A agenda socioambiental é interessante para as populações de baixa renda?

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A agenda socioambiental é interessante para as populações de baixa renda?

Lendo um texto do economista José Eli da Veiga sobre a pobreza no Brasil, me deparei com questões interessantes, e julguei pertinente compartilhá-las neste blog.

O foco do economista foi a pobreza, o meu será o saneamento básico. Sabe-se que a falta de acesso ao saneamento básico abre as portas dos nossos organismos para a ocorrência de infecções parasitárias. Segundo Varella (2010), essas infecções, quando ocorridas repetidas vezes até os cinco anos de idade, podem comprometer o desenvolvimento intelectual de uma criança, pois preciosas energias que seriam destinadas ao desenvolvimento do cérebro, são direcionadas ao sistema imunológico na luta contra a parasitose. “Do ponto de vista energético, o cérebro é o órgão do corpo humano que mais consome energia: 87% no recém-nascido, 44% aos cinco anos; 34% aos dez; 23% nos homens e 27% nas mulheres adultas” (Varella, 2010).

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“As diarréias na infância têm custo energético especialmente elevado [...], estão entre as duas principais causas de óbitos em menores de cinco anos [...]” (Varella, 2010). Como se isso não bastasse, ainda segundo o mesmo autor, alguns parasitas prejudicam a absorção de nutrientes ao se instalarem no intestino de seus hospedeiros.

Segundo a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB) 2008, realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 66% das habitações brasileiras não possuem rede de esgotamento sanitário, o que representa quase 38 milhões de domicílios. Veja bem, a PNSB fala de coleta de esgoto; se falasse de tratamento, o valor seria ainda maior.

Se você já achou esse dado chocante, saiba que na região norte, segundo a mesma pesquisa, somente 3,8% dos domicílios têm acesso a rede de esgotamento sanitário. Em 2000, esse valor era de 2,4%. Se olhássemos esse dado pelo lado “positivo”, poderíamos dizer que o crescimento no número de residências atendidas pela coleta de esgoto entre 2000 e 2008 na região norte foi espetacular: 89,9%!!!! Mas, cá entre nós, isso não é digno de comemoração.

Podemos aqui levantar a questão: o que é a pobreza? É uma faixa de renda inferior a um patamar estabelecido? Ou é a falta de acesso a serviços públicos de qualidade, como o saneamento básico?

Veiga (2010) diz:        “Como a pobreza é privação de capacidades básicas, ela jamais deveria ser medida apenas com estatísticas de insuficiência de renda. É pobre, mesmo quem tem renda superior ao critério de corte ("linha de pobreza") se não puder convertê-la em vida decente. Por falta de saúde ou de educação ou outras carências.”

Concordo com Veiga e acredito que a pobreza seja uma junção de baixa renda com a falta de acesso a serviços públicos de qualidade. Portanto, de que vale aumentarmos a renda da população e negligenciarmos o saneamento básico? 66% da população brasileira continua pobre, isso analisando somente a coleta de esgotos! Imaginem se analisássemos também o acesso à educação, saúde e habitação!

Veiga (2010) ainda levanta a questão da agenda socioambiental: há quem diga que ela não é interessante para as populações de baixa renda. Investimentos em coleta e tratamento de esgotos, abastecimento de água e gestão de resíduos sólidos não são agendas socioambientais? Alguém duvida que esses investimentos favorecerão, e muito, essas populações?

Bibliografia:

Varella, Dráuzio. Inteligência e Pobreza. 11 de setembro de 2010. Disponível em: http://www.drauziovarella.com.br/ExibirConteudo/6336/inteligencia-e-pobreza

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional de Saneamento Básico 2008. Rio de Janeiro, 2010.

Veiga, José Eli da. Metade do Brasil Continua Pobre. 21 de setembro de 2010 Disponível em: http://opiniaoenoticia.com.br/economia/metade-do-brasil-continua-pobre/

Normal 0 21 false false false PT-BR X-NONE X-NONE Figura 1: falta de saneamento. Fonte: http://essetalmeioambiente.com/alguns-problemas-ambientais-urbanos/

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