo o que gostava. Srª. Zilda diz: “Ontem mesmo escrevi para o Jornal Agora, porque li uma reportagem de uma artista que tinha comprado 53 (cinquenta e três) pares de tênis, porque estava grávida e dizia não poder usar sapatos! Com tanta gente passando fome e ela menosprezando os outros”?  “Essa não foi a primeira vez que eu fiz isso, Se a coisa fica ruim, eu já tomo parte, só estou esperando sair no jornal”.

E termina sua entrevista dizendo: “A desigualdade é algo muito egoísta, não posso ver pessoas em dificuldades, tenho que ajudar! Repartir é fácil ajudar os pobres também”.

PAULO e MAMÃE ZILDA

Eu Paulo VILLAS-BÔAS e minha mãe Zilda Silva VILLAS BOAS


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