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Amazônia Problemas e Soluções PDF Imprimir E-mail

O SINDMÓVEIS com muita curiosidade vendo o empreendedor Paulo Celso Villas-Bôas com suas famosas camisas de bolso bordado com a logomarca Expedição VILLAS-BÔAS pelo Brasil, resolveu fazer essa entrevista para que o público tome ciência de fato qual o objetivo desse projeto.

SINDMÓVEIS: O que significa Expedição VILLAS-BÔAS pelo Brasil?
Paulo VILLAS-BÕAS: Expedição VILLAS-BÔAS pelo Brasil é um projeto que percorrerá o país por oito anos, começando pela Ilha do Marajó via terrestre em sua primeira fase de ação; a segunda fase focará o Estado do Amapá e a terceira fase novamente o Estado do Pará, o norte do Estado de Tocantins, e o oeste do Estado do Maranhão. De volta à Belém, pegaremos um  barco científico onde percorreremos via fluvial todas as cidades e comunidades ribeirinhas do sul do Pará, retornando pelo mesmo rio passando à oeste do Marajó chegando as Ilhas Cavianas e Mexianas, e daí navegar pelo Rio Amazonas chegando a Manaus com parada na maioria das comunidades e cidades desse enigmático rio. Bem, como já disse, o projeto visa visitar todos os Estados do território nacional, com ênfase na Amazônia Legal. Nossa meta final após passarmos por todas as regiões do país nesses oito anos será Belém do Pará, onde estarão concentrados todos os dados da expedição.

SINDMÓVEIS: Qual será o objetivo desse projeto?
Paulo VILLAS-BÔAS: O objetivo principal do projeto é visitar mais ou menos 2.500 cidades, vilarejos, comunidades ribeirinhas, quilombolas e indígenas, pesquisando, com olhar focado na diversidade do povo brasileiro com seus paradigmas. Com efeito, discutiremos com os governantes, classe cientifica, universidades e interessados que acompanharão a trajetória do nosso trabalho e o modelo de desenvolvimento que queremos para o nosso povo com ênfase ao setor produtivo, quer seja levando o saber para uma nova dinâmica no que se refere à preservação do ecossistema e a conservação das florestas. Dessa maneira podemos sim fazer um reflorestamento responsável muito além da compensação florestal feita hoje em dia, e aí, todos saem ganhando tanto a economia sustentável como o próprio planeta. Discutiremos sobre matas ciliares, a nascente das águas que hoje se apresenta como o maior tesouro que o mundo vislumbra e seus efluentes e afluentes, na tentativa de preservar a identidade brasileira, aí inserido o povo amazônida. Sabemos que embaixo das copas das árvores dessa imensa floresta há um habitante de origem diferente e que lá fez seu mundo, e também projetos sociais que é ponto de honra do nosso projeto. Pois é... O nosso objetivo maior é não exterminar a humanidade e sim dar condições ao homem de estabelecer sua economia formal, observando o equilíbrio recomendado entre ele e o meio ambiente.

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SINDMÓVEIS: Como os expedicionários pensam implantar esse tão audacioso projeto?
Paulo VILLAS-BÔAS: Em primeiro lugar haverá profissionais de relevante saber engajados no projeto. Terá uma estrutura operacional que dará suporte a área científica em todos os passos da expedição, desde jornalistas, fotógrafos, pesquisadores das diversas aéreas como biólogos, engenheiros agrários, florestais, geólogos, antropólogos etc..  Em segundo lugar a Expedição VILLAS-BÔAS pelo Brasil, está inserida nos objetivos da Fundação VILLAS-BÔAS, com sede em Belém do Pará. A Fundação VILLAS-BÔAS será o cérebro intelectual do projeto, o ponto de convergência para tomada de todas as providências, em articular com os gestores públicos, com a classe científica, universidades e os mantenedores a definição das ações que serão investigadas no campo. 

SINDMÓVEIS: Como será essa comunicação com a Fundação VILLAS-BÔAS, uma vez que estarão em mais diversos pontos e áreas remotas do país?
Paulo VILLAS-BÔAS: Eu digo sempre a todos que com ar de desconfiança pensam tratar-se de mais um projeto, muito pelo contrario, que este tem seus objetivos bem alinhados. A credibilidade desse projeto está no monitoramento via satélite, onde em tempo real, os internautas estarão acompanhando cada segundo das suas ações, bem diferente dos shows vendidos pela mídia e que dão ótima audiência no mundo inteiro. Poderemos ser acompanhados e questionados por todos que querem ser um expedicionário virtual. De acordo com os interesses das universidades que farão extensão conosco, da classe cientifica de qualquer área, faremos vídeos conferência em dias e horários pré- estabelecidos, como também o cidadão comum poderá em tempo, também, pré- estabelecidos conversar com os integrantes da expedição, pois as curiosidades serão inúmeras e estaremos ligados a tudo e a todos. Dessa forma estaremos em sintonia com o mundo, enviado matérias de expressão nacional para toda a mídia do território brasileiro, mostrando a verdadeira face social econômica e ambiental da Amazônia, com total transparência.


SINDMÓVEIS: Você menciona mostrar a verdadeira face social econômica e ambiental da Amazônia, e nós do setor moveleiro da cadeia produtiva das madeireiras, somos vistos também como vilões da história, por sermos os desmatadores da floresta Amazônica. Qual é sua ótica nesse contexto, que face social econômica é essa?
Paulo VILLAS-BÔAS: Veja bem, quando vou apresentar o projeto em diversas cidades do território nacional para um público que não conhece nossa região por serem massificados erradamente pelas ONGs estrangeiras e por ambientalistas que nunca pisaram em solos amazonenses, e desconhecem o fato histórico dessa região, com um adendo antes de continuar: de deixar muito claro que existem ONGs sérias e que prestam relevantes serviços as suas cidades, estados e ao país, sendo muitas delas parceiras da Expedição, o faço dizendo que o Brasil é dividido por duas regiões, a região Norte e o resto do país. Quando é derrubada uma árvore na floresta eles gritam e dizem ser patriotas falando “A floresta amazônica é nossa”, quando a mídia fala do povo amazônico e das suas dificuldades, logo retrucam “O problema é da região norte”, como se aqui os habitantes não mais pertencessem ao Brasil. Estas pessoas sem conhecimento algum vivem em residências aconchegantes, abrem as portas de madeira que são fixadas em caixilhos de madeira, sentam em sofás que tem estruturas de madeiras, se utilizam de estantes de madeira, se servem de cadeiras e mesas feitas de madeira. Some-se a cama feita de madeira e os armários embutidos feitos de madeira, e, sem humor negro concluo, que quando de suas mortes serão enterrados em urnas mortuárias feitas de madeira. Finalmente, tudo que consomem como alimentos, vêm da produção rural; portanto, não podem considerá-los os vilões da história.
 
SINDMÓVEIS: Sim, sabemos disso, não sabemos se o consumidor parou para pensar assim. Você, ainda, não respondeu a nossa pergunta. Queremos só salientar que o governo do Estado, por nossa interferência e óbvio pela sensibilidade da governadora Ana Julia Carepa, fez com que a licitação da carteira escolar não saísse do Estado  determinando que fossem fabricadas 250.000 carteiras escolares feitas de madeira maciça nas empresas paraenses. E, esse processo atendeu toda a legislação que, por pouco, não permitiu aos moveleiros dos outros estados concorressem sem ter a matéria prima e que entregariam os produtos certamente com madeira advinda de nossa floresta. E, aí?
Paulo VILLAS-BÔAS: Você está antecipando minha resposta, veja a classe produtiva divulga mau o que faz de bom para o Brasil e para o mundo. Tenho acompanhado de perto todo esse processo; primeiro foram envolvidos 14 micros empresas e mais algumas empresas fornecedoras do insumo básico desses materiais, gerando mais de 200 empregos e impostos para o próprio Estado, mas até agora ninguém propagou isso. Outra, que o produto maior que é a da estrutura da cadeira escolar é fabricado com as aparas, ou seja, resíduo das madeiras, resíduo esse que seria queimado e ajudaria a produzir mais gás carbônico, aumentando o processo do efeito estufa. Por falta de uma legislação especifica isso, poderia beneficiar muitas pequenas indústrias, já que a madeira principal é um produto retirado de forma legal com empresas que adotam o sistema de manejo florestal, tudo dentro da legalidade. Isso mereceria um boletim informativo na mídia local e até nacional, mereceria out-door do que o Sindicato fez em beneficio do próprio Estado e fará com o associativismo forte, com total transparecia em todos os sentidos. Estive em São Paulo, para uma reunião na FIESP, e lá participei de um Seminário da própria casa discutindo “Como enfrentar a crise no cenário local”. A mesa era composta pelo presidente da FIESP, Dr. Paulo Skaf, pelo Governador José Serra, pelos Secretários de Estado, Geraldo Alckimin e o fazendário, presidente do SEBRAE-SP, e demais personalidades da sociedade organizada daquele Estado. O Governador José Serra enalteceu os micros e pequenas empresas do Estado de São Paulo e disse que em todas as concorrências haveria protecionismo às empresas paulistas. E, na oportunidade lembrei-me da Governadora e dos nossos presidentes José Conrado e José Maria Mendonça, (FIEPA e CIP), que sem ajuda deles nada teria acontecido. Deveria, sim, a governadora do Estado do Pará, também, proceder dessa forma com todos os seguimentos e dar condições ao povo paraense de mostrar sua potencialidade.

SINDMÓVEIS: Mas, continuamos a ser chamados de vilões, como reverter isso?
Paulo VILLAS-BÔAS: Primeiro, o governo do Estado do Pará, tem que mostrar suas verdadeiras intenções. O Estado do Pará não tem políticas públicas de marketing do positivismo, temos que ser transparentes e falar com a população as claras, como fazem os Estados da região nordeste; suas propagandas invadem nossas televisões aqui no norte, contando o que lá tem de bom e essas propagandas devem correr o país inteiro. O que vemos aqui são só desgraça e desmatamento, estatísticas do quanto avança a devastação da floresta. Segundo, o governo aceitou a transferência da responsabilidade que era do IBAMA para Secretaria do Meio Ambiente de uma forma radical, sem que o governo estadual se preparasse para tamanha responsabilidade. Por sua vez o governo estadual não divide essas responsabilidades para com governantes municipais de acordo com que a regulamentação do Artigo 23 da Constituição Federal, que descentraliza as ações do Meio Ambiente em todo o Brasil; o acumulo de processos, falta de políticas do que é legal e um quadro ínfimo de técnicos fazem com que os empresários legalizados tomem outro rumo. É uma fábrica de ilegalidade. Com certeza isto faz uma terra sem perspectivas de acertos e não poderá nunca entrar num equilíbrio de normalidade. Só são fiscalizadas e concedidas licenças para as empresas formais e com endereço certo, e que tenham todos os documentos, muitas com certificação e os projetos de manejo sustentável, reflorestamento, de extração de minérios, e muitos outros que poderíamos mencionar. Vejam vocês uma empresa errada nunca entraria com tais pedidos e o que acontece com esses empresários? Não produzem legalmente e não tem o aval positivo do governo, sendo que os investimentos são altos e os trabalhadores lá na ponta sofrem com a incerteza de seu futuro. Têm empresários com projetos de reflorestamento e não obtém o licenciamento para executá-los. A cada dia nessa incerteza, os empresários ficam sem fôlego para tocar seus negócios, o governo deixa de arrecadar impostos e nesses tempos de crise e com tantas catástrofes, o setor produtivo poderia ajudar. Eu disse poderia, por enquanto ele está vendo quem pode ajudá-lo. Isto é ser considerado vilão?



SINDMÓVEIS: Você sempre menciona que a salvação da floresta é o setor produtivo. O que faz ter tanta convicção ao fazer essa afirmação, uma vez que a mídia nacional, internacional e os ambientalistas mais radicais propagam soluções diferentes?
 Paulo VILLAS-BÔAS: Não precisamos mudar as regras do jogo com novas Leis para ter um novo comportamento ambiental produtivo, sem devastação. Veja, na resposta anterior deixei claro que se o governo deixasse os empresários sérios deste país trabalhar, não haveria o porquê de tanta preocupação por parte desse mesmo governo. Os maus empresários não sobrevirão por muito tempo, pois a cada dia, mais o cerco em termos de legislação e fiscalização se apresenta mais forte e a sociedade mais consciente no consumo do legal, qual área produtiva for. E, afirmo, tem que ser sim, mais forte do que nunca. No ano passado a Noruega destinou um bilhão de dólares para projetos ambientais. A nossa bandeira dar-se-á em reflorestar as áreas alteradas e degradadas, pois o que a floresta precisa é do antídoto para não ficarmos contabilizando estatísticas de quanto foi destruída. Mas o engessamento amazônico nunca, Como propaga diversas ONGs internacionais que não tem propostas para Amazônia e acabam cativando artistas e intelectuais conforme determinação do Simpósio de Genebra de 1981. Para isso não acontecer e termos o sentido inverso desse falso moralismo, o governo teria que mudar sua política em captar vários bilhões de dólares de diversos países e investir no setor produtivo com o antídoto que tanto propago.

SINDMÓVEIS: Qual seria a proposta para esses países investirem na floresta? E como programar isso?
Paulo VILLAS-BÔAS: A regra que faríamos, seria a seguinte: Para cada seguimento haverá uma fonte de aprovação de projeto para seu desenvolvimento e aplicação do reflorestamento. Vamos pelos setores mais discutidos no momento. O setor madeireiro a cada hectare, com projeto aprovado nas repartições legais, utilizaria o dinheiro captado internacionalmente plantando três hectares de árvores frutíferas e nativas em áreas alteradas e degradadas. Nessas terras não legalizadas, seria feito um grande mapeamento e, daí, os latifúndios e terras não legalizadas teriam as condições de serem registras pelo governo ou pelo empresário. Nesta prática você envolverá todos os seguimentos da cidade e do povo da floresta. São eles extrativistas, ribeirinhos, quilombolas, índios, povos da floresta, pequenos agricultores, engenheiros florestais, agrônomos, geólogos. Em suma uma gama de pessoas, mesmo aqueles que não têm a cultura escolar, mas tem o saber e o conhecimento de campo, mais os técnicos, engenheiros e profissionais de diversos seguimentos, bem assim toda a cadeia produtiva. Com isso o setor produtivo será valorizado pelo comprador nacional e internacional, já que o rigor e legalidade nas suas atividades manteriam suas prateleiras de estoque em alta, que é a floresta preservada e multiplicada, não só para hoje, mas para algumas centenas de anos.

SINDMÓVEIS: Como assim? Como gerar todo esse processo para todas essas classes?
Paulo VILLAS-BÔAS: Dentro do processo da necessidade da extração da madeira retirada com man ejo florestal e o governo aprovando os projetos sem tanta burocracia e com projetos objetivos, você troca 1:3. Primeiro você estará recompondo as áreas já devastadas, segundo a madeira retirada com manejo florestal, que nada altera na sua composição florestal, pois a mata continuará intacta, muito longe dos que não conhecem o processo como, por exemplo, as ONGs internacionais que disseminam exatamente o inverso para os menos esclarecidos, e terceiro hoje em dia com toda essa preocupação internacional em efetuar negócios com produto limpo, com quem não agride a floresta, haverá um maior numero de empresas com certificação de seus produtos, comprovando que sua matéria prima tem origem de selo verde. Ressalto como proposta Fundação, que lutaremos por um selo ainda maior que é o selo do reflorestamento e respeito com o ecossistema, digo, com a flora e fauna. Vamos adiante: hoje precisamos da silvicultura, muito aquém das nossas expectativas que é a floresta nativa. Mas, se não tivermos um produto de ciclo rápido, continuaremos a desmatar a floresta, já que precisamos alimentar as siderúrgicas e fabricar celulose. Agora com a pesquisa cientifica já temos condições de utilizar na fabricação de móveis  a espécie Paricá,  Pinos Eliotis  e outras bem mais avançadas em termos de qualidade. O que não podemos aceitar é mudar, ou seja, derrubar a floresta para plantar a silvicultura, como está fazendo uma grande empresa internacional no sudeste e sul do país. Pela atual legislação podemos desmatar 20%, quando se trata de árvores nativas; agora, no corte da silvicultura, eles contarão com 100%, então você troca 1:6, ou seja, a cada hectare que derrubar, o empreendedor terá que plantar seis hectares de árvores frutíferas e nativas em áreas alteradas ou degradadas. A determinação dessa proposta é o respeito a todas as atividades, quer sejam madeireiras, mineradoras, etc.

SINDMÓVEIS: VILLAS-BÔAS, você fala respeito dessas atividades, e o agronegócio, e a pecuária, que são tão polêmicos na questão ambiental amazônico?
Paulo VILLAS-BÔAS: É preciso entender a história do desmatamento: Na década de 60 a 70 nos jornais do sul do país, o governo propagava terras gratuitas na Amazônia, e muitos pecuaristas e agricultores não amazonenses venderam suas terras nas suas origens e partiram para o paraíso prometido.  A MP n° 1.511, hoje, dá nova redação ao artigo 44 da Lei 4.771 de 15.09.65, no artigo permitia o corte raso de 50%, isso na ditadura militar ainda, daí em 1.970, com incentivo da SUDAM o governo injeta dinheiro publico para o desmatamento, e quem não conseguisse desmatar os 50% não teriam a regularização fundiária com o slogam: “Ocupar para não Entregar”, diziam os militares que estavam preocupados com a soberania Nacional. Em 26.07.96, o limite é alterado de 50% para 80% a conservação de cobertura arbórea em toda região da Amazônia Legal e dessa época as áreas ficaram antropizadas. A MP 1511 até agosto de 2.001 sofreu 67 reedições pelo Congresso Nacional. Isto tudo advindos a Eco-92, realizado no Rio de Janeiro com o conceito de conservacionismo. Hoje o governo, a sociedade civil organizada e o Ministério Público têm que ter dois pesos e duas medidas, se não, não separamos o joio do trigo e todos, inclusive nós seremos bandidos, porque vivemos na região norte. Veja o agronegócio, hoje em nosso país ele merece todo o nosso respeito. Por quê? Nos quatro primeiros meses desse ano, produziram cerca de 40% de tudo que foi exportado no país. Conheço nesse país muitos ruralistas e pecuaristas responsáveis, não podemos generalizar, pois seriamos enquadrados como preconceituosos, da mesma forma que aquele que existe com os negros, os índios e assim por diante. Da mesma forma que lutamos pelo meio ambiente, seremos vistos como inimigos. O que eu repudio e muito, são os maus empreendedores, os que são gananciosos e que desrespeitam a legislação, e que a qualquer custo querem aumentar suas áreas para um suposto lucro não respeitando nenhum percentual. O IMAZON continua a publicar o aumento do desmatamento.  E a vida e o futuro da humanidade? Pode ficar certo, que o mundo continuará no seu processo de transformação, com essa política de trocar floresta, cerrados e outros pela produção irresponsável e, aí, sim, sumiremos como os dinossauros e outras espécies. Da mesma forma que lutamos por reservas legais, parques nacionais, territórios indígenas, e quilombolas, as pessoas que se utilizam dos agronegócios terão que discutir com o governo e com a sociedade civil organizada, seus projetos de interesse para em audiências públicas demarcarem seus espaços no (ZEE) Zoneamento Econômico Ecológico e, assim, melhor implantar suas gestões colocando o setor em igualdade com os de outras regiões do país. Quando há legalidade há progresso, tudo dentro da Lei, sem nenhum trauma. No ZEE, o setor poderá conservar apenas 50% da área preservada, como era na década de 70, respeitando as matas ciliares e nascentes. Fora do ZEE, terão que respeitar os 80%. Se discutirem e chegarem num acordo antes de asfaltar as rodovias no meio da floresta, tranquilamente não acontecerá o que acorreu em toda extensão da Belém, Brasília. Na nossa proposta, de captarmos dinheiro internacional para o reflorestamento, permite a qualquer um pedir financiamento. Suas terras serão regularizadas, e os países ficaram satisfeitos com os produtos comprados com todos os alimentos consumidos certificados e com o selo verdadeiramente ambiental. Reflorestarão suas áreas que a três ou quatro décadas atrás transformaram seu patrimônio sem se aperceberem do mal que faziam a natureza na região amazônica. Na mesma ótica dos madeireiros, o ruralista que desmatar mais de 80%, a cada hectare derrubado plantará 10 hectares, na sua propriedade ou em áreas alteradas ou degradas. Desta forma não haverá falta de financiamento para agricultura e não haverá descontentamento do setor ruralista. Os pecuaristas e os afetos ao agronegócio, da banda limpa é lógico, não lutam para banir ou denunciar esses maus produtores que não aceitam a ofensiva do não desmatamento da floresta. Pode ver, esses preferem a bala como solução do problema.  

SINDMÓVEIS: Quantos bilhões o país precisará para recompor todas as áreas altera das e degradadas?
Paulo VILLAS-BÔAS: Só na Amazônia Legal o país precisará de 40 bilhões de reais, a um custo de R$3,50 (três reais e cinqüenta centavos) a R$4,00 (quatro reais) por árvore plantada. Com o projeto que propomos, o mundo voltará os olhos para Amazônia, mas com outra ótica. Veja, o Brasil é o país que mais conservou suas florestas em todo o planeta. Há milhares de anos o nosso país detinha 9,8% das florestas mundiais. No século XXI, o país detém 28,3%. Mais de 75% das florestas mundiais já desapareceram. A Europa, sem a Rússia, detinha mais de 7% e hoje tem apenas 0,1%. A África possuía quase 11% e agora somente 3,4%. A Ásia possuía 23,6%, agora somente detém 5,5%. Espantemo-nos mais, a America do Sul que detinha 18,2%, agora possui 41,4%. A Europa tem o maior histórico de desmatamento irreversível, pois suas florestas foram substituídas por cidades, cultivos e plantações comerciais (dados: pags. 242 a 247 do livro “Quando o Rio Amazonas corria para o Pacífico” de Evaristo Eduardo de Miranda). Portanto todo o mundo não está de olho só porque existe desmatamento no país, eles estão de olhos sim é no estoque que temos em minérios, plantas medicinais, madeira, e na terra fértil que temos com potencial para alimentar o mundo. Portanto, o objetivo é captar esses recursos para reflorestarmos a Amazônia com Responsabilidade Sócio-ambiental e não para transformá-la em “Santuário florestal” como as ONGs internacionais assim o querem.  Não será difícil para o governo brasileiro captar esse dinheiro. O empresariado em todos os seguimentos e o pequeno agricultor que as duras penas mal conseguem manter-se no campo, que dirá reflorestar suas terras, poderão receber recursos para sua legalização e continuar na sua luta pela vida. Dessa forma haverá interesse dos grandes empreendedores do agronegócio, como nos permitirá, também, fazer uma política mais séria e de sustentabilidade técnica para a agricultura familiar e, como disse nas primeiras respostas, garantir emprego e cidadania em todos os sentidos.        

SINDMÓVEIS: Como chegar ao conhecimento mundial dessa sua proposta?
Paulo VILLAS-BÔAS: No portal da Expedição VILLAS-BÔAS pelo Brasil (www.expedicaovillasboas.com.br) propago há muito tempo essa proposta. Já enviei cartas ao Presidente da República, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, ao atual Ministro Carlos Minc, e a muitas outras autoridades. Tenho no país muitos simpatizantes da proposta, então precisamos de mais, muito mais colaboradores para disseminar a proposta, depois fazer que com essa seja discutida no ano que vem em Copenhague,onde se reunirão quase 200 países para formular um novo acordo com vistas a controlar a emissão de gases estufa. Eles sabem da importância do Brasil para o planeta já que dispomos de uma floresta condensada, única no planeta. Lá discutirão novas tecnologias limpas como o uso da energia solar e dos ventos e o enterro subterrâneo do dióxido de carbono. As emissões mundiais do gás chegarão a 40,4 bilhões de toneladas até 2030, contra 29 bilhões de toneladas em 2006, e os países mais visados serão os EEUU, Índia e a China, e isso nos dá uma possibilidade enorme de revertermos nosso quadro político ambiental e sócio-econômico; mas, para isso acontecer precisamos de aliados de peso, ou seja, políticos progressistas na conservação da floresta, cientistas, acadêmicos, advogados em questões ambientais que queiram conosco levar propostas escritas com formatação jurídica legal à Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas a nível Nacional e que chegasse, também, no Conselho de Desenvolvimento Social e por fim a Copenhague. Eu sempre afirmo que: A raiz de todos os problemas somos nós mesmos. Nós é que precisamos mudar como povo, estabelecendo uma conscientização renovada sobre alguns conceitos como de preservação, consumismo e do lixo que produzimos. Em síntese, é o que queremos para o futuro das gerações.   

SINDMÓVEIS: E agora o qual é o próximo passo para a Expedição sair?
Paulo VILLAS-BÔAS: Agora temos de fortalecer a Fundação VILLAS-BÔAS; precisamos de mantenedores, ou seja, aqueles que possam colaborar financeiramente, com adesão de apoio para credibilidade do projeto. Precisamos de sócios colaboradores, do mais simples cidadão ao empresário e, assim, viabilizarmos o projeto visitando as principais capitais do país. A idéia é apresentarmos para as Federações das Indústrias e mostrarmos que não somos filantropistas, nem sonhadores e que com o apoio dos mesmos realizaremos Seminários com o tema “Expedição VILLAS-BÔAS pelo Brasil, Amazônia: Problemas e Soluções”. Esta proposta já esta sendo alinhavada com as universidades do Estado, para elaboração das palestras e rodada de debates com os participantes do evento. Quem sabe esta entrevista sensibilize alguns investidores até mesmo o Sindmóveis e outros sindicatos. Não é o dinheiro que ajuda a transformar o ser humano, mas as ações dele decorrentes.

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Comentarios (2)Add Comment
Madeira Refloresta
escrito por Cledson Ferreira, agosto 19, 2009
Paulo Villas Boa Tarde

Gostei muito da sua entrevista principalmente quando se fala de Maneja florestal
e retirada de madeira de forma sustentavel. Você sabe que trabalho em um empresa que presa muito pelo meio ambiente e que só trabalha com madeira de reflorestamento. Estou transmitindo esta entrevista para minha diretoria .

Abraçõs CLEDSON
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Inquérito Nacional de Saúde e Nutrição dos Povos Indígenas
escrito por Eliana da Costa Araujo, outubro 01, 2009
Amigo Paulo,
Será realizado na ENSP no dia 5/10 o Inquérito Nacional de Saúde e Nutrição dos Povos Indígenas. Estarei por lá e vamos ver o que concluirão.
Quanto a retirada da madeira de forma sustentável, amei ler esta entrevista.
Abraços,
Eliana
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