Festa de San Miguel Suchixtepec

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Festa de San Miguel Suchixtepec

Por Alan Frederico Mortean 

Entre os dias 27 a 30 de setembro de 2011 ocorreu a festa do pueblo de San Miguel Suchixtepec, onde vivo aqui no México durante meu voluntariado. É a maior festa que se dá durante o ano na comunidade.

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A primeira noite foi marcada por uma espécie de abertura que se chama “calenda”, que teve a presença de um grupo de danças tradicionais de uma cidade vizinha, uma boa banda local chamada “Los Compadritos”, “toritos”, que são armações de ferro na forma de touros ou de anjos, cheios de fogos de artifício coloridos e bombas que uma pessoa coloca sobre sua cabeça e dança sob o som da banda enquanto queimam os fogos de diferentes cores e se estouram as bombas, além de grandes bonecos que lembram os bonecos de Olinda brasileiros que dançam junto dos “toritos”.

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Aqui no México dizem “banda” aos grupos musicais formados por instrumentos como clarinete, tuba, pratos, saxofone, etc., onde normalmente não há um cantor, somente o som dos instrumentos, e dizem “grupo” às outras formações musicais, onde há um cantor, bateria e outros instrumentos, etc. e que tocam músicas mais populares (que tocam nas rádios), formações que no Brasil chamamos bandas.

Personagens essenciais para a festa do pueblo são os “mayordomos”, que são pessoas do pueblo que bancam os quatro dias de festa. Servir o pueblo é uma honra aqui e ser mayordomo é uma das formas que há para fazer isso. Cerca de oito são escolhidos todos os anos pelo governo municipal como pessoas que se destacam no pueblo e que não fizeram parte do governo ou de algum comitê nos últimos anos, que são outras formas de servir ao pueblo, já que são todos serviços não remunerados. Apesar de ser uma honra ser mayordomo, isso representa um grande gasto, a ponto de haver histórias pessoas que venderam terrenos, carros, fizeram empréstimos, tudo para financiar a festa, e depois foram trabalhar nos Estados Unidos para juntar dinheiro e pagar suas contas.

Continuando a ler essa matéria, você poderá ter uma idéia do quanto gastam os mayordomos, com base no que contém os quatro dias de festa.

A festa de San Miguel é uma festa com comida, bebida, mezcal, cerveja, tortillas, bandas de música de outros pueblos, dois bailes (quarta e sexta), torneios de futebol e de basquete, premiações e comida na casa de um dos mayordomos.

Os campeonatos de futebol e de basquete atraem equipes de toda a região, pela premiação dada aos primeiros colocados. No futebol são 7 mil pesos para a equipe vencedora, cerca de mil reais, e no basquete são 5 mil pesos. Participei do campeonato de futebol com uma equipe local, chamada “Los Dragones”, as condições do campo eram bem precárias, era terra com alguns tufos de grama, e uma área onde havia um pasto que chegava até o meu joelho; além disso, em nossas duas últimas partidas, estava chovendo e fazia muito frio. É uma boa recordação pra mim, hehehe, mais ainda porque ficamos na quarta posição e ganhamos um cabrito de prêmio. Depois de uma semana o cabrito virou comida na festa que fizemos da equipe. Eu não o comi, pois continuo sendo vegetariano, apesar de tudo, mas tive um sentimento de gratidão por ele ter nos proporcionado a festa do time. A seguir está uma foto de um jogo do torneio e uma foto da equipe e do cabrito, na noite de premiação.

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Na segunda noite de festa, houve o baile. A primeira vez que vi um baile aqui foi num pueblo vizinho chamado San Pedro El Alto, de onde se pode ver o mar (que está a aproximadamente cem quilômetros de distância) em dias em que o céu está límpido. Achei muito engraçada a dinâmica do baile, uma nova experiência. Enquanto o grupo toca, todos estão dançando, sempre aos pares, nunca se vê uma roda de amigos dançando. Quando se acaba a música todos saem da pista (no caso a quadra de basquete), as pessoas se espremem nas bordas da quadra e o meio fica livre, até que começa a próxima música quando os pares vão voltando ao centro da quadra até que ela se enche de casais dançando. E essa dinâmica de entra e sai continua a noite toda enquanto há música, geralmente das dez da noite até as três da manhã. A maneira de dançar também é diferente, em geral os movimentos são mais contidos do que no Brasil (isso não se aplica quando se fala da música e da dança do pueblo indígena mixe, dos quais eu já escrevi aqui uma vez, sob o título “Um evento cultural indígena”). Mas uma coisa eu posso afirmar: a música aqui é muito boa! E eu improviso uma mescla de passos brasileiros e mexicanos na pista.

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Uma das tardes, quando eu estava vendo a final do basquete, chamaram para ir comer na casa de um dos mayordomos. O convite foi feito a todos que estavam no pueblo, pelo sistema de som da prefeitura, que geralmente se usa pra convocar pessoas a reuniões, publicar oportunidades de emprego, divulgar presença de algum serviço do governo que estará um dia na cidade, mas, nessa ocasião foi utilizado para convocar aos cidadãos que desejassem ir comer na casa do mayordomo.

A comida estava muito boa, havia tortillas, um caldo de vários vegetais, café, tortillas e, claro, molho de pimenta. Aqui no México há muitos tipos de pimentas e muitas formas de consumi-las, como em molhos, em pasta, em pedaços, inteiras, até recheadas!

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Na terceira noite de festa houve apresentação de várias bandas de pueblos da região, noite que culminou com uma apresentação em conjunto de todas as bandas, tocando várias músicas. Estava muito bonito, a diversidade cultural do estado de Oaxaca é muito grande. No Brasil nunca tive a oportunidade de ver apresentações assim.

Pra terminar, na última noite, dia 30, teve mais um baile, desta vez com um público menor, pois os dois grupos que se apresentaram eram menos conhecidos. E para mim também não foi tão legal quanto o outro baile, pois minha chefa-companheira de baile não estava, e eu acabei não chamando nenhuma “chica” para “bailar”. Contudo, em resumo, a festa do pueblo foi muito boa, guardarei boas experiências e recordações!

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