... QUANDO NÃO “DÁ CERTO” ...

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... QUANDO NÃO “DÁ CERTO” ...

ANGÉLICA PASTORE

por: Angélica Pastori de Araujo

Historiadora, Geógrafa e Expedicionária da Fundação Villas-Bôas desde 2012

 

Há quase quatro anos atrás tive a honra de conhecer um Grão Mestre! Sim! Um Grão Mestre de uma ordem que criei para me ajudar a viver e conviver com as coisas frias e distantes deste mundo do século XXI e a qual me refiro como A Ordem Honrada da Cavalaria Medieval!

 

Estamos em tempos modernos, contemporâneos, multimidiáticos, virtuais globalizantes! Tudo e todos“são acessíveis” em fração de segundos e as pessoas ficam impacientes quando meros minutos de espera ao telefone, em uma conferencecallou em uma mera apresentação de slides de uma reunião ou aula ocorrem, o que deixa gente com nós do “Velho Código” calados e reflexivos a observar com um sorriso de Monalisa!

 

Assim vi meu querido Grão Mestre! Um homem experiente que viveu expressivas partes das várias faces históricas que nosso país já teve e que mesmo após tanto desencanto ainda vê o momento presente como ele realmente é: Um Presente!

 

Um chefe de pesquisa que valoriza tudo, nossa ansiedade, nossa vontade desenfreada, nosso deslumbramento muitas vezes exagerado. Um homem experiente na ciência aplicada, cuidadoso com as palavras na fala pública, na fala restrita e na palavra escrita e que com muita parcimônia nos leva a ver nossas falhas, ver que as tomadas de decisões que escolhemos podem nos levar a mais erros a despeito de nosso entusiasmo e de nossa boa intenção!

 

Rapidamente me tornei sua redatora, assessora de comunicação, assistente, divulgadora e o que mais poderia e saberia fazer! E considero-o Meu Chefe de Pesquisa, Meu Grão Mestre da Ordem Honrada da Cavalaria Medieval! Meu exemplo de Cavaleiro seguidor do “Velho Código”! Alguém que segue os ditames desse “Velho Código” há muito mais tempo que eu! Alguém que já planejou, combateu, perdeu e venceu muitas e muitas batalhas! Alguém que já pagou o alto preço por sua origem, nome e história pessoal e de família! Alguém que sabe das agruras e alegrias do ganho e da perda...

Sim! Temos que falar de perdas!

Sim!Temos que falar de fracassos!

Sim temos que encarar essas possibilidades!

 

Como seres humanos - temos que considerar sua grande porcentagem em nossos caminhos e decisões. Faz parte de ser um humano, um típico exemplar de homo sapiens sapiens; considerar que podemos falhar, viver essa falha, ser capaz de levantar após monumental queda e perda, olhar para trás e analisar os pedaços do que se quebrou e os rastros do que se perdeu como vestígios que nos darão a chave para o entendimento do porquê de nossos propósitos terem chegado a esse triste mas momentâneo fim!

 

Como cientistas, homens e mulheres que valorizam o conhecimento, temos que encarar a possibilidade da falha, do fracasso e da perda na forma de hipóteses, crises previstas e ter um plano de gestão para elas préescrito! Faz parte da maturidade considerá-los como bastante prováveis! Faz parte da maturidade da maturidade intelectual pensar em sua existência e considerar sua força em nossos cálculos de prejuízos prováveis e é da Ciência o ritmo de elaborar teorias, coletar dados, gerar modelos, testá-los, verificar que não funcionam, investigar o porquê do não funcionamento, desmontar todas as estruturas empregadas, descobrir onde ocorreram as falhas, se humanas, técnicas ou ambas e recomeçar!

 

Nos dois casos trata-se de uma empreitada e tanto! Muita gente – e sem sombra de dúvida eu estou inclusa – precisa de ajuda profissional qualificada para suportar a lida com as perdas, fracassos e derrota, que – como diz Trotsky – tomam mais tempo da nossa vida do que gostaríamos ou sequer imaginaríamos...

ANGÉLICA PASTORI 2012 2016

Tínhamos um sonho na Fundação Villas-Bôas em 2012! E lutamos muito nesse ano e em 2013 com novos guerreiros e guerreiras que vieram – eu nessa leva – com muitas propostas interessantes de divulgação! Viajamos, divulgamos por universidades importantes do estado de São Paulo, parte da equipe foi ao local-alvo de nossos trabalhos O Golfo do Marajó e realizou um trabalho de campo com dados, informações e conhecimentos suficientes para incrementar ainda mais a enorme série de programas já existentes graças ao trabalho de nosso Chefe de Pesquisa, em prol daqueles cuja voz não é ouvida! Nunca foi ouvida e – agora mesmo neste momento em que escrevo – padece de malária, omissão de socorro, negligência e abandono!

 GEPEA SUMAUMA UNESP DE FRANCA 1

Não sei identificar no que falhamos exatamente. O encantamento ao apresentar os programas propostos na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo e na Universidade do Estado de São Paulo, campus Franca, foi absoluto. Falo do ângulo de apresentadora mesmo! Muita gente interessada!

 

Mas os programas não decolaram. As assinaturas solicitadas para uma das ações previstas em nossos programas o

 

Abaixo-assinado para levar ao Palácio do Planalto as demandas não cumpridas do Plano de Desenvolvimento Territorial Sustentável do Arquipélago do Marajó. (PDTSAM)

http://www.peticaopublica.com.br/?pi=VBMARAJO

continuam até hoje na casa das 700 assinaturas!

Um sério número! 700 assinaturas em mais de quatro anos de divulgação da plataforma de programas!

Por que este número lastimável?

A despeito de todos os nossos esforços?

 EVENTO EQUIPE BH 5

Nossas viagens, nossas palestras, nossas oficinas, apresentações, planos de ação, ações, avaliações das ações, projetos e programas feitos com tanto esmero!

 IMG 7350

Nosso trabalho de campo, tão emocionantes a fotos que as mídias sociais resgatam com o cabeçalho “há três anos atrás!”! Há três anos atrás???

Como chegamos a esses números?

Nossa pesquisa de gabinete!

Nossa atividade nas mídias sociais!

Nossos apoiadores!

Nada! Nada! Nada disso vingou!

Nada! Nada! Nada fez esses números mudarem!

 

Será a pauta? Será considerado “fora de moda” falar de um país que não se conhece? Afinal todo mundo nem precisa saber do que não conhece. Fica em sua zona de conforto e não questiona, não busca, não procura pela verdadeira face de seu país, de seus recantos e lugares mais remotos, se há pessoas por lá e como vivem... Se vivem! Esse tipo de assunto não dá manchete! Não se transforma em manchete de reportagem televisiva ou midiática! Não mobiliza pessoas! Não consegue milhares de assinaturas por minuto como uma das campanhas do greenpeace por um espécie de leão marinho rara que está em extinção no ártico por conta da exploração do petróleo ou no Ártico ou as campanhas do Avaaz contra a mutilação de mulheres muçulmanas em países do continente africano! Não se torna programa especial do canal OFF: o OFF DOCS ou ainda dos canais Nat Geo ou Discovery... Não dá voto, não elege agentes políticos do poder executivo ou legislativo!

 CENTRO COMERCIAL SÃO SEBASTIÃO DA BOA VISTA

Será que falhamos em nossos Programas? A elaboração? O ponto de partida? A metodologia escrita? As problematizações? As metodologias escolhidas? A aplicabilidade do Plano de Comunicação? Será que falhamos na divulgação? Divulgamos mal? O que foi esse mal divulgar? Não fomos convincentes o suficiente para fazer as pessoas além de assinarem chamarem mais pessoas para assinar e se interessarem por convidar empresários da iniciativa privada para ver nossos programas? Não utilizamos nosso plano de comunicação – presente dos alunos da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo – adequadamente? Falhamos nos canais de comunicação que escolhemos para manifestar nossas intenções? Manifestamos mal o que pensamos e o que queremos ao ponto de depois de riquíssima apresentação – ainda acredito que é - tudo termina com “dois tapinhas nas costas e uma ou duas palavras sobre ‘lindo esse seu trabalho’, mas sempre terminando com ‘gostaria de poder contribuir, ajudar sabe? Mas o momento não é oportuno...’ ou então ‘a crise...’”, como nos conta nosso Grão Mestre voltando taciturno de mais uma reunião sem sucesso com mais um possível investidor, apoiador, patrocinador, colaborador que não vingou...

 

Enquanto isso as ilhas do Golfo sucumbem!

 

A malária, que já devora mais de metade da população da Ilha Principal, A Ilha do Marajó, só nos faz amargar ainda mais!

 

A falta de saneamento básico, a gravidez na pré-adolescência, a falta de postos de trabalho e de emprego, a pesca predatória, o extrativismo predatório, o turismo sexual, o tráfico e outras tantas atividades ilícitas só aceleram a decadência iminente e nos deixam depressivos!Depressivos por se tratar de um trabalho pelo qual há anos nos dedicamos apaixonadamente. O trabalho de lutar porum dos lugares mais belos do país, de arte e gente únicas. Mas que como tantos pontos remotos e belos do Brasil, enquanto não aparecem na Rede Globo de Televisão... Não existem!

 

Sim fracassamos! Fomos a Universidade de São Paulo e fracassamos, fomos à Universidade do Estado de São Paulo e fracassamos, fomos à própria ilha do Marajó, coletar dados e constatar possibilidades de resiliência e pontos de alta sensibilidade ambiental e socioambiental das populações e comunidades e fracassamos!

 

E o quanto antes encararmos isso e recomeçarmos melhor!

 

Levantemo-nos do chão cavaleiros e cavaleiras! Guerreiros e guerreiras! Mestres e mestras, jovens guerreiros e jovens guerreiras! Limpemos as feridas e coloquemos sobre elas unguentos e bandagens, recoloquemos nossas cotas de malha, grevas, dragonas e armaduras! Voltemos a polir nossos escudos e afiar nossas espadas! Conversemos com nossos cavalos e voltemos a abrir as cartas sobre a mesa da tenda principal de nossa base de operações! Vamos avaliar nossas falhas, enfrentar nossos fracassos e procrastinações! A hora é essa! Vamos! Agora! Todos!

 

Sentemo-nos todos em volta do fogo à noitinha e ouçamos a voz calma e os conselhos sábios de nosso Grão Mestre! Nosso Chefe de Pesquisa! Nosso Cavaleiro do “Velho Código”!

 VIAGEM MARAJÓ A GRANDE EXPEDIÇÃO

Abraços e – nas palavras de nosso Grão Mestre do Velho Código –

 

“Saudações Florestais”

 

Para você Paulo Celso Villas-Bôas com todo o amor e admiração desta sua fã, amiga e expedicionária,

 

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