A RELAÇÃO DO HOMEM COM OS ANIMAIS

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A RELAÇÃO DO HOMEM COM OS ANIMAIS

MÁRCIA WAYNA KAMBEBA

Por: Márcia Wayna Kambeba - indígena da etnia Omágua/Kambeba,

geógrafa, mestra em Geografia  - poeta indígena / cantora / compositora / fotografa / palestrante de assuntos indígenas e ambiental

O homem como ser animal se diferencia dos demais animais por ser racional. Ser dotado de inteligência e sabedoria. Os povos indígenas por longos anos vêm fortalecendo sua relação com a natureza em todo seu aspecto. E a relação com os animais tem um sentido de sagrado.

 

Alguns animais são para os povos indígenas sagrados pelo que eles representam dentro da cosmologia de cada povo. Para o Kambeba; por exemplo, a preguiça é um animal que representa a sabedoria, portanto, não se pode comer a preguiça.

 

PREGUIÇA COM SUA CRIA

Preguiça com sua cria

 

O mesmo acontece com os animais que representam os clãs, dentre eles se destaca o Tucano com seu canto, a onça que chamamos de yawararetê. Na cultura indígena a onça representa a força, a agilidade em se movimentar na mata, a pintada por exemplo tem agilidade tanto na agua quanto na mata, e representa o povo Kambeba. A onça preta representa o povo Tikuna ambos do Amazonas.

 

TUCANO                 ONÇA PINTADA

                      Tucano                                                                                Onça pintada

 

Na dança e no ritual os animais que são seres sagrados e místicos são invocados, chamados e reverenciados em forma de sons e gestos que os povos indígenas fazem. A dança da garça é um exemplo, na cultura Kambeba. Outra forma de contato com os animais e sua importância está na confecção dos instrumentos musicais. O tambor por exemplo, feito com tronco de madeira que representa a vida da mata e sua força, e o coro de animal que vai revestir esse tambor de vida. Por isso o som do tambor bate igual ao pulsar do coração. Traz a força do animal que imolado deu vida e som a esse instrumento tornando-o sagrado.

 

TAMBORES INDÍGENAS

Tambores madeira e peles

 

Na saúde indígena alguns animais são utilizados na cura corporal e espiritual. Temos o veneno do sapo que em alguns rituais é bastante usado. Banha de cobra, osso de veado, a mutuca preta que cura verrugas, entre outros animais usados na cura indígena. Além dos animais que são invocados pelo pajé onde há uma metamorfose de homem em animal. Para alguns povos comer o cérebro de japiim cru faz com que a criança aprenda tudo mais rápido.

PASSÁRO JAPIIM

Japiim passáro

 

Na alimentação os indígenas não pegam mais do que precisam. Acreditam que os seres encantados da floresta e os espíritos que a protegem podem castiga-los severamente. Um desses seres é o Curupira que se ficar bravo pode fazer com que o indígena se perca na floresta, ou até o encantar.

O CURUPIRA

O curupira - pés voltados para trás

 

Mas, os povos indígenas sabem que só podem pegar o que vão consumir, em excesso tende a estragar e eles temem por suas futuras gerações. Gostam muito de porco do mato, macaco, aves, peixe, anta, entre outros animais.

As aves são de fundamental importância para os indígenas, umas servem como mensageiras, avisam se algo vai acontecer de bom ou ruim com seu canto. Suas penas servem para adornos, cocar e a forma de extrair essas penas obedecem a um cuidado especial. Alguns povos usam as fases da lua para coletar, outros juntam as penas, cortam às vezes sem sacrificar ou causar dor a essa ave. As penas dão um significado as identidades de cada povo mostram a importância que o indígena tem dentro de sua sociedade.

Com a invasão de suas terras por não indígenas a mata e os animais ficaram ameaçados.

 

desmatamento em terras indígenas

                                            Areas desmatadas e queimadas em terras indígenas

 

Então, os indígenas buscam cuidar de seu recuso porque sabem que dele depende sua subsistência e a vida de seus filhos e netos. O que se vê são pessoas caçando por puro prazer sem pensar no amanhã. Muitos ainda fazem contrabando de animais que estão em situação de extinção como no Amazonas temos o sagui de coleira. Nas aldeias os animais correm livres dentro e fora do território ou centro da aldeia, vem quando sentem fome e voltam para a mata. Alguns até chegam a dividir o leite materno das mães com as crianças numa relação de amor e reciprocidade. É a natureza cuidando de quem a cuida com amor. Nessa relação homem natureza os povos indígenas nos ajudam a compreender que somos parte desse universo natural, portanto somos responsáveis pela vida animal e vegetal. Mas, a cidade esquece-se de que também vive e respira, de que também tem vida e trata com desamor os que de irracionais são mais racionais que muitos humanos.

TEXTO: Márcia kambeba

 

 

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