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Genealogia da Família Villas Bôas
- Histórico do Sobrenome (Apelido) -
Texto,
em português antigo, e originalmente publicado na obra "NOBILIÁRIO DE
FAMÍLIAS DE PORTUGAL" baseado nos manuscritos de Manuel José da Costa
Felgueira Gayo (n. 1750, fal.1831 e descendente de João Annes de Villas
Bôas).
Autor : Luis Antônio Villas Bôas
Texto original :
He esta familia hua das mais antigas e Illustres de Entre Douro e
Minho, pois já no tempo do Sr. Rey D. Deniz se acha hua procuração dos
Fidalgos de Riba Minho, nos seus rezistos, em q como tal, asignou João
Annes de Villasboas, primeiro de q temos notissia com este appellido, e
Senhor da Torre de Ayró, cita na fregª de S. Jorge de Ayró no termo
desta Villa de Barcellos, q he o Sollar desta famillia, de q fora Sr.
Gonçallo Gil de Eiro de q falla o Conde D. Pedro no ttº 63 fl 353, e
nella asestira, e posto q no dito Conde se não trate do dº João Annes
de Vilasboas nem seus notadores, he de prezumir q esta famillia, teve a
disgraça de outras mais, q forão truncadas do m.mo Conde D. Pedro, por
ódio ou aversão, metendo nelle outras em q ele não falava, pois não he
de supor, q o Conde D. Pedro, o primeiro Zellador da honra alheia,
deixa-se de tratar de hum Fidalgo, q figurava no tempo de Seu Pay o Sr.
Rey D. Deniz, e de seu Irmão o Sr. D. Affº 3º tratando de Gonçallo Gil
de Eiro, de q.m elle descendia e como tal pessuia a Torre de
Ayró. Texto interpretado :
É esta família uma das mais
antigas e ilustres de Entre Douro e Minho, pois já no tempo do Sr. Rei
D. Diniz se acha uma procuração dos fidalgos de Riba Minho, nos seus
registros, em que como tal, assinou João Annes de Villasboas, primeiro
de que temos notícias com esse apelido, e senhor da Torre de Airó,
situada na freguesia de S. Jorge de Airó no termo desta vila de
Barcelos, que é o solar desta família, de que fora Sr. Gonçalo Gil de
Eiro de que fala o Conde D. Pedro, no título 63, folhas 353, e nela
assistira, e posto que o dito Conde não trata de João Annes de
Vilasboas nem seus notadores, é de se presumir que esta família teve a
desgraça tal com outras, que foram omitidas pelo mesmo Conde D. Pedro,
por ódio ou aversão, citando nele outras em que ele não se falava, pois
não é de supor que o Conde D. Pedro, o primeiro zelador da honra
alheia, deixa-se de tratar de um fidalgo que figurava no tempo de seu
pai o Sr. Rei D. Diniz e de seu irmão o Sr. D. Afonso III tratando de
Gonçalo Gil de Eiró de quem ele descendia e como tal possuia a Torre de
Airó.
A respeito deste apelido dizem alguns que elle he deduzido
da Famillia de Villasbens, estendida por m.tas partes de França
Provincia do Norte q teve principio em Hugo, e seu Irmão Jaques de
Monçai, q na batalha de Bonines (Bouvines), acompanhando a Felipe
Augusto Rei de França aprezionarão ao Inf.e D. Fernando Conde de
Flandres fº do nosso Rey D. Sancho 1º pellos annos de 1214 segundo diz
Manoel Soeiro nos Anaes da Flandres Liv. 5 fl 267, pelo q o dito Rey
lhe fez mercê de Villabens e Augmoins, de q se deribou o Appellido
Villabens, e q passando algum desta famillia a este Reino, de
Villabens, por corrupção se appellidarão Villasboas = e q as Armas
antigas de q uzavão os Villas boas, de dois homens Armados, e hum
Castello no meio, era memória do facto q obrarão aquelles dois irmaons,
o castello em memoria do Castello em q recolherão o dito Conde; mas não
achamos rezão nesta opinião, q escrevemos so para fazer menção
della. A respeito deste apelido, dizem alguns, que ele é
proveniente da Família de Villasbens, existente por muitas partes da
França (Província do Norte) que teve princípio em Hugo e seu irmão
Jacques de Monçai, que na batalha de Bouvines (27/JUL/1214),
acompanhando o Rei da França, Felipe Augusto, aprisionarão ao Infante
D. Fernando, Conde de Flandres, filho de nosso Rei D. Sancho I, pelos
anos de 1214, segundo diz Manoel Soeiro, nos Anais de Flandres, livro
5, folhas 267, pelo que dito Rei lhe fez presente a localidade de
Villabens e Ugmoins, e de onde se originou o apelido de Vilabens e que
passando algum descendende desta família para este Reino (de Portugal),
que por alteração do apelido sugiu Villasboas, e que as armas antigas
de que uzavão dos Villasboas, de dois homens armados e um castelo no
meio, era memória do fato realizado por aqueles dois irmãos, o castelo
em memória do castelo que recolherão o dito Conde; mas não achamos
verdadeira esta versão, mas escrevemos para fazer menção dela.
A
openião mais seguida, e se comforma mais, he q este apellido se deduz
de hum dos dois vallerozos Irmaons q vierão a este Reino do Estado de
Florença na Toscana, hum chamado D. Domin-Florentim e outro D.
Fernando. Estes dois Irmaons vierão a este Reino servir o Sr. Rey D.
Sancho 2º nas guerras contra Castella, e mellitando na Provincia de
Traz os Montes fizerão accoins de m.to vallor, e mandando ElRey gente
sobre duas Villas, q ficavão ao travez de hua q queria tomar o dº Rey,
veio a gente m.to mal tratada, de q o Rey ficou m.to sentido, o q vendo
os ditos Irmaons, se forão offerecer ao Rey pª as irem tomar
pedindo-lhe algua gente o dito Rey lha deo, e indo com efeito sobre as
ditas Villas as tomarão, e renderão, e a hum Castello q estava sobre
hua dellas, e vindo ao Rey lhe disserão= Senhor as Villas já são
vossas= ao q o Rey respondeo = minhas não por que vos faço m.ce dellas=
e recuzando os dois Irmaons aceitallas lhe disse o Rey = aceitai q são
Villas boas = o q foi principio deste appellido, ficando os dois
Irmaons Florentinos S.res das ditas Villas, e sendo dipois necessario
ao Rey arrazallas, lhe deo outros bens, e rendas em satisfação com
jurisdição na Provincia de Entre Douro e Minho, onde tiverão o Castello
de Penafiel, e os Requengos de Villas boas, e outros cujos bens forão
tirados a Diogo Fz de Villasboas pello q abaixo dizemos e dado aos
Senhores de Regallados como diz Lavanha ao Conde D. Pedro Plana 218
fl.644, e do referido facto tomarão como deixo ditto o appellido e
Armas de q uzarão os primeiros Vilasboas q erão hum Castello em memoria
do q tomarão junto a Villa, e junto delle dois homens Armados em pé em
memoria dos dois Irmaons cujas Armas largou Diogo Fz de Villasboas
abaixo N 3 e he m.to provavel q algum neto, ou descendente de algum
daquelles dois Irmaons casasse com algua Srª descendente de Gonçallo
Gil de Eiró Sr. da Torre de Ayro, q fossem pais de João Annes de Villas
boas, Sr. da Torre de Ayro e dos Reguengos de Villas boas em q damos
principio a este ttº cuja openião nos parece mais conforme a verdade,
isto o q sinto em qtº não ouver q o contrario me mostre. A opinião
mais seguida, e que tem mais consistência, é que este apelido se deduz
de um dos dois valorosos irmãos que vieram a este reino, provenientes
do estado de Florença, na Toscana, um chamado D. Domin-Florentim e
outro D. Fernando. Estes dois irmãos vierão a este reino servir ao Sr.
Rei D. Sancho II nas guerras contra Castelha, e melitando na província
de Trás os Montes, fizerão ações de muito valor, e mandando o Rei gente
(soldados, tropas) sobre duas vilas, que ficavam no caminho de uma
outra, que o Rei queria tomar, foram muito mal tratados pelas pessoas
das ditas vilas e que o rei ficou muito sentido, os ditos irmãos vendo
o ocorrido, foram oferecer ao Rei para as tomarem, pedindo-lhe alguma
gente, o que o Rei lhes deu, e indo com efeito sobre as ditas vilas, as
tomaram e as renderam, e a um castelho que estava sobre uma delas, e em
presença do Rei, lhe disseram : "Senhor, as vilas já são vossas" ao que
o Rei respondeu : "Minhas não, porque vos faço presente delas", os dois
irmãos recusando a aceitá-las, disse-lhes o Rei : "Aceitai, que são
vilas boas" o que foi princípio deste apelido, ficando os dois irmãos
florentinos senhores das ditas vilas, e sendo depois necessário ao Rei
arrazá-las, lhes deu outros bens e rendas em satisfação com jurisdição
na Província de Entre Douro e Minho, onde tiveram o Castelo de Penafiel
e os reguengos (terreno de patrimônio dos Reis) de Vilas Boas e outros
bens que foram tirados de Diogo Fernandes de Villasboas pelo que abaixo
dizemos e dados aos Senhores de Regalados, como diz Lavanha ao Conde D.
Pedro (Plano 218, folha 644), e do referido fato tomarão, como deixo
dito, o apelido e armas de que usarão os primeiros Vilasboas que eram
um castelo, em memória do que foi tomado, junto à da vila, e junto
dele dois homens armados, em pé em memória dos dois irmãos cujas armas
largou Diogo Fernandes de Villasboas (cita o item N3 do título da
genealogia da família) e é muito provável que algum neto, ou
descendente de algum daqueles dois irmãos casasse com alguma senhora
descendente de Gonçalo Gil de Eiró, Sr. da Torre de Ayró e que fossem
pais de João Annes de Villas boas, Sr. da Torre de Aryró e dos
requengos de Vilas boas em que damos princípio a este título cuja
opinião nos parece mais conscistente com a verdade, isto o que sinto em
quanto não houver provas em contrário.
(O que digo aqui he comua
openião e agora vi em hum manoescripto dos S.res desta Casa q M.el
Caminha de Villas boas assim o vira, em hum caderno antigo de
Armas). (O que digo aqui é como uma opinião e agora vi em um
manuscrito de um caderno antigo de armas dos senhores desta casa que
Manoel Caminha de Villas boas tinha visto.)
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